sábado, 24 de agosto de 2013

O impacto das Grandes Teorias nas salas de aula

Mestre em Psicobiologia pela UFRN


      A ciência é uma atividade dinâmica que busca a verdade. Justamente por isso, a verdade de hoje pode se revelar antiquada ou inconclusiva amanhã. Com a idade moderna, teve início, sem precedentes uma revolução histórica do pensamento científico, marcada pela supervalorização da certeza absoluta, do que é objetivo e do poder do empirismo. Foi a partir do pensamento racional, centrado na Matemática cartesiana e na Física newtoniana, que a natureza foi reduzida a partes mensuráveis e observáveis. Consonante a este processo, houve uma ampliação significativa das escolas de nível primário e secundário e, por isso, essa visão do ensino logo se tornou corrente e dominante. Segundo este modelo, cabe aos estudantes decorar conceitos e estudar fenômeno com base nas partes. Dessa forma, a ciência é apresentada como uma verdade imutável e o conhecimento está fragmentado em áreas. As teorias são visitas como um coelho branco que o mágico tira pronto da sua cartola. Além disso, os erros são vistos como fracassos, não são valorizados em nenhum aspecto, sendo esquecidos e ignorados.
     Esta posição permaneceu intocada até o século passado, época do desenvolvimento de grandes teorias científica. O surgimento da Genética, da Ecologia e as ideias de Darwin sobre a evolução biológica, bem como as ideias de Einstein sobre a relatividade e da Física Quântica, deixaram claro que o estudo das partes é insuficiente; razão pela qual é necessário inter-relacionar diferentes formas de ver o mundo para poder construir um conhecimento do todo.
      Se por um lado, a Biologia proporcionou o vislumbro de um mundo provido de múltiplas conexões e um fluxo de energia em constante transformação, a Física, mas especificamente a quântica, subverteu a lógica objetiva newtoniana e desaguou o novo mundo das incertezas. O elo entre essas ideias nos impele a fazer uma releitura do mundo. A partir das inter-relações destas ideias foi possível modificar nossas velhas opiniões sobre a cognição, a origem dos seres vivos e o ambiente propriamente dito. O impacto dessas grandes teorias chega a passos ainda lentos, na sala de aula. Por exemplo, hoje não faz mais sentido discutir conhecimentos em disciplinas isoladas nem apenas informar os estudantes. A escola é o lugar mais adequado para fazer todos refletirem sobre o próprio avanço da ciência e o percurso feito pela humanidade, num processo que não termina. O aluno precisa compreender que o mérito de um cientista necessariamente não está ligado exclusivamente a sua intelectualidade, mas também à sua dedicação, perseverança, criatividade e entusiasmo pelo que faz. Logo, a escola e, por conseguinte, a sala de aula deve assumir uma nova postura: se comportar como um oásis cujo objetivo é conduzir os estudantes à reflexão sobre o que é ciência, bem como defender a possibilidade daquele buscar respostas por si mesmo e desenvolver novas formas de ler o mundo. Exatamente como Darwin, Einstein e outros ícones da ciência fizeram.


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