sábado, 30 de junho de 2012

Minha paixão pela neuropsicopedagogia


Ana Lúcia Hennemann

     Minha paixão sempre foi trabalhar em contextos educacionais. Os educandos sempre nos trazem ânimo e vigor, estão sempre nos proporcionando momentos de aprendizagens.
     Quando acadêmica no Curso Normal Superior tive minhas primeiras cadeiras voltadas à Psicopedagogia. O encantamento pelo processo psicopedagógico, as vivências de algumas técnicas de intervenção, perceber que a inclusão é algo possível e viável me proporcionaram aberturas para novos horizontes, pois podemos fazer mais do que simplesmente aquilo que o contexto educativo nos apresenta.
     Logo após veio a Pós em Neuropsicopedagogia e tudo aquilo que aprendi na faculdade ganhou maior significado. O conhecimento das Neurociências despertou em mim o desejo de saber mais, estudar mais. Elencar novas prioridades em minha vida, entender que através de nossos estudos estamos colaborando para melhorar a qualidade de vida de outras pessoas. Entender as bases neurais do comportamento humano, ter conhecimento da neuroplasticidade, relacionar aprendizagem e cérebro são aspectos fascinantes que a Neuropsicopedagogia nos proporciona.
    Ser Neuropsicopedagogo é um compromisso sério e de muita responsabilidade, pois diariamente novos conhecimentos do cérebro vêm sendo apresentados, novos livros e técnicas de estimulação surgem em diversos contextos da educação. Precisamos estar em constante reciclagem, o fazer neuropsicopedagógico nos exige dedicação e constante atualização, mas se você se permite apaixonar-se pela Neuropsicopedagogia, ela te contagia e mesmo sem perceber já estará em busca do mais.




Psico Série A


PSICO é um livro de introdução à psicologia com características físicas de uma revista. Aborda os principais temas introdutórios de forma clara e agradável, pois traz diversos recursos que facilitam a aprendizagem: conceitos-chave nas margens das páginas, realces das partes importantes, boxes com dicas de filmes, curiosidades, etc. É ideal para que o estudante de hoje, mesmo quando não dispõe de muito tempo para estudar, consiga fixar o conteúdo rapidamente.
" A psicologia, com o livro PSICO, traz à realidade o que tem sido de mais esperado para a ciência: inovação! Trata-se de um material científico para uso didático que propicia a aprendizagem, com interesse e dinamicidade.” Silvia H. Koller (Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professora no Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.)
 Este livro além de trazer informações para a área da Psicologia contribui e muito para os Neuropsicopedagogos, Neuroeducadores, Neuropsicólogos...
Psico Série A
Autores: Tanya Renner; Joe Morrissey; Lynda Mae; Robert S. Feldman; Mike Majors
Editora McGrawHill
Ano:2012

Neuropsicopedagogia Clínica


Neuropsicopedagogia Clínica
Ana Lúcia Hennemann[1]

     A Neuropsicopedagogia Clínica, aos poucos vem conquistando espaço no território brasileiro surgindo como uma nova área do conhecimento e pesquisa na atuação interdisciplinar, abarcando conhecimentos neurocientíficos e tendo seu foco nos processos de ensino aprendizagem. Está pautada em atividades que avaliam e intervêm nos processos de aprendizagem procurando obter informações de todas as ciências que possam contribuir para formar o entendimento mais detalhado da aprendizagem de cada indivíduo.  Assim sendo, a Neuropsicopedagogia que "agrega conhecimentos da neurociência aplicada à educação, psicologia cognitiva e pedagogia" (SBNPp, 2016) realiza um trabalho de prevenção, pois avalia e auxilia nos processos didático-metodológicos e na dinâmica institucional para que ocorra um melhor processo de ensino-aprendizagem.    
A Neuropsicopedagogia, já era conhecida em alguns países tais como Espanha, Colômbia, México, sendo assim, o portal mexicano de Psicopedagogia, voltado para definições de conceitos a cerca das ciências, tendo como referência o Dr Alberto Montes de Oca Tamez (2006), PhD em Neurociência, define a Neuropsicopedagogia como:
... um exercício de trabalho interdisciplinar sobre o processamento de informações e modularidade da mente em termos de Neurociência Cognitiva, Psicologia, Pedagogia e Educação, que ocorre na formação multidisciplinar de profissionais voltados à área educacional. O neuropsicopedagogo deve ter amplo conhecimento dos diferentes modelos, teorias e métodos de avaliação, planejamento, currículo dos diferentes níveis de ensino. Além disso, deve ter amplo conhecimento da base neurobiológica do comportamento psico-educacional e da reabilitação neurocognitiva tanto em crianças, adolescentes, sujeitos idosos e pessoas com necessidades especiais. (tradução minha [2])

