domingo, 30 de dezembro de 2012

Várias Inteligências


Experimentos mostram que não há uma medida única da capacidade mental
Cientistas de universidades canadenses mostraram que os diferentes tipos de inteligência humana estão relacionados a diferentes circuitos de neurônios no cérebro.
Como as inteligências variam de acordo com os hábitos e características das pessoas:
Jogos de computador: Jogadores frequentes de videogame apresentam melhor desempenho em atividades envolvendo raciocínio lógico e memória de curto prazo que os não frequentes. A diferença entre os dois grupos nas habilidades verbais foi irrelevante.
Nível de escolaridade: A diferença entre pessoas com pouca escolaridade e com superior completo foi alta nas habilidades verbais, média na memória de curto prazo e irrelevante nas tarefas de raciocínio.
Nível de ansiedade: A diferença entre pessoas que declararam não ter ansiedade e as que disseram foi relevante nas atividades envolvendo memória de curto prazo e desprezível naquelas envolvendo raciocínio.
Imagem: Folha de São Paulo

Você é tímido?

Diante a timidez, o hipotálamo aciona o sistema nervoso que por sua vez, desencadeia os sintomas fisiológicos da timidez onde acontecem tremores, aumento dos batimentos cardíacos e tensão muscular entre outros.


Ficar tímido diante de uma plateia ou em algum lugar que você quase não conhece ninguém pode acontecer com quase todo mundo, mas tem gente que morre de vergonha até de dar bom dia na rua ou olhar nos olhos de alguém.

   Numa pesquisa recente nos EUA 50% das pessoas disseram ser cronicamente tímidas e sintomas da  timidez pode aparecer na infância e se mantém em 75% dos casos, quando a timidez evolui para um sentimento extremo passa a se chamar fobia social. A fobia social afeta  entre 10 e 15 % de toda população mundial. O tímido e fóbico social tem em comum a depressão e o abuso de substancias químicas.
   Ao falar em público, por exemplo, a mente do tímido informa que ele está exposto a um perigo real, o hipotálamo aciona o sistema nervoso que por sua vez, desencadeia os sintomas fisiológicos da timidez onde acontecem tremores, aumento dos batimentos cardíacos e tensão muscular entre outros. A pessoa tímida então, desconfortável acaba evitando a situação de socialização. Isso pode gerar o isolamento atrapalhando a vida social, profissional e até amorosa da pessoa. O tímido pensa demais no que os outros estão pensando.
   Segundo ECHEBURÚA (1997), o início deste problema ocorre entre os 15 e 20 anos e pode, inicialmente, ser progressiva, caracterizando-se por timidez na infância e isolamento na adolescência, ou ainda, se ocorrer de modo repentino, iniciar-se-á após uma experiência traumática e se estabilizará na etapa média da vida.

Alguns sinais da timidez:
- Sinais corporais (geralmente as pessoas não prestam tanta atenção, mas os tímidos acham que todos estão percebendo): movimentos nervosos com as mãos, mãos geladas, não parar de movimentar-se com o corpo, batimento acelerado, boca seca.
Sinais comportamentais: dificuldade de olhar nos olhos e falar pouco. Falar muito, aceleradamente. Voz fraca, não abrir muito a boca para falar. Voz pouco modelada.
Sinais sentimentais: vergonha, medo, pensamentos (ninguém vai gostar de mim, faço tudo errado).

    Geralmente as  pessoas vão em  busca de ajuda quando estão na fase adulta, entretanto muitos sinais de timidez  podem ser  identificados na infância. As crianças tímidas têm geralmente mais dificuldade em fazer e em manter amizades porque carecem de habilidades sociais, o que contribui para se tornarem mais solitárias.
    Os pais podem se colocarem como perpetuadores deste problema quando fazem a “profecia auto realizadora” – quando ficam rotulando a criança de tímida, ou falam por ela quando alguém lhes faz uma pergunta.
     Muitas vezes, essa timidez em exagero e até mesmo a fobia social está ligada com o excesso de uma  percepção que a pessoa tem a cerca  de si mesma. Ela fica ligada a tudo que esta acontecendo com relação à  ela,  acha que todo mundo está cuidando dela, que todo mundo percebeu que esqueceu o que ela vai falar, que todo  mundo está percebendo que ela gaguejou, e não necessariamente corresponde a realidade. 
    A abordagem da psicologia cognitiva diante de um problema da timidez, procura trabalhar em cima das forças pessoais, das competências que o sujeito possui  e as forças que a pessoa possui, e mostrar que determinadas competências  podem servir para ela lidar de forma mais positiva com a situação. Atrás destes sintomas, existe um grande vilão que é a ansiedade; E, quando a gente está ansioso, estressado, todo o organismo  começa a funcionar num ritmo mais elevado, fica mais rápido, a respiração mais acelerada, o batimento cardíaco, a pressão arterial, então, através do treino da respiração você força que estes indicadores se amenizem, se estabilizem. A timidez pode ser superada por meio de uma psicoterapia, combatendo as crenças que estão gerando aquela dificuldade.

Referências Bibliográficas:

SOUZA, Beatriz de Paula. MORAIS, Maria de Lima. Saúde e educação: muito prazer!: novos rumos no atendimento a queixa escolar. São Paulo: Casa do psicólogo, 2000.
SANTOS. Cláudio Maciel. ZUSE, Adélia Juracy. Timidez um mal que atua em silêncio. Disponível online em http://sites.unifra.br/Portals/36/CHUMANAS/2001/timidez.pdf

sábado, 29 de dezembro de 2012

Nicolelis no programa Provocações


Miguel Nicolelis saiu do Brasil e foi dirigir o Centro de Neurociências da Universidade de Duke, no estado americano da Carolina do Norte, e virou uma referencia mundial na pesquisa das interfaces entre cérebros e computadores. A revista americana Science (com 130 anos de existência) fez uma matéria de capa sobre o trabalho dele, coisa que nem Santos Dumont, Vidal Brasil ou Carlos Chagas tiveram antes, aliás, brasileiro nenhum teve antes. E hoje onde está esse senhor? Está em Natal, Rio Grande do Norte, trabalhando para mudar cabeça da pesquisa e da universidade do Brasil.

