sábado, 28 de junho de 2014

Rupert Sheldrake e os Campos Morfogenéticos


Pois é, como diz a reportagem a New Scientist elogiava o trabalho de Sheldrake como “uma importante pesquisa científica”, a Nature o considerava “o melhor candidato à fogueira em muitos anos”.
Massssssssss. o tempo passa, as inverdades de uma época começam a ser observadas por outros vieses....e  com isso surgem novas maneiras de percebermos a realidade que nos cerca...
 “Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado”, conjectura Sheldrake.

Obs.: a matéria foi publicada pela Revista Galileu (http://galileu.globo.com/edic/91/conhecimento1.htm) há algum tempo. Devido ao interesse pessoal sobre o assunto, a trouxe para cá. 
Aqui no blog há mais no link:
 http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2013/07/cem-macacos.html

Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco
Na biologia, surge uma nova hipótese que promete revolucionar toda a ciência


        Era uma vez duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha "A" descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira.

     Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. Este é uma história fictícia, não um relato verdadeiro. Numa versão alternativa, em vez de quebrarem cocos, os macacos aprendem a lavar raízes antes de comê-las. De um modo ou de outro, porém, ela ilustra uma das mais ousadas e instigantes ideias científicas da atualidade: a hipótese dos "campos mórficos", proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

      Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

      Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados. 

       A analogia termina aqui, porém. Porque, ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos de Sheldrake não envolvem transmissão de energia. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacional e eletromagnético. O que se transmite através deles é pura informação. É isso que nos mostra o exemplo dos macacos. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie. 

Até os cristais
        O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de "ressonância mórfica". Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos chegasse à ilha "B", sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações.

       Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.

        Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório - diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.

          Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como "uma importante pesquisa científica", a Nature o considerava "o melhor candidato à fogueira em muitos anos".

          Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas ideias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A ideia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica".

            Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida. A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.

           Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?

        A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma "explicação" dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível? Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível. Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes.

Ação modesta 
           A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto.
        "A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente."

         A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados "campos morfogenéticos". Se as proteínas correspondem ao material de construção, os "campos morfogenéticos" desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.

         Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo. 

Forma original
        Como mostra a ilustração da página ao lado, o sucesso da operação independe da forma como o pequeno verme é seccionado. O paradigma científico mecanicista, herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650), capota desastrosamente diante de um caso assim. Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas.

          A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake. 

      Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.

Aprendizado
    Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado", conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

      Outra consequência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud (leia o artigo "Nas fronteiras da consciência", em Globo Ciência nº 32).
Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.

"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal", afirmou Sheldrake a Galileu. "Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas". 

          De todas as aplicações da ressonância mórfica, porém, as mais fantásticas insinuam-se no domínio da tecnologia. Computadores quânticos, cujo funcionamento comporta uma grande margem de indeterminação, seriam conectados por ressonância mórfica, produzindo sistemas em permanente transformação. "Isso poderia tornar-se uma das tecnologias dominantes do novo milênio", entusiasma-se Sheldrake. 
Sem nenhum contato entre si, macacos de uma ilha incorporam os conhecimentos desenvolvidos na outra. É os campos invisíveis comandariam processos e atitudes: da formação do embrião aos modismos. 

O desenvolvimento do embrião: a ciência reducionista não explica como é que células iguais formam órgãos tão diferentes. Nas outras imagens, a moda do piercing e da tatuagem e a febre do futebol, que toma conta do Brasil nas copas do mundo: comportamentos que poderiam ser influenciados pela ressonância mórfica

É mais fácil aprender o que já foi aprendido por outros: a ideia que pode mudar o ensino. 
A regeneração do platelminto (no pé da página): um fenômeno que desafia a biologia mecanicista. Na outra imagem, uma aula no interior do Brasil: processo que pode estar sendo facilitado pelo ensino pratica do em qualquer parte do mundo.


Anote
Site na internet:

www.sheldrake.org

Livros em português:

O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix

Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente, de Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix/Pensamento

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Qual a imagem diferente?


Fonte: http://brainathlete.com/category/brain-teasers/

Precisei olhar bem minuciosamente, mas tem uma imagem que não corresponde as demais.
Observem, elas estão em posições diferentes, mas três apresentam detalhes semelhantes...

domingo, 15 de junho de 2014

AUTISMO - o que sabemos ( e o que ainda não sabemos)

Wendy Chung - geneticista da Fundação Simons. Suas pesquisas visam caracterizar o comportamento, a estrutura e função do cérebro em pessoas com variações genéticas que podem estar relacionados ao autismo.