No mesmo ano que TAMEZ elabora esta definição de Neuropsicopedagogia, Suárez publicou um artigo intitulado “Desmitificación de La Neuropsicopedagogía”, sendo que o mesmo traz toda evolução histórica da Neuropsicopedagogia, constituindo-se assim um documento importante dentro dessa área de conhecimento. Suárez (2006 apud De La Peña 2005), no transcorrer de seu trabalho científico nos traz essa importante contribuição:
A Neuropsicopedagogia agrega os conhecimentos da Psicologia e Neuropsicologia, compreendendo o funcionamento dos processos mentais superiores (atenção, memória, função executiva,....) de explicações psicológicas e instruções pedagógicas tem como objetivo fornecer uma estrutura de conhecimento e de ação para a descrição completa: o tratamento, explicação e valorização do ensino - aprendizagem que ocorrem ao longo da vida do aluno, promovendo uma educação integral com impacto além da escola e o período de tempo e tipo de aprendizagem estabelecido como válido. (tradução minha [3])

No Brasil a Especialização em Neuropsicopedagogia é muito recente, mas em países tais como Espanha, através da Universidade de Girona, o curso de Mestre em Diagnóstico e Intervenção Neuropsicopedagógica irá para sua 14ª edição e em Barcelona ocorrerá a 5ª edição. Nestes dois municípios também constam o curso em Especialização em Neuropsicopedagogia Clínica na modalidade à distância.
Na Colômbia, através da Universidade de Manizales, desde 2007 já se tem notícias de especializações nesta área. Inclusive numa das páginas do site desta Universidade, a Neuropsicopedagogia é citada da seguinte maneira:
...um campo interdisciplinar de ação, em que as contribuições da Psicologia e Neuropsicologia permitem uma maior compreensão dos processos de ensino-aprendizagem proporcionando ao ser humano melhores condições educacionais e sociais. Partindo de uma reflexão conceitual particular, disciplinar, social e cultural no processo de aprendizagem escolar, exigindo uma abordagem que não pode ser concebida através da fragmentação do indivíduo, mas a partir da necessidade de análise crítica de fenômenos complexos que influenciam e afetam a capacidade de aprender e suas demandas clínicas e educacionais. A Neuropsicopedagogia está se tornando uma prioridade, através da integração de diferentes abordagens e colaboração de várias disciplinas que ampliam a compreensão e as estratégias de intervenção clínica e / ou educacional, obtendo assim respostas práticas, conceituais e metodológicas. (tradução minha [4])
 
 No Brasil, por volta do ano 2007, surgem relatos de um trabalho, a nível de mestrado, intitulado “A avaliação neuropsicopedagógica de crianças surdas: O estudo dos processos corticais simultâneos de sucessivos, visuo-motores e verbais, através de testes neuropsicológicos”. O presente trabalho promovido pelo Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Neurociências da Surdez do INES (NEUROLAB – INES) em parceria com o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) e com o NCE-LABASE-UFRJ apresentava várias linhas de pesquisa tendo como base o desenvolvimento de dez plataformas computadorizadas. A metodologia consistia em “um conjunto de mil jogos neuropsicopedagógicos e metacognitivos, construídos de acordo com um modelo lúdico isomórfico às funções mentais superiores e aos sistemas de processamento da consciência”, porém o objetivo era oferecer meios que facilitassem o desenvolvimento cognitivo-linguístico de crianças com deficiência, patologias ou atrasos no desenvolvimento, através da ludicidade e da informática. Este projeto na área tecnológica contribuiu e muito para o processo de inclusão utilizando dos conhecimentos neurocientíficos, sendo que uma das colaboradoras do projeto menciona a Neuropsicopedagogia como uma área que:
...estuda a interação entre o cérebro, a mente e o aprendizado, possibilitando, através de métodos rigorosamente científicos, o planejamento de intervenções precisas que promovam o desenvolvimento de sujeitos epistêmicos. (MARQUES, 2008, p.11)

Em entrevista para a Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPb, através de Racy e Vieira (s.d.), Dr Marco Tomanick  Mercadante[5],  contextualiza a Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Um campo do conhecimento que procura reunir os avanços advindos das neurociências com a psicopedagogia. Assim, o profissional com essa perspectiva deve ter conhecimento amplo das bases neurobiológicas do aprendizado, do comportamento e das emoções, e dominar os elementos clássicos da psicopedagogia. Além disso, uma coerência epistemológica que garanta uma adequada articulação dessas áreas dispares do conhecimento é fundamental para a atuação na área.
 
