sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sono: Alicerce da Aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann¹


O sono promova uma espécie de 'entalhamento' das memórias em nosso cérebro, perenizando certas conexões sinápticas em detrimento de outras – Sidarta Ribeiro

Nada mais de deixar sono atrasado e tentar recuperar as horas perdidas nos finais de semana. Dormir tem sido cada vez mais evidenciado pela comunidade cientifica como algo primordial no processo de aprendizagem.
Para aqueles que pensam que a aprendizagem ocorre somente durante o dia, e mais precisamente dentro do contexto acadêmico, saibam que esses são apenas as primeiras etapas da aprendizagem, pois a consolidação da aprendizagem que é o resultado de novas conexões entre as células nervosas e do reforço destas ligações, necessita de tempo e nutrientes, não ocorrendo de imediato.
Entretanto, a segunda e terceira etapa da aprendizagem ocorre durante o sono, onde a consolidação de nossas memórias realmente acontece, pois ocorre a fixação do que foi aprendido e também o preparo do cérebro para novas associações.  É através do sono que as proteínas são sintetizadas com o objetivo de manter ou expandir as redes neuronais relacionados ao aprendizado e memórias. É como se nosso cérebro fizesse uma “releitura” das aprendizagens e confrontasse com aquilo que se encontra “armazenado”, ressignificando-as, em outras palavras é um momento de “backup”.
O sono consolida o crescimento das espinhas dendríticas, que são pequenas saliências de células cerebrais que auxiliam na conexão entre as mesmas, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma ampliam a memória de longo prazo.
 Dentro do contexto educativo o autor Ausubel menciona que o professor deve partir dos conhecimentos prévios dos alunos. Dentro da neurociência sabe-se que os conhecimentos prévios encontram-se na memória de longa duração, ou seja, nossas aprendizagens, conhecimentos, nossos saberes. O aluno só terá conhecimentos prévios se eles estiverem consolidados na memória. Quanto mais conhecimentos obtivermos mais rápida as próximas aprendizagens acontecem.
Passar horas estudando, como fazem alguns alunos em épocas de exames, não garante o melhor desempenho acadêmico, pois estudar requer fazer conexões com o que estamos aprendendo com aquilo que já sabemos. E conforme dito anteriormente é justamente no sono que estas aprendizagens se consolidam.
O neurocientista Sidarta Ribeiro enfatiza que o sono reverbera, processa, consolida, deleta e reestrutura memórias, mas aquele sono após o almoço também auxilia no processo de aprendizagem, pois ele também faz a reposição/regulação de substâncias químicas que a pessoa gasta quando acordada.
Testes realizados com ratos, feitos pelo professor de neurociência e fisiologia Wen-Biao Gan, evidenciaram de que forma o sono auxilia na aprendizagem. Durante o dia o pesquisador treinou um grupo de ratos numa determinada atividade específica e percebeu que 6 horas após ocorreu o crescimento de espinhas dendríticas. Numa segunda etapa da pesquisa, dividiu o grupo de ratos em dois subgrupos, sendo que o primeiro dormiu logo após o aprendizado de uma nova atividade, e o segundo grupo permaneceu acordado. Na verificação do teste percebeu-se que o grupo que dormiu apresentou maior quantidade de crescimento de espinhas dendríticas, comprovando dessa forma que o sono auxilia a aprendizagem, porém a privação do mesmo pode ser prejudicial.
Valle (2009) ressalta que nossa saúde, a qualidade de vida e a perspectiva de uma vida longa podem depender de boas noites de sono. Entretanto, o importante nem sempre é a quantidade de horas dormidas, mas sim a qualidade das mesmas porque o sono tem a função de melhorar as funções intelectuais regulando o conhecimento e as experiências da pessoa enquanto ela dorme. Nesse sentido, faz-se necessário primar pela qualidade do sono procurando:
- dormir sem luzes, rádio ou televisão ligados, pois estes estimulam alguns de nossos sentidos fazendo com que os neurônios fiquem excitados.
- propiciar um ambiente acolhedor, com temperatura agradável;
- evitar café, cigarro, estimulantes que podem interferir no sono.
- se possível crie uma rotina saudável para dormir, pois é neste momento que são restabelecidas as energias gastas no dia e as mesmas tem grande influência sobre nossas funções vitais e cognitivas.
O sono é um dos alicerces da aprendizagem, e se essa base estiver comprometida, certamente a consolidação de nossos saberes também ficará abalado.

Referências Bibliográficas:
RIBEIRO, Sidarta. Dormir, Comer, Sonhar, Aprender. Em: https://www.youtube.com/watch?v=zDYukQ9Xjak
VALLE, Luiza, VALLE, Eduardo. REIMÃO, Rubens. Sono e aprendizagem. Revista Psicopedagogia, vol 26, nº 80. São Paulo:2009. 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
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Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L. Sono: Alicerce da Aprendizagem.  Novo Hamburgo, 27 janeiro/ 2017. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/sono-alicerce-da-aprendizagem.html 

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