Abujamra- Como se vai da capa da Science para a periferia de Natal?
Miguel Nicolelis- Com muito prazer e com muita felicidade, pois a ciência está em torno de nós, em todos lugares. A demonstração que se pode fazer ciência de ponta; e que se pode usar a ciência como um agente transformador da realidade social da periferia de uma grande cidade do mundo é a demonstração que devemos olhar para a ciência de um modo diferente. Então para mim é de grande privilégio poder usar esta tese.

Abujamra - Por que Natal e não Porto Velho ou a favela de Ilópolis?
Miguel Nicolelis- A ideia é que a produção de conhecimento de ponta pode ser descentralizado no Brasil. Ele não precisava ocorrer somente cidade de São Paulo que detém 70% da ciência do país. O talento científico quanto o talento artístico existe onde estiver mais de um ser humano, ou um ser humano que está pensando. Temos ao mesmo tempo, uma das grandes  belezas do país rodeada pelos piores índices de desenvolvimento humano, coisas que a agente não acredita que existe no Brasil, que é outro Brasil, um Brasil que não conhecia. Se a gente conseguir fazer algo lá, acontece em qualquer lugar do país...

Abujamra - O Rio Grande do Norte sabe que você está lá?
Miguel Nicolelis- Uma parcela do Rio Grande do Norte sabe que estamos lá. As famílias tem total noção do que está acontecendo lá. Elas estão testemunhando este voo (metáfora de santos Dumont) de ousadia que seus filhos estão dando, usando a ciência como seu agente de protagonismo educacional. Tanto as mães, os pais, a localidade da Macaíba (que fica na periferia de Natal) eles estão vendo esta pequena revolução tomando forma.

Abujamra - O que é, no que deu e no que ainda vai dar a sua pesquisa?
Miguel Nicolelis- A ideia de tentar entender como os circuitos do cérebro, que são formados por estas redes de neurônios, de células cerebrais, como eles produzem todos os comportamentos que fazem a gente ser o que é.

Abujamra - Você pretende libertar o cérebro do corpo? Isso não é um pouco metafísico?
Miguel Nicolelis- Esse domínio era um pouco ficção científica. O corpo para o cérebro, nada mais é do que um invólucro que ele usa, para exercer seu desejo voluntário de interagir com o mundo, interagir com outros membros da espécie, ele é um modelo que o cérebro cria, apesar de cultuarmos tanto o corpo, na realidade ele é simplesmente um modelo, que pode ser alterado rapidamente. E o que descobrimos agora é que o processo evolutivo concedeu ao cérebro a capacidade de exercer, dada um forma de mandar os sinais elétricos, fora do cérebro . Ele pode se interfaciar com outras ferramentas que curiosamente ele mesmo criou. Tudo o que criamos vem do cérebro.

Abujamra - Em muito menos de 30 anos vamos ter nossa presença a distância, isso não é um seriado de televisão?
Miguel Nicolelis- Do tempo de vista teórico, na neurociência é possível prever que nós possamos atuar simplesmente pensando no que nós  queremos realizar,  do ponto de vista motor, à distancia. Nós já temos estudos publicados demonstrando isso. Ano passado fizemos uma macaca andar na costa leste dos EUA e comandar em tempo real um robô no Japão, que andava de acordo as instruções que vinham do cérebro da macaca e mandava sinais de volta para este cérebro, mostrando quão bem  essa locomoção estava se realizando no outro lado do mundo. Essa presença a distância já acorreu. Já houve a libertação do cérebro.

Abjumra - Quer dizer que vamos poder visitar outro planeta sem sair de casa?
Miguel Nicolelis - Eu chamaria isso de poesia porque é a Neurociência conjugada com uma série de tecnologia permitindo que o cérebro humano expresse essa condição humana, sem limites espaciais ou temporais. Isso para mim é muito poético.

Abujamra- E o que virá após isso?
Miguel Nicolelis - Vai ser uma existência muito diferente da nossa. A nossa é muito egocêntrica, muito gotistica, centrada no self, do eu. Talvez isso, contrário do que todo mundo diz. Todo mundo tem medo da tecnologia, eu acredito que esse seja o único caminho que nos sobrou para entender os outros, entender a condição humana de forma geral, pois vamos interagir com outros seres humanos de maneira mais completa.

Abujamra -  Será que temos medo da tecnologia ou somos apaixonadas pela tecnologia?
Miguel Nicolelis- Somos viciados na tecnologia, mas temos um temor muito grande, pois não conseguimos entender como essa tecnologia surge.

Abujamra -  O que tem dentro da sua cabeça?
Miguel Nicolelis - Cresci aqui em São Paulo com o desejo de criar algo. Fui da geração que não teve a chance de interagir com o Brasil, quando estava aqui. Essa minha tentativa de retorno ao Brasil é para realizar algo que acho que deveria ter feito há 25 anos atrás.

Abujamra -Os cientistas do primeiro mundo sabem da existência de vida  pensante por aqui?
Miguel Nicolelis - Sim, sabem. A ciência é uma das únicas das atividades humanas que se globalizou antes de qualquer coisa. A ciência brasileira era conhecida, o problema é que os canais de comunicação foram interrompidos, durante muito tempo. O intercambio era muito pequeno. O Brasil não era visto como fonte de cientista de primeiro plano, por exemplo, para a ciência de ponta. Tivemos várias diásporas (as dos anos 50, e também uma depois do golpe). Tem pessoas que não eram somente grandes cientistas, mas grandes seres humanos, que poderiam ter contribuindo muito pra nós. E nós tivemos a diáspora,  que eu sou parte dela, do final dos anos 80, quase 90, onde a ciência brasileira quase colapsou.

