terça-feira, 19 de março de 2013

Cérebro-máquina de aprender (parte 1)


   

    Iniciou a série Cérebro-Máquina de Aprender, apresentada pelo Jornal da Globo. A primeira parte desta série já abordou alguns tópicos importantes para o contexto educativo, os quais seguem algumas anotações e algumas dicas para a área educacional.
   Um dos tópicos que aguardava ver abordado aqui nesta reportagem era justamente a interface Neurociência X Educação, e este foi o tópico de abertura da série, onde mostrava a realidade de uma professora e os mecanismos de aprendizagem que a mesma utilizava, dois quais destaco três itens importantes: - Observar e acompanhar cada aluno; - Ensinar brincando; - Utilizar-se de atividades que ativam várias áreas do cérebro.
   Outro tópico abordado foi a questão da estrutura cerebral, de como ele é formado, a conexão entre os neurônios, as sinapses. Sendo que aqui se comparou o cérebro com o trabalho de um escultor, onde nascemos com bilhões de neurônios, mas ao longo da vida, nosso cérebro vai “esculpindo” e aprimorando determinadas regiões conforme as que mais utilizamos.

    O neurocientista Nicolelis enfatizou que somente o fazer palavras cruzadas por si só, não aumenta nossas sinapses, é necessário estar sempre se desafiando, modificando nossas rotinas.
   E na questão aprendizagem, também foi dado o enfoque para os taxistas de Londres que apresentam grande desenvolvimento cognitivo, pois necessitam armazenar muitas informações e com isso aumentaram o seu hipocampo - região importante para a memória espacial - particularmente desenvolvida, muito mais que o resto das pessoas, pois a exercitavam mais, memorizando a cada dia ruas e caminhosSuas capacidades para memorizar não diminuía, mas aumentava com o passar dos anos.

“O cérebro muda de forma, segundo as áreas que mais utilizamos, conforme a atividade mental."  
     Porém, voltando ao enfoque Neurociência x Educação apresentado no início da reportagem ressalto que em poucas palavras foi abordado muitas coisas: - Observar e acompanhar cada aluno, pois cada aluno tem seu modo de aprender, o que “funciona” para um pode não ser adequado para o outro, então o professor deve ser um constante observador e deveria ter o hábito de fazer registros de acompanhamento de seus alunos, pode ser por meio de anotações ou ficha de acompanhamento, onde nas mesmas estejam listadas objetivos que estão propostos para tal período e nela procura-se registrar o desenvolvimento de cada aluno.
Na hora de corrigir uma atividade, se verificou que o aluno costuma trocar determinada letra por tal letra, já faz a anotação e começa a pesquisar, que tipo de atividades podem ser realizadas para que esse aluno possa melhorar esta dificuldade.
- Ensinar brincando sempre – O conhecimento se consolida através do corpo. É inconcebível que um aluno passe por longos períodos somente realizando atividades que exigem “ o ouvido e a mão”. Pois quem já se deu o trabalho de passar por várias salas de aula, sabe que é mais fácil encontrar alunos sentados ouvindo o professor falar, ou então eles copiando ou fazendo alguma atividade em folhas fotocopiadas ou caderno. (obs.: não há nada errado nestas atividades, são muito importantes, mas desde que, essas não sejam as únicas ferramentas do professor). É preciso mesclar, brincar, muito material concreto, independente do ano em que se encontram, pois tudo o que nos arremete aos sentidos (tocar, sentir, ver, ouvir, falar) proporcionam melhor e mais rápida aprendizagem. E não importa a idade, o brincar, o lúdico, é essencial.
- Utilizar-se de atividades que ativam várias regiões do cérebro -  Observem a gravura do cérebro, que segundo o neurologista SILVA, está didaticamente dividido:

Imagem: Edson Lopes

      Cada região corresponde a determinadas partes que movimento em meu corpo, portanto o ideal é procurar dentro de um mesmo período escolar (manhã, tarde ou noite) proporcionar atividades que contemplem todas estas áreas, bem como proporcionar atividades em que o aluno possa  trabalhar em grupo e também individualmente.

     Recebo constantemente e-mail de pessoas interessadas em como conciliar a questão da inclusão dentro do ensino regular envolvendo os conhecimentos da neurociência, aí sempre coloco o que digo aos pais, o problema não é a inclusão, pois todos os alunos apresentam sua especificidade, tem dias em que todos estão agitados, mas a tendência das pessoas é somente olhar para aqueles que já apresentam algo que nos alerte para isso. O importante é ter discernimento, é ensinar aqueles que têm maiores facilidades de aprendizagem a serem seus coautores e irem orientando aos que necessitam de ajuda. Também evitar a linha de “coitadinho” e enxergar possibilidades, pois de certa forma assumimos aquilo que os outros nos dizem, se alguém escuta constantemente que fulano é especial e não pode fazer tal coisa, é lógico que fulano irá se posicionar neste sentido. TODOS SÃO ESPECIAIS, porém alguns apresentam maior facilidade em determinadas áreas, mas se nos ajudarmos com certeza tudo flui melhor, é isso que acredito e isso que procuro enfatizar aos alunos.



    Outro enfoque é que temos a estrutura de uma aula linear, onde todos fazem a mesma coisa, num determinada tempo. Mas existe a possibilidade de fazer combinações com os alunos, onde durante a semana, a professora faz alguma atividade diferente com determinado grupo de alunos contemplando suas necessidades, enquanto outros executam outra atividade, porém todos precisam ser contemplados para este momento mais individual, mesmo que não tenham nenhuma dificuldade especifica.
   Na verdade, a neurociência numa perspectiva educacional só vem confirmar o que Piaget, Wallon, Vygotsky e tantos outros já nos ensinaram, entretanto o ar de todo encantamento (o trabalhar as emoções) é internalizar Rubem Alves. É praticar a amorosidade naquilo que se faz. É fazer a “fruição da aprendizagem”.  Fazer com que os alunos tenham prazer em se tornarem inteligentes, pois Alves, em algumas de suas entrevistas, faz esta analogia:
“... realmente a inteligência se parece muito com o pênis, porque o pênis é um órgão de duas funções, tem uma função excretora, ridícula e está lá, flácido, mas se ele for excitado por alguma coisa, então transformações hidráulicas fantásticas acontecem, e ele tem a possibilidade de ter prazer e de dar vida!  E assim é a inteligência. Muitas crianças estão com a inteligência adormecida, quietinha, flácida. E dizem: “Burrinho!” Burrinho nada! Burrinho porque a inteligência e a criança ainda não foram provocadas, portanto a inteligência não teve a sua ereção. Eu acho que a função fundamental do professor é provocar a ereção da inteligência dos alunos. E quando a gente faz isso...”
Fonte: Jornal Globo

Um comentário:

  1. Excelente a série da Globo, Cérebro a Máquina de Aprender. Seria interessante e benéfico para o povo que houvesse uma campanha educacional de como aproveitar o grande potencial do cérebro humano, utilizando o avanço da neurociência. Muitos mitos, fantasias e crenças seriam desmistificados.

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