Em 2009, percebendo a necessidade de um curso que resgatasse as interfaces do cérebro e do desenvolvimento humano, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, apresenta como curso de extensão, na condição de Educação à Distância, o curso “Desenvolvimento Neuropsicopedagógico: Contribuições das Neurociências para a Educação”.  Para referido evento, consta na apresentação do curso o conceito de Neuropsicopedagogia, entendida como:
...contribuições da neurociência no processo de ensino e aprendizagem, como uma possibilidade de aproximar as descobertas sobre as funções cerebrais que interferem na cognição e como podemos explorar determinadas características do funcionamento cerebral em diferentes contextos de ensino. [...] visa discutir o desenvolvimento neurológico, a plasticidade cerebral e alguns desvios a fim de repensar estratégias e recursos que possam interferir de modo positivo nos processos de desenvolvimento humano, aprendizagem e ensino. (PUCRSVIRTUAL, 2009)

E nesta linha de concepção Krug (2011 apud Rodrigues 1996, p.40) apresenta o conceito de Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Abordagem neurológica de distúrbios e de incapacidades de aprendizagem. A Neuropsicopedagogia é de grande utilidade para o psicopedagogo clínico, pois possibilita o diagnóstico de processos anormais na estrutura, na organização e no funcionamento do sistema nervoso central, por meio de testes de avaliação neuropsicológica, aplicáveis a indivíduos portadores de problemas de aprendizagem.

 Pode-se perceber que a terminologia Neuropsicopedagogia, apesar de não estar explicita em nenhum dos dicionários já vem sendo utilizada no contexto brasileiro. Nos estados do sul do Brasil, universidades tais como: PUC e UFRGS apresentam como disciplina nos cursos de graduação, voltados a Pedagogia, os Estudos Neuropsicopedagógicos, os quais Forner (2009, p71-72) faz a seguinte referência:
No nível I, a disciplina Estudos Neuropsicopedagógicos chama a atenção, por enfatizar aspectos que contemplam as ideias do estudo. Eis a sua ementa: Estudo do desenvolvimento humano na perspectiva da genética e da Neuropsicopedagogia, aproximando estes saberes com foco nas bases biológicas da aprendizagem, na busca de melhores formas de ensinar e de aprender. Os objetivos da disciplina convertem para a real necessidade de os futuros professores reconhecerem as dificuldades de aprendizagem de seus alunos, bem como as possíveis alternativas de trabalho. Isto é, terem subsídios para planejamento que atenda às demandas que surgem nas salas de aula. A disciplina se propõe a fazer com que os estudantes de Pedagogia conheçam o funcionamento neural, o desenvolvimento neuropsicológico, desde a concepção até a morte, destacando a neuroplasticidade, bem como as bases biológicas e influência do uso de drogas pelos pais de crianças, bases neurológicas da entrada, processamento e saída da visão, audição, tato, movimento e atenção. A partir desses conhecimentos, enfim, busca contribuir para que os professores possam realizar as intervenções, considerando aspectos do desenvolvimento normal e das dificuldades de aprendizagem.

O grande avanço da Neuropsicopedagogia no Brasil se deu através do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão - CENSUPEG. Dentro deste contexto educacional  os profissionais da Neuropsicologia Clínica são capacitados para:
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de aprendizagem.
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo.
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social.
Dessa forma, na releitura das citações anteriores pode-se afirmar que a Neuropsicopedagogia apresenta-se como um novo campo de conhecimento que através dos conhecimentos neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e psicologia vem contribuir para os processos de ensino-aprendizagem de indivíduos que apresentem dificuldades de aprendizagem. A partir do ano de 2011, mais centros educativos tem ofertado este curso, que é o caso da UNOPAR- Universidade Norte do Paraná e da CEEDI (Centro de Excelência em Educação Integrado – Balneário Camboriú, SC).