A aprendizagem deve provocar mudanças


Ana Lúcia Hennemann
Assim que recebeu a devolução do teste, o menino olhou e não se sentiu satisfeito pelo que viu. Criança esperta, daquelas que sempre tem um feedaback do conteúdo que está sendo estudado. Entretanto, sua destreza e expertise não foram o suficiente para ajudar-lhe num teste de ciências. Assim que a professora fez a devolução do mesmo, os olhos do menino, percorreram item por item, como se procurasse algo que justificasse os acertos que não obteve.
Ficou alguns instantes como se estivesse se reportado a outro mundo, talvez um local somente dele e o do resultado de sua aprendizagem. O que se passava naquela massa encefálica? O que fez com que alguém com tantas capacidades não obtivesse um resultado satisfatório? O semblante da criança era de dúvida? De descrédito de que aquilo estivesse realmente acontecendo...eram milhões de pensamentos em frações de segundos, entretanto,  só percebeu-se dentro do contexto da sala quando o colega ao lado veio questionar quantos acertos ele havia feito no teste. Tentando se libertar da situação que lhe parecia constrangedora, mencionou qualquer coisa e rapidamente guardou a folha na mochila. Naquele dia, algo lhe pareceu diferente, não era mais aquela criança risonha e rápida em tudo... Seus pensamentos estavam longe, muito longe...
A tarde chegou ao final, a noite veio, a manhã passou rápida demais e novamente mais uma tarde, mais um período letivo...
Discretamente, o aluno alegre e ágil em tudo, deu lugar a uma criança quieta e que humildemente foi se “aprochegando” até a professora, e antes mesmo que ela pudesse dar boa tarde a todos, foi interrompida por aquele olhar de ternura que a fitava enquanto lhe entregava a folha do dia anterior:
- Professora, se você quiser pode corrigir meu teste novamente, mas está tudo certo, cheguei a casa, pesquisei no meu caderno as respostas. Quando minha mãe chegou do trabalho ela conferiu e está tudo certo. Será que você pode trocar minha nota?
Num gesto silencioso ele deixou a folha sobre a mesa da professora. Assistia a aula cabisbaixo, volta e meia seu olhar pairava sobre aquele papel rasurado de tanto ter sido apagado e reescrito. Era lógico que ia haver alguma alteração na nota, pois o conceito de aprendizagem que  ele tinha de si mesmo o fez ir à busca de melhorias. Mostrou que era capaz de mudar,  de promover sua neuroplasticidade, sendo que a aprendizagem que a situação lhe proporcionou provocou mudanças: de atitude, de conhecimento, de reconhecimento de si mesmo de metacognição, “pensar sobre o repensar”,  de saber que aquele saber evidenciado num teste não é o seu saber absoluto.
Neste simples gesto, quantas aprendizagens...quantas mudanças...
A verdadeira aprendizagem é justamente essa: proporcionar ao aluno ser agente e ao mesmo tempo sujeito de sua aprendizagem
A nota/conceito foi alterada(o) e entregue ao aluno com um grandioso parabéns por sua atitude, por procurar demonstrar que tem capacidade de melhorar sempre e ir à busca de conhecimento a partir de um resultado obtido.
Alguns profissionais mais inflexíveis frente aos resultados apresentados pelos alunos abordam que esta flexibilidade da educação é que faz com que os alunos estudem menos, alguns usam em seu discurso “está tudo fácil, o aluno não precisa mais se esforçar porque sabe que tem a “recuperação”, etc, e tal. Mas já tenho anos de experiência, tanto como professora, tanto como aluna e sempre fui apaixonada por meus mestres, então se hoje tenho a perspicácia de perceber que o aluno é muito mais do que o resultado evidenciado em determinado contexto é porque tive bons mestres, profissionais que serviram de modelo pra minha atuação no contexto educacional.
 Lembrei com carinho, da minha professora, que há mais ou menos 30 e poucos anos atrás, entreguei a prova de conjugação verbal e naquele exato instante olhei para ela e disse: - Professora, minha prova está errada, conjuguei o verbo “querer” com “z” e agora lembrei que é com “s”!  A expressão dela, franzindo a testa, pensando o que fazer reavivaram diante de todo o contexto ocorrido com tal aluno, entretanto  num gesto inesperado ela devolveu-me a folha e solicitou que a refizesse novamente.