Abujamra - Qual a diferença da menor universidade de lá e a maior daqui?
Miguel Nicolelis - A maior diferença é o jeito de encarar a ciência. Não existe um corporativismo, não existe uma tentativa de homogeneizar todo mundo. Todo mundo tem que melhorar pelo seu próprio talento. Apesar que aqui no Brasil já melhorou muito, mas na época que eu era aluno existia uma hierarquia muito grande, onde quem era o chefe ditava a filosofia do lugar. Se o cara era medíocre, os que vinham abaixo dele tinham que ser medíocres.

Abujamra - Quem financia sua pesquisa americana, o pentágono?
Miguel Nicolelis - Eu tive um financiamento muito bom do departamento de defesa para a reabilitação de pacientes com lesões de medula espinhal. Este projeto foi o maior da história da neurociência americana, ele terminou, conseguimos realizar o que foi necessário, hoje existem várias terapias  de reabilitação que estão sendo estabelecidas para soldados veteranos e outros pacientes. Hoje, nós somos financiados pelo Departamento de Saúde Pública do Governo americano e por fundações do mundo todo.

Abujamra -Se um dia dos americanos invadirem o país só com robôs movidos a distância?
­ Miguel Nicolelis - A lógica disso poder funcionar iria demorar muito tempo, isso é ficção científica.

Abujamra -Ciência e Burocracia. O divórcio é possível?
Miguel Nicolelis - Aconteceu em vários países, ele é totalmente possível. Esse matrimônio tem que ser dissolvido, por qualquer via judicial que existe, pois aqui no Brasil é difícil receber doações. Existe instituto do mundo inteiro querendo doar milhões de dólares, eles estão tão fascinados com o que está acontecendo e estamos procurando uma via legal para receber isso, sem levar muito tempo de receber isso.

Abujamra - Isso não seria uma conversa direta com o presidente da república?
Miguel Nicolelis - Já estamos levando para o governo porque são coisas astronômicas, coisas que vão mudar, fazer a diferença quântica na produção de ciência do país.

Abujamra- Como você vê a educação nesse seu pobre país?
Miguel Nicolelis - A educação está só agora fazendo parte da agenda, do nosso projeto de nação. O Brasil teve grandes projetos de poder, só recentemente caímos em si que sem educação de grande qualidade, estamos traindo não somente os que estão aqui, como os que estão para nascer. 

Abujamra- A gente só vê piorar?
Miguel Nicolelis -Tem certas coisas melhorando. Tem certas ações, recentemente, do MEC que estão nos deixando entusiasmados.
Uma geração de visão estratégica de longo prazo (20 anos) mudará o país.

Abujamra - Como podemos mudar a universidade?
Miguel Nicolelis - A universidade brasileira tem que ser invadida pela população brasileira e ela tem que retornar a sociedade brasileira uma justificativa que seja convincente para um investimento tão necessário em pesquisa básica, pesquisa aplicada, educação de ponta, nós temos que transformar esta universidade num modelo novo e não é seguir os demais modelos (americano, japonês) mas sim, descobrir seu modelo. Uma universidade dos trópicos.

Abujamra - Você é daqueles que implicam pelo Brasil ser governado por um simples torneiro mecânico?
Miguel Nicolelis - Não, eu chorei de emoção quando isso aconteceu. Isso que me fez voltar ao Brasil, pois senti que esse era o momento. A democracia brasileira conseguiu dar esta demonstração, pro o mundo inteiro, pois por onde eu vou no mundo, o que ouço é isso. Acho que esse foi um dos grandes fatos históricos da democratização do Brasil.   Foi uma coisa emocionante.  O Brasil hoje está numa posição invejável. O que pecamos é não reconhecer nossas falhas. É uma questão cultural, é muito importante que se olhe de frente para o Brasil e vejamos que falta muita coisa.

Abujamra - Pra ciência Deus existe?
Miguel Nicolelis - Pra ciências a ciência existe. Deus não é necessário para a ciência. Espero que um dia os neurocientista possam oferecer uma alternativa...

Abujamra - Milagres existem?
Miguel Nicolelis-Se uma certa outra atividade humana, não tivesse monopolizado o uso da palavra milagre, a ciência deveria  ter direito de usá-la. Por que existem certas coisas que são descobertas, que se provam milagrosamente, que a probabilidade de isso acontecer é tão raro que a única palavra que se pode utilizar seria milagre.

Abujamra - Para nós artistas: o sucesso e o fracasso são iguais os dois são impostores, pra ciência não?
Miguel Nicolelis -O cientista só tem uma coisa que é dele, é a reputação e uma vez que isso é perdido é muito difícil de recuperar.

Abujamra - A morte é terrível?
Miguel Nicolelis -A morte não é bem aceita, o nosso cérebro não aceita o final da história  de uma forma boa.

Abujamra - E a neurociência pode mexer no cérebro em relação à morte?
Miguel Nicolelis -Não, a neurociência na realidade desvendando quem nós somos de um ponto muito mecanicista Qual são os mecanismos que faz nos existir, pensar e viver ela talvez alivie o fim da história. Se nós assumíssemos que esta história tem um fim, nós viveríamos diferente, eu acredito. O futuro da medicina será bem diferente dessas que a gente vê, a medicina terminal. Nós estamos chegando num ponto de estamos perdendo a dignidade de morrer.