2. OBJETIVOS DO ESTÁGIO CLÍNICO

O estágio clínico apresenta-se como um elemento indispensável que proporciona aprendizagens significativas reforçando a importância do olhar Neuropsicopedagógico, que pautado na aprendizagem do indivíduo e na estimulação das áreas “debilitadas”, visará o intercâmbio das produções teóricas apreendidas na Pós-Graduação através das práticas ofertadas.
O enfoque Neuropsicopedagógico ainda carece de bibliografia com mais efetivo reconhecimento científico, entretanto ressalto as palavras de Andrade (1998, p.40) ao contextualizar a Psicopedagogia Clínica e enfatizo que a Neuropsicopedagogia Clínica contempla esta mesma prática,
A Psicopedagogia Clínica não é uma prática confinada a consultórios particulares. Ela é muito mais uma maneira de olhar o processo ensino/aprendizagem, maneira esta que não se limita ao sintoma, mas busca as causas deste sintoma. Desta forma sua prática tanto pode se dar no consultório particular, como na escola ou no hospital.
O estágio neuropsicopedagógico vem trazer um novo olhar sobre as dificuldades de aprendizagem, uma visão neurocientífica, contemplando o que Chedid (2007, p.298) já escrevia a cerca da neurociência no contexto educativo,
Para a sala de aula, para a educação, as Neurociências são e serão grandes aliadas, identificando cada ser humano como único e descobrindo a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um. [...] Em pleno século XXI, nos deparamos com outras formas de informação além do letramento formal, é necessário conhecer e ensinar outras linguagens que dão acesso a informações imprescindíveis para a comunicação. [...] precisamos conhecê-las e entender as modificações que estão ocorrendo, olhar estes cérebros para saber como eles funcionam e determinar mudanças em como ensiná-los.

Dentro da mesma estrutura proposta por Chedid, a Universidade de Manizales(2007), citada anteriormente, classifica o estágio de Neuropsicopedagogia como forma de consolidar equipes interdisciplinares alavancando assim as competências e habilidades cognitivas, emocionais e aspectos sociais procurando aprofundar o teórico com a pergunta, com a prática mas ao mesmo tempo praticar os aspectos transcendentais, clínicos e educacionais, relacionados a cada tipo de experiência e na individualidade de cada caso.


 3 O PAPEL DO NEUROPSICOPEDAGOGO NA  INSTITUIÇÃO ESCOLAR 

Socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais é o objetivo de qualquer ambiente educativo. É na escola em que a inserção das crianças nos grupos podem ser avaliadas e onde elas podem ser comparados com seus pares, com seu grupo etário e social. Com preparo e sensibilidade, o professor, melhor do que qualquer outro profissional está preparado para detectar problemas cruciais na vida de toda e qualquer criança que por ele passar. Entretanto, o ato de educar e incluir não são atos solitários, eles necessitam de parcerias, de trocas, de profissionais que percebam cada indivíduo nos mais diferentes modos de ser e estar no grupo, enfim uma equipe multidisciplinar.
A inclusão no contexto educativo traz como metáfora um diamante (Figura 1), ele tem diferentes lados; é “multifacetado”. Muitos, ao contemplar um diamante, percebem somente o seu brilho, outros percebem somente sua superfície, alguns voltam seus olhos para a profundidade, mas há aqueles que têm a visão mais ampla, observam as “multifacetas” (brilho, superfície, profundidade, fragilidade e por ai a diante). Isso é um trabalho multidisciplinar, um trabalho de equipe onde cada um na sua especialidade consegue ver focos diferentes dentro de um mesmo contexto e por consequência disso, o brilho final aparece reluzindo o trabalho de todos.

Figura 1- Inclusão é como um diamante. Existem vários ângulos pelos quais se podem perceber o mesmo indivíduo.

Percebendo a importância do psicopedagogo na instituição escolar, mas acompanhando as novas descobertas neurocientíficas, o Centro-Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão – CENSUPEG, apresentando-se como uma das instituições pioneiras no Brasil, quanto a questão das primeiras turmas de Pós em Neuropsicopedagogia, especializam profissionais intitulados Neuropsicopedagogos que dentro da instituição escolar, além de todo aparato preventivo, abarcam conhecimentos que possibilitarão a otimização dos processos de ensino e aprendizagem. Profissionais estes, que junto aos demais, vem contemplar as “multifacetas” dos diversos diamantes presentes no contexto educativo. Nesse sentido, eles vêm somatizar conhecimentos com todos os demais envolvidos no processo educativo, ofertando qualidade na educação e uma aprendizagem comunitária.
DEWEY (1943) já fazia relatos de aprendizagem comunitária, ele preocupava-se com o isolamento escolar da vida comunitária típica e com a rotina natural da aprendizagem na sala de aula, e pregou a utilização do trabalho e das atividades comunitárias como o foco de aprendizagem. Fazendo isso, Dewey exigia que as escolas unissem as crianças e criassem oportunidades para a aprendizagem por meio da ação e de relacionamentos de apoio mútuo. Assim como na sociedade, a escola também necessita ser remodelada para que as pessoas tenham cada vez mais relacionamentos interpessoais, trocas entre os diferentes profissionais, ter uma visão de que se faz necessário profissionais que tenham conhecimentos neurocientíficos, pois a vida está se reciclando, a cada dia novos conhecimentos vem surgindo, a neurociência a cada dia mais vem abrindo seu espaço.
A atuação do neuropsicopedagogo na instituição escolar contribui para que se desenvolvam metodologias que abordam as várias barreiras para aprendizagem apresentadas pelas crianças no ambiente escolar, procurando ligar vários intervenientes deste processo, tais como: pais, professores e colaboradores que juntos almejam uma melhoria significativa no desempenho acadêmico, social e emocional da criança.