Exemplos como esse que guardamos no coração e  que servem de modelo para nossa atuação como profissionais. O professor, mesmo que não queira, sempre foi e sempre será “modelo de vida”. Para os que vivenciaram esta época, sabem que não havia muitas regalias, era uma educação mais tradicional, pautada no acerto e no erro, ou seja, ou você sabia ou tinha que esperar para a tal recuperação lá no final do bimestre ou até do ano.  A atitude que a professora teve naquela situação, quando ainda nem pensava em atuar no cenário educacional, deixaram marcas registradas, ensinando-me  sobre o fazer pedagógico, respeito com o educando e acima de tudo que a verdadeira educação promove reflexão sobre nosso ato de aprender. 

sábado, 14 de junho de 2014

Que percepção tenho de mim?

"A maior aventura de um ser humano é viajar, e a maior aventura que alguém pode empreender é para dentro de si mesmo."
- Augusto Cury

     Quando tomamos consciência de qual local nos encontramos é possível criar perspectivas de mudanças. Uma das imagens que gosto de trabalhar nas disciplinas de psicopedagogia é justamente a que se encontra abaixo (infelizmente não tenho mais a fonte fidedigna de onde a mesma foi retirada, pois há anos que a recebi numa dinâmica feita na escola em que trabalhava).
     Somos seres de constantes mudanças, por isso, dificilmente alguém pode dizer EU SOU ASSIM, o correto seria 'EU ME ENCONTRO ASSIM, EU ME PERCEBO DESSE JEITO, pois nos modificamos de acordo com as situações pelas quais estamos passando. E a psicopedagogia traz justamente esta oportunidade de olhar dentro de si mesmo, conforme enuncia Cury, se perceber sujeito de suas interações. 
       Maturana usava a expressão "autopoiese", que poderia ser grotescamente definido como auto se recompor, se reestruturar, perceber-se em seu contexto de atuação e partir para a metacognição, pensar sobre o repensar. E o interessante é justamente trabalhar a imagem desde as séries iniciais, pois as crianças expressam com muita clareza, aquilo que está implícito dentro delas, quando são abordadas dentro de um contexto lúdico. Elas expressam suas inquietações, suas felicidades....
         Em uma de suas narrativas Alícia Fernandez nos propõe a fazer com que os indivíduos se reconheçam sujeitos de sua própria autoria, então é justamente em reflexões tão simples como a da imagem abaixo, que podemos fazer isso, é fazer um convite para que o sujeito verifique em que estado se encontra, que resultados está obtendo com isso e quais suas possíveis propostas de mudança, pois conforme Fernandez (2008, p.91) "A autoria do pensamento é condição para a autonomia da pessoa...[...] a medida que alguém se torna autor, poderá conseguir o mínimo de autonomia."
     

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A importância do sono na aprendizagem

Excelente matéria publicada pela Revista Veja há alguns anos atrás, por isso simplesmente "roubartilhei" a publicação que tem muita riqueza no conteúdo...

A ciência enfatiza que o sono é essencial à consolidação
da memória e ao desempenho intelectual. Ele define até
quais são os horários do dia mais favoráveis ao aprendizado

Marcos Todeschini 

         O inventor da lâmpada e do gravador de som, o americano Thomas Alva Edison (1847-1931), cultivava um ideal de noite perfeita. Ela deveria fornecer o máximo de energia para um novo dia de trabalho criativo sem consumir tempo em excesso. Edison pregava os olhos por no máximo três horas seguidas. Ao despertar, avaliava a qualidade da noite anterior e anotava detalhes em um diário. Leonardo da Vinci (1452-1519) acordava antes do resto da humanidade, mas reservava quinze minutos a cada duas horas para tirar uma soneca. O pintor da Mona Lisa e idealizador do princípio do voo do helicóptero conseguia assim encarar seus desafios com a mente descansada. Albert Einstein (1879-1955) determinou ser a luz a única constante do universo, mas gostava mesmo era de penumbra. Ele dormia dez horas por noite e, a cada ideia nova, se premiava com uma hora extra na cama. Intuitivamente, os três gênios perseguiam uma rotina noturna pessoal capaz de prover combustível a suas mentes poderosas. Só agora a medicina está explicando os efeitos notados por Edison, Da Vinci e Einstein. A qualidade do sono afeta diretamente as funções intelectuais e artísticas de modo decisivo, regulando as forças mentais durante o período ativo do dia e armazenando o conhecimento e as experiências valiosas da pessoa enquanto ela dorme.