Abujamra - A velhice já é um contato com a morte?
Miguel Nicolelis -Este contato pode ser transformado, pode ser alterado.

Abujamra - Você seria capaz de olhar pra dentro de você mesmo sem susto?
Miguel Nicolelis -Não, todos nós olhamos para dentro de nós com sustos.

“ Existem muitas coisas que eu gostaria de fazer e acho que muitas pessoas  que conheço  e que também não puderam fazer ainda pelo Brasil, então esse é o momento de criar um país que sempre sonhamos e não tivemos ainda.”

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Previna-se contra o Parkinson…”compre uma bicicleta”



O ato de pedalar pode contribuir para atenuar os sintomas da doença de Parkinson, que provocam tremores e uma gradual perda de mobilidade.

A investigação desta relação começou graças a um acaso quando Jay Alberts (cientista do Cleveland Clinic Lerner Research Institute, no Ohio, EUA)  responsável pela pesquisa, participou numa corrida solidária de bicicleta pelo estado de Iowa para chamar a atenção da comunidade para a doença de Parkinson. Alberts explica que nessa corrida participou uma paciente que, ao acompanhar o seu ritmo acelerado, registou, no final da prova, melhorias nos sintomas.

No grupo que pedalou com mais velocidade verificou-se uma melhoria nas regiões do cérebro que estão associadas ao movimento e mobilidade, comprovando que pedalar com mais velocidade produz efeitos positivos no cérebro e pode constituir-se "como uma terapia de baixo custo para a doença de Parkinson".

Agora os cientistas estão a tentar perceber se outras formas de exercício têm os mesmos efeitos no cérebro e se os pacientes de Parkinson podem, de forma segura, utilizar equipamento para pedalar como um tratamento complementar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Neuroeducação

   

  A mesma frase, porém com outras palavras já havia sido dita por um neurocientista: "Educadores ensinam cérebros, então deveriam saber tudo sobre o mesmo". 
    Concordo plenamente, e antes que falem sobre a questão de recursos para estudar, tempo e outros comentários que nada mais servem do que amenizar nosso descaso com o assunto, devo lembrar que estamos mais conectados do que nunca. Se não há condições de acessar internet, visite bibliotecas...mas vá em busca de conhecimento.
   Se cada um aproveitar seu tempo para ler 1 artigo que fosse por dia, com certeza ao final do ano seriam 365 artigos. Seriam 365 oportunidades de aprendizagem, além de inúmeros sites que promovem debates, estudos de casos sobre assuntos relacionados ao desenvolvimento cerebral.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Beba água...

Principalmente neste verão, beba bastante água. Ela faz com que o organismo fique mais equilibrado, mais resistente, funcionando melhor em todas as suas áreas, e também contribui para a cura de qualquer problema de saúde existente.


domingo, 23 de dezembro de 2012

Alguns efeitos do álcool no cérebro...




Córtex cerebral: nessa região, onde se dá o processamento de pensamentos e a consciência, o álcool afeta os centros de inibição de comportamento, tornando a pessoa menos inibida, e atrasando o processamento de informações dos olhos, ouvidos, boca e outros sentidos, além das funções cognitivas - tornando difícil pensar claramente.

Cerebelo: o álcool afeta o centro dos movimentos e do equilíbrio, resultando no desequilíbrio.

Hipotálamo e hipófise: coordenam as funções automáticas do cérebro e a liberação de hormônios. O álcool deprime os centros nervosos do hipotálamo, que controla os estímulos e a performance sexual. Embora o desejo sexual possa aumentar, a performance sexual piora.

A curto prazo, o álcool pode causar brancos ou lapsos de memória. A longo prazo, os problemas podem ser ainda mais sérios.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Quem carregaria batatas podres consigo?


   Ana Lúcia Henneman-Dez/2012

   Uma das melhores maneiras de educar é através de exemplos, de vivências, como diz Delors (1999) aprender a fazer, a conhecer, a ser e a viver juntos. O lúdico encanta a criança e através dele ela compreende a realidade em que vive. Entretanto, há muito adulto que também precisa deste artifício para se perceber como sujeito de interação com o mundo.
    Dentro de nós somos capazes de carregar sentimentos que não percebemos o quanto de mal nos causam. Lembra-se de alguma situação em que foi injustiçado, vitimado, por que relembrá-la? “SENTImentizá-la”(isso mesmo, entendeu, SENTIR e MENTALIZAR)?  Mas, no entanto somos adultos, temos a capacidade de refletir sobre o assunto, fazer uma verdadeira “limpeza neural”, entender o porquê de querermos ou não compactuar com tal situação...
    Uma maneira lúdica de entender o assunto é esta história aqui:
    Certa vez um professor convidou as crianças a jogarem “um jogo diferente”, uma experiência científica...
   Colocou no meio da sala um saco cheio de batatas e a cada uma deu um saco plástico. Então perguntou a elas se tinha alguém de quem não gostassem, que detestavam. Em seguida, pediu para que cada uma colocasse em seu saco, tantas batatas quantas fossem as pessoas de quem não gostassem.