CONSIDERAÇÕES FINAIS                 

O estágio sempre é um contexto desafiador, nos faz provocações daquilo sabemos, do que não sabemos e do que necessitamos buscar. É o elo entre nossas teorias e nossas práticas. SAVIANI (2003) em muitos de seus textos referiu-se à curvatura da vara. E o estágio é isso, é a busca do equilíbrio dessa curvatura, não tanto a um extremo, nem tanto ao outro. É um relembrar de tudo que se aprendeu, um perceber que através da observação muito se aprende e um refletir sobre o que pode ser feito a partir disso.
Discorrendo sobre as palavras de Chedid (2007, p. 300) falando do enfoque neurocientífico na educação, transcrevo as seguintes palavras:
Os alunos de hoje merecem uma educação exemplar baseada na atual investigação sobre o cérebro. Isto não pretende sugerir que tudo o que os professores e as escolas fizeram até aqui estava errado, mas sim, que temos uma nova informação, baseada na própria biologia da aprendizagem do cérebro, que pode melhorar a educação. Como o cérebro processa a informação que recebe, como ocorre o registro sensório, como funciona a memória, como os ritmos biológicos afetam o aprender e o ensinar são algumas das perguntas que nos fazemos e que já começa a ter delineadas suas respostas pelas Neurociências. Quem compreende o processo de aprender como uma atividade deve pensar nas condições essenciais para que esta atividade seja otimizada. Precisamos iniciar uma discussão entre professores e psicopedagogos sobre a necessidade de uma visão neurocientífica em nossa ação.

Muito bem explanado por Chedid, uma das primeiras propostas da necessidade da Neuropsicopedagogia, pois conforme a autora se faz necessária a visão neurocientífica dentro da ação pedagógica e psicopedagógica. E foi dentro dessa linha de pensamento que esse estágio teve como proposta.
Estudos e intervenções no campo da Neuropsicopedagogia ainda necessitam conquistar espaços, mas aos poucos vem abrindo caminhos e sutilmente vem aparecendo em citações bibliográficas, tais como as de Cavasotto e Chagas (2011, p.172) ao falar sobre vivências no atendimento pedagógico: “Estudos da neurociência têm confirmado e destacado a importância do ambiente para o desenvolvimento neuropsicopedagógico”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ANDRADE, Maria Siqueira de. Psicopedagogia Clínica: Manual de Aplicação Prática para Diagnóstico em Distúrbios de Aprendizado. São Paulo: Póluss Editorial, 2008.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA. Faq- Mercado de Trabalho e Atuação do Psicopedagogo. São Paulo, [2010] Disponível online em: <http://www.abpp.com.br/faq_aspectos.htm >Acesso em 31/05/2012

BARBOSA, Laura M. S. Intervenções Psicopedagógicas no espaço da Clínica. Curitiba: Ibpex, 2010.

CAVASOTTO, Eva. CHAGAS, Eva. Intervenções Psicopedagógicas e os avanços da neurociência. In:  Aprender e ensinar: diferentes olhares e práticas. Org RAMOS, Maria B. Porto Alegre: PUCRS, 2011

CHEDID, Kátia. Psicopedagogia, Educação e Neurociências. Psicopedagogia: Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Vol 10, nº 75 São Paulo: ABPp, 2007.

DENADAI, Rafael et al. Transtornos de aprendizagem e alteração cognitiva secundária a hidrocefalia por estenose do aqueduto de Sylvius. Relato de Caso. Revista Brasileira Clínica Médica.jan/fev. nº10. São Paulo: 2012.