         O efeito do sono, ou da falta dele, sobre a disposição física e mental das pessoas é conhecido desde tempos imemoriais. A medicina está conseguindo agora, em primeiro lugar, explicar a origem físico-química desse efeito. Mas, principalmente, as pesquisas atuais ajudam a estabelecer um cronograma das horas do dia nas quais a pessoa estará mais apta a aprender. Esse cronograma, claro, depende de como a noite anterior foi aproveitada. Em segundo lugar, está ficando cada vez mais nítido o processo pelo qual o cérebro humano seleciona e armazena os milhares de informações adquiridas durante o dia. Isso se dá durante o sono. Cada etapa do sono é usada pelo cérebro para estocar determinado tipo de informação. As musicais são gravadas logo nos primeiros minutos. Aquelas ligadas ao pensamento lógico e matemático são registradas durante as etapas finais dos ciclos do sono, marcadas pela movimentação veloz dos olhos sob as pálpebras e permeadas de sonhos. Essa é a chamada fase REM, a sigla em inglês para rapid eye movement. O alemão Jan Born, da Universidade de Lübeck, coordenador da pesquisa, resume: "Deciframos finalmente o fantástico processo de armazenamento do conhecimento na mente humana".



      Ao longo de um ano, os alemães de Lübeck observaram todas as noites a atividade cerebral de sessenta pessoas enquanto elas dormiam. Com imagens obtidas por meio de aparelhos de ressonância magnética, os cientistas puderam enxergar claramente o processo de consolidação das informações aprendidas durante o dia. Eles mapearam com precisão todo o trajeto de uma informação, desde o momento de sua absorção em estado de alerta até a gravação durante o sono. A gravação é um processo químico sem o qual os fatos do dia seriam simplesmente apagados. Os pesquisadores descobriram uma faceta extraordinária desse processo justamente na fase de sono REM. Nela, uma substância-chave está com sua atividade reduzida no cérebro. Esse composto é a acetilcolina, justamente a substância responsável pela retenção das informações no hipocampo, uma região do cérebro onde os dados são armazenados temporariamente e de onde podem evaporar se não forem coletados a tempo para se tornar memória de longo prazo em outra área – o neocórtex. A nova pesquisa mostra com nitidez a trajetória da informação do hipocampo ao neocórtex. Esse valioso processo só se dá enquanto a acetilcolina está "adormecida". Sua inércia, ocorrida durante o sono, abre caminho para os neurônios formarem uma rede por meio da qual as informações farão a viagem do arquivo temporário rumo ao depósito duradouro. A ilustração na página 98 mostra graficamente esse processo.

     O estudo alemão reforça a teoria do sono como fator fundamental da boa memória. Uma nova leva de pesquisas fez avançar ainda mais o entendimento desse processo ao medir os efeitos do repouso sobre o desempenho das pessoas, submetendo-as em diversas fases do dia a testes intelectuais. Elas são unânimes em mostrar os danos à memória provocados por uma noite mal dormida e como tudo melhora depois de um bom período de descanso. Um grupo de pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, traduziu essa situação em números. O estudo de Harvard, apresentado no último congresso da Academia Americana de Neurologia, é o mais abrangente sobre o assunto já feito com voluntários. Eles foram monitorados ao longo de seis meses. Ao cabo de oito horas seguidas de sono, os voluntários da pesquisa de Harvard lembravam, em média, 44% mais fatos aprendidos no dia anterior em comparação com aqueles privados de sono. "A relação entre sono e memória é de uma clareza geométrica", diz o pesquisador Jeffrey Ellenbogen, um dos autores do estudo. Uma segunda etapa da pesquisa americana investigou ainda em que medida o sono pode ajudar a atenuar certos problemas de aprendizado (veja quadro).(Quando o remédio é dormir-quadro no final da reportagem)