   Algumas colocaram 2 batatas, outras 3 batatas, mas também haviam as que colocaram 5 batatas. O professor combinou que deveriam carregar o saco plástico com as batatas por todos os lugares do colégio (até mesmo para ir ao banheiro), isso, durante 1 semana.
   Os dias foram passando e as crianças começaram a queixar-se devido o cheiro desagradável que havia nas batatas podres. O ruim mesmo era durante os momentos de diversão, pois tinham que brincar segurando aquele saco indesejável. Além disso, aquelas que tinham 5 batatas também tinham que carregar sacos mais pesados. Depois de 1 semana, as crianças foram aliviadas porque o jogo tinha finalmente terminado...
   O professor perguntou: "Como se sentiu carregando as batatas com você por 1 semana?". As crianças falaram de suas frustrações e começaram a queixar-se dos problemas que eles tiveram que passar por ter que carregar as batatas pesadas e fedorentas, onde quer que estivessem.
   Em seguida, o professor disse-lhes o significado oculto por trás do jogo: "Isto é exatamente o que acontece quando você carrega o seu ódio por alguém ou por alguma situação, dentro do seu coração. No início, passará despercebido, mas dia após dia o odor contaminará seu coração e se fará presente onde quer que vá. Se você não pode tolerar o cheiro de batata podre por apenas 1 semana, pode imaginar como é ter o odor do ódio em seu coração por um bom tempo de sua vida???"
  Pense com carinho: Liberte-se de sensações negativas que possa ter por alguém, ou até mesmo de alguma situação, pois o odor com o tempo vai se tornando insuportável e não terá como escondê-lo de si e nem dos demais. Os momentos de diversão não serão tão agradáveis quanto os dos outros, mas a escolha foi sua, foi você que resolveu segurar o saco de batatas podres.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Engate a marcha, já!

Ana Lúcia Hennemann- Dez/2012

    Para alguns final de ano é sinônimo de estagnação. De ficar em “ponto morto”. Sem ânimo para prosseguir, parado, estagnado. Lógico é possível percorrer alguns km em ponto morto, mas é como curtir a vida sem sal, sem sabor, sem tempero. É ficar dentro de um lago e ver tudo de modo meio turvo. Ver as pessoas andarem, sonharem, buscando seus ideais, mas quem está em ponto morto só olha.. sem contemplar, vê... sem enxergar...não vive sua vida, apenas está na vida.
    E o que dizer de quem vive em marcha ré, prendendo-se às lembranças de épocas que não voltam mais, pessoas que já se foram, vidas que já viveram. Sentimentos que não lhes pertencem mais...E porque alimentar isso?
    Sempre há tempo de engatar a marcha, olhar para frente, seguir seu rumo, ter novas expectativas. Entretanto, esse é um momento que pertence a cada um, uma decisão somente sua, não depende de ninguém, brota de dentro de cada indivíduo. É aprender a esquecer tudo aquilo que faz mal, talvez não esquecer de seres humanos, mas de sentimentos que alguns  trazem...
   Engatar a marcha é sinônimo de olhar para frente, querer ultrapassar obstáculos, sentir-se regente de sua própria vida. Perceber que o dia renasce a cada dia, traz novas esperanças, novos horizontes a serem alcançados.
   Se pensarmos bem, o comando de marchas mostra que devemos seguir etapas, ir da primeira à quinta. Por isso, comece devagarinho, pense quais as primeiras marchas que podes alcançar, aos poucos vá alternando-as. Sonhe, estude, trabalhe, plante um jardim, busque outras perspectivas a cada dia. Sempre haverá novas coisas a fazer, conhecer e desfrutar.
   A vida é feita de etapas, então, engata a marcha e segue em frente, pois quanto mais cedo estiver em seu rumo, mais cedo chegará ao seu destino!


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cérebro confuso


CONSEGUE CONCENTRAR SUA VISÃO NA IMAGEM? SENTE ALGO ESTRANHO?

Nosso cérebro procura automaticamente reconhecer rostos e seus elementos principais e logo em seguida tenta processar a informação recebida.
No caso da imagem, ele tenta corrigir os problemas interpretados. Isso faz com que efeitos estranhos surjam na visualização...

Práticas Educativas - Reflexões


Camila Sbeghen
 Ana Lúcia Hennemann



1.            INTRODUÇÃO


Pensar e refletir sobre a educação são desafios constantes e intermináveis. O que antes tínhamos como certeza, talvez hoje já não o seja mais. O professor, durante longos anos ocupou o cenário principal da sala de aula, os alunos eram meros coadjuvantes.
Entretanto os anos mudam, as pessoas pensam diferente, a sociedade muda. Aquele que antes era o “poço” de sabedoria, já não consegue mais abarcar tamanha responsabilidade, os alunos em alguns momentos demonstram maior informação do que o professor, e aí aparecem os questionamentos. Que "tipo" de professores transitam por nossas escolas? Será que tudo realmente está mudando? Estamos diante de um mito educacional ou algum fato verídico?
Entender a caminhada educacional ao longo da história é transitar por diferentes teóricos e apropriar-se de seus conceitos educacionais. Perceber que estávamos em uma educação completamente tradicional, migramos para outra completamente oposta, onde o aluno que se apresenta como ator principal e nos últimos tempos estamos tentando “equilibrar a balança”, onde ambos exercem papéis de protagonistas e coadjuvantes, requer estudo e compreensão.
Portanto, o presente trabalho tem como objetivo refletir as diferentes abordagens educacionais e mostrar através de recortes de entrevista o contexto educacional em que se encontra um professor, procurando entender quais os mecanismos que ele se utiliza para sua práxis.


