quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Auxiliando as crianças no desenvolvimento das funções executivas!

Ana Lúcia Hennemann¹
Aprender demanda tempo e empenho, se alguém diz que tem facilidade para a aprendizagem, na verdade o que está pessoa está demonstrando é que ela já teve apropriação de demais aprendizagens bases que serviram de estruturas para aprendizagens posteriores.  Por exemplo, vamos pensar no caso de duas crianças: - a primeira, teve estimulação precoce relacionada ao mundo letrado: - familiares liam livros para ela, brincavam com jogos onde havia letras, palavras, números; ela contemplava momentos onde a família utilizava de instrumentos de escrita (bilhetes, cartas, e-mails, etc); brincava de brincadeiras que envolviam rimas, músicas, etc....
- a segunda criança, poderia até ter um lar de boas condições econômicas, entretanto, vamos pensar numa situação em que os familiares não tivessem tempo de ler, jogar, brincar cantar com a mesma, onde esta criança passasse a maior tempo apenas com o estímulo visual-auditivo (assistindo televisão, por exemplo)
Certamente a primeira criança teve a oportunidade de construir uma base de aprendizagem muito mais “estruturada” do que a segunda, o que futuramente lhe dará mais condições para as demais aprendizagens...
Nestas atividades que iniciam no contexto familiar e continuam na escola, sociedade em geral, a criança vai desenvolvendo funções cerebrais imprescindíveis para a aprendizagem: atenção, memória, emoção, planejamento, auto regulação (conseguir regular o comportamento, ter vontade de fazer algo, mas conseguir se manter na atividade atual), funções estas que conhecemos como executivas.
Moriguchi & Hiraki (2013 apud Santos, 2015) nos diz que “As funções executivas (FEs) referem-se ao controle cognitivo de ordem superior necessário para a realização de um objetivo específico”, no entanto precisamos ter o entendimento de que o controle cognitivo de ordem superior é algo complexo que envolvem capacidade de planejar, executar a atividade ao mesmo tempo que lida com demandas e mudanças ambientais. Por exemplo: vamos pensar numa criança que necessita fazer a cópia da atividade do quadro para o caderno, aparentemente é algo muito simples, mas talvez o simples fato do colega do lado pegar um apontador que seja, pode fazer com que a criança se distraia, perca o foco naquilo que estava fazendo, demore para se localizar onde havia parada, etc... por este simples exemplo somos capazes de deduzir o que Cypel (2006, p. 375) elenca como principais fatores do bom funcionamento das funções executivas: “o estado de alerta, a atenção sustentada e seletiva, o tempo de reação, a fluência e a flexibilidade do pensamento”.
As funções executivas englobam também fatores cognitivos, emocionais e sociais pois se faz necessário regular o comportamento para alcançar as metas (ex. terminar de copiar a atividade do quadro), abandonar estratégias ineficazes (se ficar olhando para o apontador do colega o indivíduo não irá terminar a cópia) e se utilizar de ações mais eficientes.
Entretanto, se faz necessário ter o entendimento que um dos principais lobos responsáveis por este controle executivo é o frontal, no entanto há muito mais estruturas envolvidas tais como núcleos de base (striatum), o tálamo, as estruturas límbicas e demais vias que se encontram nestas regiões. Outro aspecto importante, diz respeito a maturação destas estruturas, pois é justamente através da experimentação de diversas situações que esta maturação ocorre com maior propriedade, com maior elaboração. Por isso, que a criança do primeiro exemplo, citada no início do artigo, apresenta muito mais chances de ter suas funções executivas com melhor estado de funcionamento.
No entanto, todas as crianças desde cedo podem ser auxiliadas com brincadeiras simples que aguçam o seu foco atencional e o controle de impulsos e dessa forma vão melhorando o desempenho de suas funções executivas. Por exemplo, a brincadeira de “Morto e vivo” ou então o “Jogo de Estátua Modelo”
No Jogo de Estátua Modelo, as crianças vão dançando ao som de alguma música e o professor vai segurando na mão a ficha com a estátua modelo, ou seja, a posição em que elas devem ficar assim que ouvirem um apito ou não escutarem mais o som da música. Esta atividade faz com que a criança vai executando uma tarefa (dança) e mantenha seu foco atencional no que precisa fazer após (estátua modelo). Nesse sentido elas vão fazendo um planejamento prévio, criando estratégias para alcançar o objetivo final e lógico se não conseguirem ficar na posição prevista devem fazer novas tentativas, que seria a flexibilização da tarefa (replanejamento das estratégias usadas).

Enfim, esta foi apenas uma dica de atividade, mas CENSUPEG e faça lá sua inscrição.
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Referência bibliográfica:

CYPEL, S. O papel das funções executivas nos transtornos de aprendizagem. In: ROTTA, N. OHLWEILER, L. RIESGO, R. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

SANTOS, F., ANDRADE, M, BUENO, O. Neuropsicologia Hoje. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

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