     Ao investigarem a memória durante o sono, os especialistas obtiveram ainda respostas sobre o processo de seleção de informações quando o cérebro está em estado de repouso noturno. Trava-se ali uma competição frenética entre as informações assimiladas. Apenas uma parte delas, afinal, fará a jornada rumo ao arquivo duradouro no neocórtex, cuja capacidade é limitada. Qual o critério de decisão para separar as informações valorosas o suficiente para ser guardadas daquelas descartáveis? A neurociência hoje pode responder com certeza a essa questão. A resposta é surpreendente. As informações absorvidas quando a pessoa está sob algum tipo de emoção forte são justamente aquelas aptas a conquistar, durante a noite, um lugar definitivo no cérebro. Por essa razão, as pessoas tendem a se lembrar em profusão de detalhes dos mais lindos momentos da vida, mas também dos mais desagradáveis. A emoção é a chave de entrada das informações no neocórtex. Quando em excesso, a emoção pode ter efeito diametralmente oposto. Razão pela qual as pessoas não se recordam de instantes finais de acidentes ou mesmo reprimem inconscientemente as lembranças de fatos aterrorizantes, como, por exemplo, testemunhar o assassinato da mãe pelo pai. Conclui o neurofisiologista Flávio Alóe, do Hospital das Clínicas de São Paulo: "O processo de esquecimento durante o sono é tão vital quanto o do armazenamento das informações. Sem ele, o cérebro entraria em colapso".

        Esse conjunto de conclusões sobre o sono derruba definitivamente a velha – e equivocada – teoria segundo a qual sua exclusiva contribuição ao aprendizado seria a de proporcionar ao cérebro um momento de descanso, ao protegê-lo das influências externas. Com o ocaso da antiga teoria surge uma nova, a da "inatividade" noturna como vital para o armazenamento das informações acumuladas no decorrer do dia. O fisiologista Alfred Loomis, da Universidade Princeton, foi o primeiro a descrever, em 1937, o cérebro noturno como um dínamo em atividade. Amparado pelo eletroencefalograma, então um exame revolucionário, Loomis flagrou uma intensa atividade elétrica noturna no cérebro de seus pacientes. Sua observação inicial mostrou o sono se desenvolvendo em fases, cada uma com uma freqüência elétrica diferente. Isso permitiria, mais tarde, distinguir as cinco etapas do sono. Apenas recentemente os cientistas começaram a fazer uso das conclusões de sete décadas atrás para entender melhor os caminhos do aprendizado e sua fixação na memória. As duas primeiras modalidades de memória a ter seus processos desvendados foram a motora (o drible de um jogador, o salto de um atleta) e a espacial (o projeto de um arquiteto). Os alemães ajudaram a colocar mais um tijolo no edifício ao rastrear os mecanismos de fixação da memória intelectual durante o sono.


O mapa acima foi criado por Ines Cozzo, ele foi baseado na reportagem da revista Veja. Link do mesmo: http://www.taiconsultoria.com.br/sites/arquivos/downloads/sonomemoriaeaprendizagem.jpeg 


      Outras pesquisas fizeram sintonia fina das descobertas anteriores. Elas centraram suas atenções nos períodos mais indicados ao trabalho mental (veja quadro). São dois, principalmente. Um deles, o da parte da manhã, ocorre mais ou menos duas horas depois do despertar. Nesse momento o corpo libera uma quantidade maior de hormônios estimuladores dos neurônios. O cérebro chega, então, ao auge de sua atividade – e permanece assim por mais quatro horas. Uma das descobertas mais recentes, feita por um grupo de pesquisadores da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, flagrou situação igualmente positiva cerca de doze horas depois do despertar, quando ocorre no cérebro a produção acelerada de um tipo de proteína cuja concentração estimula as conexões entre os neurônios. Foi possível observar justamente nesse momento – e nas três horas seguintes a ele – uma espécie de replay das informações aprendidas ao longo do dia, fenômeno batizado de "reverberação" pelos cientistas. Afirma um dos autores do trabalho, o neurocientista Iván Izquierdo, argentino radicado no Brasil: "Esse momento de replay é a hora mais favorável para fazer uma revisão de matéria aprendida em outros momentos do dia".


      Certos hábitos noturnos também têm influência – positiva ou negativa – sobre o aprendizado, e os cientistas já sabem como explicar isso. Para 90% das pessoas, o repouso ideal tem a duração de oito horas. É o tempo necessário para concluir cinco ciclos de sono – um padrão favorável tanto ao descanso como à memória. Há quem alcance o mesmo efeito antes disso, mas é uma minoria. Ainda segundo as pesquisas, o melhor sono para o aprendizado se encerra por volta das 6 da manhã. Por duas razões. Primeiro, porque o corpo está biologicamente "programado" para o repouso até essa hora. A temperatura do corpo está 1 grau Celsius mais baixa. O segundo motivo: quem acorda mais cedo consegue aproveitar todos os picos de aprendizado. Quem sai da cama por volta das 8 da manhã tem o período favorável à atividade intelectual reduzido em 20%. Há um certo consenso sobre a impossibilidade de compensar mais tarde o tempo de atividade máxima perdido pela manhã. Por volta das 9 da noite, o corpo começa a liberar hormônios indutores do sono e os neurônios de novo se preparam para as funções noturnas. Diz John Fontenele Araujo, do laboratório de cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: "Estudo depois dessa hora é sempre menos produtivo".