2.            REFLEXÕES PEDAGÓGICAS


A educação hoje é um desafio diário. Desafio por parte da escola em manter seus alunos presentes nas aulas, em disponibilizar recursos e estrutura mínima a sua aprendizagem e conforto. Desafio por parte dos professores em manter seus alunos interessados no conteúdo, em passá-lo da melhor forma possível e fazer com que o mesmo seja assimilado. E desafio por parte dos alunos em cumprir a sua função como aluno, como construto dessa aprendizagem, desse sistema integral que é disposto para a sua formação.
Para iniciarmos nosso diálogo precisamos ter em mente que devemos nos identificar e trabalhar com a linha de pensamento que acreditamos. Devemos ser coerentes com o que pensamos. E ao longo da construção do ensino / aprendizagem vários pensadores, filósofos, educadores expuseram suas ideias e trabalhos a favor da educação. Podemos citar neste momento Piaget, psicólogo, mas, um dos pensadores mais utilizados na educação. É o autor da psicologia que dá base para a pedagogia.  Seus ideais, conceitos são até hoje referencia na educação. O seu questionamento sempre foi saber como os homens construíam o seu próprio conhecimento. E para isso criava situações problemas para as crianças resolverem e verificava a capacidade de resolução dos mesmos e também quais eram as dificuldades dessa resolução, e se ela era resolvida.  Para Piaget o conhecimento é feito de dentro para fora, o conhecimento era construído. Para isso ele dividiu em fases o desenvolvimento (a inteligência) da criança, que são: estágio sensório motor (0 a 24 meses) – nesta fase a criança apresenta uma inteligência prática, em ação. Inteligência sim, por que para Piaget, a inteligência é anterior a fala, começa bem antes da aquisição da linguagem, e esse, também, foi uma das grandes contribuições de Piaget a futura educação.
O estágio pré-operatório (2 a 7 anos) corresponde à capacidade de representação da criança. É a partir deste momento que ela reconhece um objeto através de outro. Ocorrem neste momento, também, a introdução à linguagem e a moralidade.
No estágio operatório (7 anos em diante) a criança já tem a capacidade de ver a ação interiorizada e reversível. Ou seja, ela tem uma ação através de uma representação interior (pensamento) e sabe que ela pode ser modificada (reversível).
Piaget tem a base do seu trabalho, a sua epistemologia no construtivismo. Que segundo Becker (1994. p.88) o construtivismo significa:
...a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, como mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação, prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.

Já Vygotsky, ao contrário de Piaget acreditava que o conhecimento se dava de fora para dentro, que a intervenção pedagógica era essencial. Que o meio era responsável pela forma como as pessoas aprendiam.  Vygotsky se preocupava com a escola, com os professores, como era estabelecida essa dualidade. Para ele a relação entre o mundo e homem era mediada através de símbolos e signos, uma possibilidade de representação mental. A aprendizagem gera o desenvolvimento do sujeito, o sujeito só se desenvolve por que aprende.
Agora Wallon trouxe uma novidade. Algo que até então era ignorado, e que até hoje "respinga" nas salas de aula. Trouxe-nos a concepção de que as crianças têm corpo e emoções e não apenas cabeça em sala de aula. Mostra que as emoções têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa e que é por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e vontades.
E é a partir dessas reflexões, desses caminhos do conhecimento que traçamos o nosso ver sobre o dia a dia do professor em sala de aula. Como será que esta sendo a didática do professor hoje? Qual é o modelo que ele segue em sua sala de aula? Como ele esta transmitindo aos seus alunos o conteúdo proposto? Será que esta sendo eficiente? Será que há espaço para o saber do aluno? Ou será que somente o professor é dono da verdade? Essas são algumas das perguntas que nos fazemos e buscamos relativar. Como estão sendo propostas a educação, a aprendizagem nas escolas hoje, com todos os seus desafios e diretrizes do mundo moderno, da era digital?
Quando se falava em escola logo vem em mente uma imagem de uma sala de aula com classes uma atrás da outra, um quadro negro à frente e um professor na posição de onipotência, único detentor do conhecimento. Hoje, porém, sabemos que esse quadro pode e deve ser diferente. Sabemos da importância da construção conjunta do conhecimento, do aproveitamento que se tem da troca e interação entre alunos e professor e que como o conhecimento é construído paulatinamente e gradativamente todos são responsáveis pelo resultado da aprendizagem.
E foi dentro deste contexto que conseguimos perceber o professor que nos serviu de apoio nesta pesquisa. Através de seus relatos conseguimos perceber uma práxis completamente voltada à interação, a construção do saber e a busca de constantes aprendizagens. Alguém que aprende seus alunos e partilha os seus conhecimentos, fazendo todos autores de suas descobertas tornando a aprendizagem um processo coletivo.
Através de um recorte da entrevista, conseguimos fazer boas análises do modo de agir do professor, pois quando perguntado “O que teus alunos/alunas precisam para aprender o conteúdo de tua matéria?”, obtivemos a seguinte resposta:
“Interação com o professor, consigo e com os colegas. Algo que enfatizo muito é o respeito ao modo de aprendizagem de cada um, ou seja, que cada um tem seu tempo, se estamos numa escola é porque todos tem algo a ensinar e a aprender. Nesse sentido, creio que além da interação eles precisam saber respeitar-se como indivíduos e creio que também ter o desejo de aprender, desejo este que pode deve ser cultivado diariamente, pois se eu não desejo aprender é lógico que não aprendo.”
Através deste relato percebemos que os alunos podem trazer seus conhecimentos e que o erro faz parte do processo educativo. Vislumbramos uma educação completamente diferenciada da educação empirista, a qual nunca deixa de reproduzir o mito da caverna. Dentro desta reflexão, pensamos o que faz um professor ter tal metodologia, e nos deparamos com a questão do conhecimento, pois somente aquele que tem o saber é capaz de proporcionar o saber alheio, vinculando as palavras de Cortella (2008, 15) onde retrata que o educador necessita de constantes aperfeiçoamentos pedagógicos, para que dessa forma venha proporcionar a democratização do saber,
A formação do educador necessita abranger o elemento técnico de especialização em uma área do saber (e a capacitação contínua) e também a dimensão pedagógica da capacidade de ensinar; a discussão sobre tal dimensão envolve ainda temas mais amplos como a democratização da relação professor/aluno, a democratização da relação dos educadores entre si e com as instâncias dirigentes, a gestão democrática englobando as comunidades e por fim, com objetivo político/social mais equânime, a democratização do saber.


