quarta-feira, 24 de julho de 2013

Neurociência no contexto escolar




    Na atualidade a neurociência tem sido a menina dos olhos de muitas pessoas. Todos querem compreender e aprender sobre este órgão chamado cérebro.  André Palmini em entrevista ao Programa Mãos e Mentes, menciona que cada vez mais o cérebro está sendo interessante: “De um órgão que as pessoas viam com uma reverência excessiva, e quase não fazendo parte do jargão do dia a dia, hoje, cada vez mais as pessoas comentam sobre doenças cerebrais, sobre mecanismos cerebrais, sobre o quanto de determinada pessoa é assim, o quanto se fala da questão de temperamento de cada um, porque a cabeça de determinada pessoa é assim, e a de outra é de outro modo... Tudo isso é a neurociência do imaginário do dia a dia das pessoas, de forma que esse é um assunto que permeia a sociedade, se acompanharmos as publicações leigas (jornais, revistas...) volta e meia eles trazem assuntos relacionados a este contexto, logo pesquisas sobre o funcionamento do cérebro é um assunto cada vez mais interrelacional.

   No âmbito educacional  Roberte Metring, além de enfatizar que as escolas deveriam preparar o ambiente de tal forma que se obtivesse o melhor aproveitamento do cérebro na aprendizagem, proporcionando assim atividades relaxantes, exercícios respiratórios a fim de evitar situações estressantes  também menciona que em todas suas palestras  pergunta: - Quem está na sala de aula? E ele diz que muitas são as respostas, mas raríssimas vezes alguém fala que o corpo do aluno e toda sua configuração psicobiologica está presente e quanto ao sistema nervoso, nunca houve uma só resposta sobre sua presença em uma sala de aula  até hoje. (METRING, 2011)

    Segundo Nicolelis (2011) em entrevista para o Jornal Diário Regional, “o neurocientista estuda como o cérebro aprende, esse diálogo com os educadores é fundamental, porque os educadores estão tentando ensinar cérebros.” 

    Em educação estamos em constantes mudanças, idas e vindas, o que deu certo em determinada época pode não fazer efeito no momento atual, entretanto com as descobertas das neurociências, não podemos mais levar na perspectiva de ensaio x erro, mas sim o que realmente pode ser eficaz dentro da educação. Nesse sentido  venho compartilhar as contribuições de neurocientista Edouard Gentaz, onde as crianças francesas já no ensino pré-escolar, aqui no Brasil, seria a Educação Infantil, utilizam-se de leitura sensorial, pois aprendem a ler com os dedos, ou seja,  além dos olhos e dos ouvidos, usam o sentido do tato (o trabalho do mesmo chega até a lembrar os antigos períodos preparatórios ofertados pelo “Pré-Primário” e o 1º ano de alfabetização que foram abolidos com a inserção de correntes teóricas da época). 

     Eles projetaram exercícios os quais as crianças com os olhos vendados tinham que tatear letras em relevo. O desempenho dos alunos que participaram desses treinamentos foram então comparados com os de outras crianças que receberam a formação tradicional. Resultado, aqueles que foram treinados no reconhecimento visual e tátil das letras tiveram uma melhor compreensão do princípio alfabético do que os outros. "Estes exercícios também facilitam o reconhecimento das letras espelho, porque o fato de traçar as letras com os dedos ajuda a diferenciar ", completa a psicóloga envolvida no processo.


    Apesar de ser um novo método, ele já vem evidenciando melhoras na forma de aprender, pois nesta idade o toque é um dos sentidos mais desenvolvidos. Conforme Edouard Gentaz: “O grande desafio para as crianças do ensino básico é compreender a relação entre a forma visual de uma letra, que é tratada pelo córtex visual, e os sons correspondentes, que são tratados pelas zonas auditivas. Para facilitar esta associação adicionamos a zona de toque. Desta forma, melhoramos a relação entre a forma visual da letra e o som correspondente.”
    Os professores que cursam a Neuropedagogia estão aprendendo a estimular novas zonas do cérebro e criar ligações, auxiliando as crianças no reconhecimento mais eficaz das palavras e procurando errar menos.


    Esta descoberta ajuda a explicar um problema comum enfrentado por crianças quando aprendem o alfabeto muitos deles confundem as letras consideradas "espelho" como "b" e "d". Esta abordagem "multissensorial" do alfabeto não é em si uma novidade: a educadora italiana Maria Montessori já recomendou no início do século XX. Mas Edouard Gentaz e seus colegas foram capazes de provar cientificamente a sua relevância para as crianças do jardim de infância.

   Além deste trabalho pautado na educação sensorial, existe todo outro trabalho feito com adolescentes procurando desenvolver o controle emocional, pois os neurocientistas comprovam que os  adolescentes são muito dominado pelas emoções. Então a pergunta é: - Como podem ser controlados? E a resposta veio no ato de surpreender os alunos para provocar uma ligação, a que os cientistas chamam de “emoção positiva”.

    Segundo Dominique Fargues, Professor de Física: “Colocamos um pequeno vídeo ou uma imagem, por vezes texto, que capta a sua atenção. Imediatamente eles têm uma emoção positiva e começam a ouvir a aula, é realmente interessante.  Depois, quando percebe-se que num determinado ponto estão distraídos, então, novamente, colocamos um outro vídeo e recriamos uma emoção positiva entre eles, que dura mais um determinado período de tempo.”

    Quando o cérebro sente uma emoção positiva, libera dopamina, conhecida como o hormônio do prazer que nos desperta o desejo de aprender. Por outro lado, se emoções negativas como o estresse ou medo se acumulam no sistema límbico, o cérebro bloqueia e a informação não circula em direção ao córtex pré-frontal: a casa da memória de longo prazo e da capacidade de pensar.

    Desta forma assustar ou intimidar os estudantes é contra produtivo. A Neuropedagogia utiliza técnicas de memorização mais eficazes. Por exemplo: Os alunos estudam  determinado texto“ O Vermelho e o Negro” de Stendhal e trabalham por associação de ideias, traçando um “mapa mental”.



   O objetivo é ligar o texto a imagens e memórias personalizadas, porque está provado que o cérebro cria conexões e se lembra da informação mais facilmente.
  Então fica a dica: - muita atividade multissensorial, vídeos para criar um estado emocional positivo  e "mapa mental" para criar associações de ideias

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