       Um novo e revolucionário capítulo sobre sono e aprendizado foi aberto pelas descobertas dos processos de aquisição e armazenamento de conhecimento. Para onde se caminha agora? A nova fronteira a ser quebrada é explicar a inter-relação entre os dados armazenados.

      Um recente estudo da Universidade Harvard vai exatamente nessa direção. Ele mostra os neurônios durante o sono fazendo conexões entre informações aparentemente díspares ou adquiridas em situações diferentes. "Isso explica o fato de muita gente acordar com a sensação de ter tido uma brilhante idéia enquanto dormia", disse a VEJA o neurocientista Robert Stickgold, coordenador da pesquisa. Muitas foram as soluções arquitetadas durante a noite por sábios da história. O químico russo Dmitri Mendeleiev (1834-1907) teve o clique decisivo para criar a tabela periódica dos elementos durante o sono. O canadense Frederick Banting (1891-1941), um dos agraciados com o Prêmio Nobel pela descoberta da insulina na década de 20, contou ter sonhado com a solução. O caso mais intrigante é o do alemão Friedrich Kekulé (1829-1896). Debruçado sobre os mistérios da química orgânica, ele saiu-se com a estrutura da molécula de benzeno depois de sonhar com a forma arredondada de uma cobra devorando a si mesma. À luz das novas descobertas talvez não seja assim tão inútil passar um terço da vida dormindo.

O SONO DOS GÊNIOS
A ciência do sono nem sequer existia quando alguns dos maiores gênios da história já intuíam que, de algum modo, o repouso tinha papel fundamental em seus inesgotáveis processos criativos. Cada um adotou uma rotina de descanso própria, por vezes excêntrica, em busca do sono perfeito. Três exemplos:

Time Life Pictures/Getty Images 

LEONARDO DA VINCI
(1452-1519)
O pintor da Mona Lisa e idealizador do princípio do vôo do helicóptero perseguia o descanso da mente com uma rotina incomum: trocava o sono noturno por cochilos de quinze minutos a cada duas horas
AFP
THOMAS A. EDISON 
(1847-1931)
O inventor da lâmpada mantinha um diário onde avaliava a qualidade do sono na noite anterior. Não queria perder tempo. Não passava mais de três horas na cama
AFP
ALBERT EINSTEIN 
(1879-1955)
Ele hibernava dez horas seguidas todas as noites, exceto quando estava às voltas com uma nova idéia. Nessas ocasiões, premiava-se com uma hora extra na cama

QUANDO O REMÉDIO É DORMIR
As pesquisas sobre os efeitos das mudanças de hábito noturno já têm aplicação terapêutica em diversos casos  
Problema: falta de concentração.
Quando é mais freqüente: na infância.
Como o sono pode ajudar: a mais abrangente pesquisa sobre o assunto, conduzida pelo Hospital Sacré Coeur, do Canadá, concluiu que o hábito de dormir dez horas seguidas reduz em 40% o risco de uma criança apresentar problemas de concentração. Para aquelas com dificuldade em dormir tanto, o estudo indica uma hora de atividades físicas diárias – cientificamente reconhecido como ótimo estimulante do sono infantil.  
Problema: dificuldade em resolver questões que envolvem raciocínio lógico.
Quando é mais freqüente: na adolescência.
Como o sono pode ajudar: promove um necessário momento de descanso aos neurônios. Um estudo da Universidade Harvard mostra que, quando alguém passa dezoito horas seguidas sem dormir, perde cerca de 30% da capacidade de resolver problemas que exigem raciocínios complexos. Por essa razão, o melhor é fazer uma pausa noturna e só retomar os estudos pela manhã. A pesquisa revela que o desempenho intelectual melhora depois disso.  
Problema: perda da capacidade de memória.
Quando é mais freqüente: a partir dos 60 anos.
Como o sono pode ajudar: uma das causas para a redução da memória nessa faixa etária é que o sono se torna mais leve e a fase REM – justamente durante a qual se consolida a memória de longo prazo – passa a durar 50% menos tempo. A saída, dizem os cientistas, é esticar o número de horas na cama. Aos 60 anos, as pessoas dormem, em média, cinco horas. O ideal para a memória seriam pelo menos oito.