Também fazendo menção as palavras de Cortella (2008), onde ressalta a questão da democratização de saber, citamos outro recorte desta entrevista onde questionamos “Qual o papel do professor e qual o do aluno no processo de aprendizagem?” e recebemos a seguinte resposta:
 O papel de ambos é ser aprendente e ensinante ao mesmo tempo, porém cabe ao professor fazer o aluno se descobrir como alguém que também pode proporcionar conhecimentos. Em suma o professor é aquele que instiga o aluno a autodescobrir-se.
Diante destes poucos relatos acreditamos que nosso entrevistado esteja com sua práxis pautadas nas concepções de Vygotsky (Sócio-interacionismo) e Piaget (Construtivismo) onde a mente e o pensamento são construídos, através de situações “reais”, que são as da vida cotidiana e considera que o indivíduo agregue aprendizagem através de sua interação com os outros e partilha de seus conhecimentos, de seus problemas e de suas descobertas num processo coletivo.

3.            CONSIDERAÇÕES FINAIS


Iniciamos o trabalho enfatizando a importância do ato de refletir as ações educacionais, pois ter o entendimento do fazer pedagógico do professor é perceber de que forma o conhecimento está se estruturando no indivíduo chamado aluno. Essa reflexão não cabe somente ao contexto educativo, mas sim, a todos que estão envolvidos com o processo de “maturação” dos indivíduos, pois se o psicólogo, o psicopedagogo, não tem o mínimo de entendimento do processo de aprender, suas abordagens serão deficitárias, apresentarão lacunas.
Enfim, o importante é discernir entre o conhecimento e a informação, romper os mitos das cavernas e entender quando o mesmo está ou não sendo reproduzido no contexto educativo através da práxis do professor, pois segundo Cortella (2008, p. 102),
Quando um educador ou uma educadora nega (com ou sem intenção) aos alunos a compreensão das condições culturais, históricas e sociais de produção do Conhecimento, termina por reforçar a mitificação e a sensação de perplexidade, impotências e incapacidade cognitiva.

Perceber a forma do professor interagir com seus educandos faz com que tenhamos o entendimento de que modo a aprendizagem se dá, pois se ela não acontece na interação na troca, o aluno terá como único recurso de aprendizagem a memorização, e o preenchimento de cópias e mais cópias reprodutivistas. Futuramente poderá ser alguém que não se questiona, apenas aceita os fatos como eles se apresentam, seu mestre talvez não seja alguém fisicamente representado pela figura de um professor, mas terá como mestre, o círculo vicioso do capitalismo, do consumismo, de achar que no verão terá que usar cinza, pois é a tendência do momento, talvez o indivíduo nunca achou o cinza legal, mas se o professor está dizendo, porque ele vai duvidar?



 REFERÊNCIAS:


BECKER, Fernando. O que é construtivismo? Série Ideias n. 20, São Paulo: FDE, 1994. p. 87-93.
CORTELLA, Mario Sergio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo: Cortez, 2008.

PONTES, Ana Lúcia; REGO, Sérgio; SILVA JÚNIOR, Aluísio Gomes. Saber e Prática Docente na Transformação do Ensino Médico. IN: Revista Brasileira de Educação Médica. 30 (2), p. 66-75, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0100-55022006000200009&script=sci_arttext.

Você lembra tudo que aprendeu este ano?


FASES DE ARMAZENAMENTO E RECUPERAÇÃO DA MEMÓRIA

Existem três fases que o cérebro passa na formação e retenção de memórias.

AQUISIÇÃO
Novas informações entram em seu cérebro por meio dos neurônios sensoriais, que levam para uma área específica do cérebro (visão, audição, tato, olfato, gustação). O segredo para a codificação de informações em sua memória é a concentração, a menos que você esteja focado, a informação pode “entrar por um ouvido e sair pelo outro.”
Concentração, atenção e foco são todos sinônimos para um estado de abertura mental direcionada a informação que necessita ser gravada.
Raciocínio e compreensão estão ligados nesta etapa, visto que a informação sendo absorvida passa a ser codificada ou processada para ser gravada.

CONSOLIDAÇÃO
Se você está concentrado o bastante para processar a informação nova em seu cérebro, o hipocampo envia um sinal para armazenar as informações na forma de memória de longo prazo.
A consolidação depende de vários fatores. É mais fácil gravar uma informação que esteja encadeada com algo que você já saiba, com algo que você goste, com algo que estimule uma resposta emocional, dentre outros.

RECUPERAÇÃO
Quando você precisa recordar a informação, o cérebro tem que ativar o mesmo padrão de células nervosas que usou para armazená-la. Quanto maior a frequência que você precisa da mesma informação, mais fácil se torna de recuperá-la, pois a células nervosas e sinapses desenvolvem-se com o estímulo.


O estudo apresentado retrata a visão neurocientífica sobre a memória, mas dentro do âmbito educacional, Piaget, uma das grandes referências em processos de aprendizagem, já ressaltava que só existe aprendizagem quando há acomodação, ou seja, uma reestruturação da estrutura cognitiva do indivíduo, que resultaria em novos esquemas de assimilações. 
Nesse sentido o armazenamento e recuperação de memória, pautados nas investigações neurocientíficas, só vieram confirmar o que Piaget já havia pesquisado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cérebro e o tempo de cura após tragédias

