domingo, 16 de abril de 2017

“Chuvinha” de neurotransmissores

Como a escolha de uma música pode mudar seu dia


Ana Lúcia Hennemann¹ 

“Canta canta minha gente deixa a tristeza prá lá, canta alto forte que a vida vai melhorar.” - Martinho da Vila

     E a atriz coadjuvante de nossas vidas é sempre ela: a música. Estou certa? Ou poderíamos fazer a tentativa de imaginar o mundo sem ela?
    Imagine-se em atividades que precise colocar motivação e empenho: faxina da casa, limpeza do carro ou exercícios na academia. Certamente tudo fica mais prazeroso ao som da música que você tanto gosta. Mas por outro lado, imagine-se acordando desanimado, saiu de casa e encontrou alguém que lhe conta algo triste, e para completar liga o rádio e está tocando justamente aquela música melancólica que te faz lembrar do amor que não deu certo, de brigas com pessoas que tanto ama, do trabalho cansativo?  Sem perceber você acaba transformando algo que já não estava bom, em pior ainda!!! E tem gente que ainda diz: era a música perfeita para o meu dia...
    Nada disso, nada de aumentar o sofrimento. Vamos refletir sobre o assunto:  por que a música exercer tamanha influência sobre nossos sentimentos?  Caso nunca tenha se perguntado sobre isso, saiba que pesquisadores descobriram que a música tem a capacidade de aumentar ou diminuir a produção de neurotrofinas (proteínas responsáveis pela sobrevivência, desenvolvimento e funcionalidade dos neurônios) afetando, assim, o funcionamento do sistema nervoso. O sistema das neurotrofinas é capaz de regular processos celulares vitais como a liberação de neurotransmissores, tais como a dopamina e a noradrenalina. A dopamina é um neurotransmissor relacionado ao prazer, bem-estar e recompensas enquanto que a noradrenalina nos proporciona excitação física, mental, e bom humor. 
    Assim como palavras são gatilhos que fazem pensar em determinadas situações, sons ou imagens, a música faz isso com maior abrangência, pois ela ativa diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo, envolvendo áreas responsáveis por interpretar as diferentes alturas, timbres, ritmos e modulação do sistema de prazer e recompensa envolvido na experiência musical.
     De acordo com Tolstói (1889 apud Miranda, 2013):

 A música obriga a esquecermo-nos da nossa verdadeira personalidade, transporta-nos a um estado que não é o nosso. Sob a influência da música temos a impressão de que sentimos o que não sentimos; que compreendemos o que na realidade não compreendemos; que podemos o que não podemos[...] A música transporta-nos, de surpresa e imediatamente, ao estado de alma em que se encontrava o artista no momento da criação, confundimos a nossa alma com a dele e passamos de um estado a outro sem saber por que o fazemos.

      Quanto maior a sensação de prazer relacionada a uma música maior é a quantidade de associações que o nosso cérebro realiza com a mesma e maior será a liberação de dopamina ou noradrenalina. A música pode alterar nosso estado fisiológico através dos sistemas nervoso e endócrino.
Portanto, se você se quer ter um dia agradável ouça músicas que lhe despertam sensações que promovam o seu bem-estar. Do mesmo modo quando pensamos em questões de aprendizagem, a música pode ser um aliado altamente eficaz. Por exemplo: que tal começar a aula com uma boa música? Automaticamente os alunos estão sendo preparados para a recepção do conteúdo, pois relaxam, ficam mais descontraídos (o que promove a interação professor X aluno). Ouvir música exige o desenvolvimento da capacidade de concentração, além de promover a criatividade pois sensibiliza o aluno.
    Outra alternativa é solicitar que eles criem músicas relacionada ao conteúdo da disciplina, com isso, há muito maior aprendizagem, pois eles terão que utilizar os conhecimentos prévios e evidenciá-los através das habilidades de leitura, escrita, interpretação, ritmo, entonação de voz, e por aí adiante. Portanto, dentro do contexto educacional a música traz o benefício de ampliar e facilitar a aprendizagem.
   Seja por motivos pessoais, na execução de uma atividade ou situação de aprendizagem, o importante mesmo é seguir a ordem do poeta, mas com o entendimento de que ao cantar, alto e forte, a vida vai melhor, pois “chuvinhas” de substâncias prazerosas estarão modulando seu cérebro e, consequentemente, todo o seu organismo.  

Referências:
MIRANDA, Matheus. A música e as emoções. Disponível online em: http://migre.me/oNqAy
MUSZKAT, Mauro. Música, Neurociência e Desenvolvimento humano.   http://migre.me/oNlcG
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  “Chuvinha” de neurotransmissores.  Novo Hamburgo, 16 de abril/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/04/chuvinha-de-neurotransmissores.html

Um comentário:

  1. Muito boa a abordagem sobre a importância da música em nossas vidas e principalmente de nossas crianças e jovens. Parabéns!

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