APÓS A TRAGÉDIA, O CÉREBRO PRECISA TEMPO PARA SE CURAR 

   Deepak Chopra diz que o abraço é uma das maneiras de lidar com o estresse de uma grande tristeza.  
   O trauma cerebral provoca atividade anormal em pelo menos três áreas do cérebro. A amígdala, responsável pelas emoções, é excessivamente ativada. O hipocampo, responsável pela memória de curto prazo, começa a reciclar o evento traumático obsessivamente. O córtex pré-frontal, especialmente na área que media as emoções, torna-se mais fraco. 
  Sendo assim, você não consegue parar de reviver o evento traumático e sentir o seu impacto, enquanto a sua capacidade de superar as suas emoções for pequena. Um evento como o de Newtown cria sofrimento. Este poderia ser definido como a dor que faz a vida parecer sem sentido. Animais sofrem, naturalmente, e muitas vezes profundamente. Alguns, como o elefante, são capazes de luto pela morte de sua espécie, se um morre. Os seres humanos, no entanto, estão sujeitos a dor interna complexas que inclui medo, culpa, vergonha, raiva, dor e desesperança. 
 Chopra coloca que atrasamos a cura quando ficamos obcecados pelos detalhes da tragédia; o trauma perturba o equilíbrio do cérebro, mas se faz necessário tempo pra que ele se reequilibre; após fortes emoções, se faz necessário resistir às imagens negativas, procurando ficar em companhia de amigos, evitando acompanhar os noticiários, pois cada vez vão enfatizando fatos que trazem à lembrança do acontecimento.
 Fonte: www.cnn.com

O VIÉS OTIMISTA



“O otimismo começa com o que pode ser o mais extraordinário dos talentos humanos: a capacidade de imaginar-se no futuro.” Essa capacidade de imaginar um tempo e espaço diferentes é fundamental para nossa sobrevivência, pois nos permite planejar com antecedência, recursos para tempos de escassez, bem como suportar o trabalho diário em antecipação de uma futura recompensa. Para progredir, precisamos ser capazes de imaginar novas realidades e não somente a realidade presente, por isso o pensamento positivo é fundamental. Pessoas otimistas tendem a viver mais. Elas são mais saudáveis, porque ficam menos estressadas. E geralmente são mais propensas a tomar atitudes que as ajudem a se desenvolver e a seguir em frente. 
Tali Sharot - Neurocientista

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dicas de aprendizagem



Algumas dicas fundamentais advindas da pesquisa científica e que podem ajudar sobremaneira o professor na sala de aula:
Estímulos Multi-sensoriais: as pesquisas mostram que o aprendizado será mais eficaz e a recordação da informação mais fácil se mais sentidos forem estimulados.
Recompensas e motivação: como vimos acima a necessidade de uma recompensa imediata é característica das gerações atuais. Recompensas externas podem ser preocupantes no ambiente escolar mas a criatividade do professor pode encontrar formas de recompensar o aluno em sala de aula de forma a motivá-lo nas atividades e conquistar sua atenção. Algo como dedicar um intervalo da aula para piadas, canções, jingles, se a atenção e participação de todos foi adequada no momento combinado.
Memória: sem repetição a memorização não acontece, a rememoração falha, perde-se a informação, o tempo e a motivação. A quantidade de repetição vai depender da emoção envolvida na passagem da informação. Quanto mais emoção maior a chance da informação ficar cravada na memória dos seus alunos.
Conhecimento prévio: dificilmente vai haver aprendizagem se a informação nova não está contextualizada e conectada a conhecimentos que já existem no cérebro da criança.
Do concreto para o abstrato: o lobo frontal, sede do nosso pensamento abstrato, demora mais a se desenvolver, como vimos aqui isso se estende até a segunda década de vida. Dessa forma, parta de exemplos concretos para atingir ideações abstratas.
Práticas: quando uma informação é colocada em prática ela se torna patente em nosso cérebro. Mas certifique-se de que na prática a criança realmente entendeu, ela deve ser capaz de falar e escrever sobre um conceito que praticou.
Estórias ou histórias: elas ativam muitas áreas cerebrais, mexem conosco, com nossas emoções, memórias e ideias. Elas têm início, meio e fim, o que também estimula o desenvolvimento de habilidades de sequenciação e organização (córtex pré-frontal).
Computadores e outras tecnologias: muitos sentidos são estimulados quando os estudantes trabalham em grupos fazendo pesquisas no computador. O trabalho é bastante visual, auditivo e cinestésico, além de estimular habilidades sociais.
O cérebro procura por padrões: a informação é guardada em nosso cérebro através de padrões de reconhecimento. Daniel Pink (2005) ressalta que a era atual requer uma forma de pensar que inclua a capacidade de detectar padrões e criar algo novo. É fundamental que o Educador apresente a nova informação, auxilie o aluno a identificar o padrão, associar esse padrão a padrões já armazenados por ele em seu cérebro e aí seja capaz de criar novos padrões. Dois métodos principais funcionam muito bem para isso, um é o uso de organizadores gráficos como mapas mentais e diagramas de Venn, outro é através da organização da informação em blocos lógicos e contextualizados.
O estresse inibe a aprendizagem: numerosas evidências apontam para isso, sobretudo os efeitos do cortisol (hormônio do estresse) provocando a morte de neurônios no hipocampo (área da memória de longo prazo). Nesse sentido ofereça um ambiente de ensino seguro, confortável e acolhedor. Estabeleça rotinas, regras, objetivos e procedimentos padrão. Os rituais de sala de aula podem contribuir para reduzir o estresse.
O cérebro é um órgão social: a interação e desenvolvimento de habilidades sociais são fundamentais no processo de aprendizagem. Nossas crianças da era digital encontram-se talvez mais aptas a se relacionar através de um teclado do que com a fala, o olhar e o toque. É importante para elas desenvolver a linguagem não verbal, reconhecer sentimentos através da face e dos gestos, interagir com diferentes grupos sociais, aprender a escutar, expressar suas emoções e ser empática.
Arte e atividade física melhoram o desempenho intelectual: explore essas atividades o mais que puder.
Contrabalance tecnologia e criatividade, utilize música e muito, muito visual!
Se quiser saber mais acesse: Aprender Criança