FONSECA, Cristina. Psicopedagogia e Tecnologia. 2007. Disponível online em: <http://infonet-dani.blogspot.com.br/2007/08/infonet-informao-na-net.html> Acesso em 21/06/2012

FORNER, Viviane B. Corpo, Escola e Vida: O uso do corpo, o movimento e a exploração do espaço como dispositivos para o aprender – discussões na formação de professores. Porto Alegre: UFRGS, 2009. Dissertação de Mestrado

KRUG, Clarice L. O cérebro se transforma quando aprendemos. In. Neuropsicopedagogia e Contextos de Atuação. Novo Hamburgo: CENSUPEG, 2011. Aula expositiva do Curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Educação Inclusiva.

LUNDY-EKMAN, Laurie. Neurociência: Fundamentos para a reabilitação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

MARQUES. Carla V. M. A avaliação neuropsicopedagógica de crianças surdas: O estudo dos processos corticais simultâneos de sucessivos, visuo-motores e verbais, através de testes neuropsicológicos. In. Revista Espaço- Informativo Técnico-Científico Espaço, INES.nº 29 jan/jun. Rio de Janeiro: INES, 2008. Disponível em < http://revistaespaco.files.wordpress.com/2011/09/rev_espaco_29.pdf> Acesso em 23/06/2012

NOGUEIRA, Makeliny O. G. Psicopedagogia Clínica: caminhos teóricos e práticos. Curitiba: Ibpex, 2011.

OLIVEIRA, Mari Angela C. Psicopedagogia: a instituição educacional em foco. Curitba: Ibpex, 2009.

PÁDUA. Elisabete M. M. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 13ed. CAMPINAS: Papirus, 2004.

PAÍN, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem.  4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

RACY, Andrea. VIEIRA, Patrícia. Entrevista com: Dr Marcos Tomanik Mercadante. Associação Brasileira de Psicopedagogia. [2010]Disponível online em: <http://www.abpp.com.br/entrevistas/06.htm> Acesso em 12/05/201

RODRIGUES, Roberto. In: REVISTA CAESURA. Pelotas: Universidade Católica, n.9, 1996

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre a educação política. 36. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.

SUÁREZ, Jennifer Delgado. Desmitificación de La Neuropsicopedagogía. Revista REPES. Año 2. Nº 4. Colômbia :Universidad Tecnológica de Pereira, 2006.

TAMEZ, Alberto M. O. Definicion de Neuropsicopedagogía. México: 2006. Disponível online em<http://www.psicopedagogia.com/definicion/neuropsicopedagogia> Acesso em 17/06/2012

UNIVERSIDAD DE MANIZALES. Especialización em Neuropsicopedagogía Colômbia, Universidade de Manizales, 2007. Disponível online em <http://www.umanizales.edu.co/docencia/especializaciones/esp_neuro/esp_neuro.html> Acesso em 17/06/2012



[1] Professora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Graduada em Licenciatura dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Especialista em Alfabetização. Especialista em Educação Inclusiva. Pós Graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica. Graduanda em Psicologia. E-mail: analuciah@sinos.net
[2] Original- Ejercicio-trabajo interdisciplinario acerca del procesamiento de la información y la modularidad de la mente en terminos de Neurociencia cognitiva, Psicología,Pedagogía y Educación, que lleva acabo el profesional de formación multi-interdisciplinaria y con fines Educacionales. El profesional de la 'neuropsicopedagogia', debe contar con un amplio conocimiento de los diferentes modelos, teorias y metodos sobre la evaluación, planeación, diseño curricular de los diferentes niveles educativos, didacticos y de profesionalización pedagogica y Docente. Así entonces el Neuropsicopedagogo es una el profesional que debera contar con un conocimiento amplio de las bases neurobiologicas de la conducta y su rehabilitación Neurocognitiva con fines Psicopedagogicos, tanto en niños como adolescentes, geriatricos, así mismo de sujetos discapacitados y especiales (superdotación)... (TAMEZ, 2006)
[3] Original- La Neuropsicopedagogía integraria el efecto sinérgico del conjunto de conocimientos propios de la Neuropsicología y la Psicopedagogía, potenciando la resultante del concepto “psico” em sus más heterogéneos âmbitos de estúdio. Esta Neuropsicopedagogía, através de los comprensión del funcionamento de los processos mentales superiores (atención,memoria, función ejecutiva...), de las explicaciones psicológicas y de las instruciones pedagógicas, pretende ofrecer  un  marco de conocimento y acción íntegro para la descripción, explicación, tratamento y potenciación de los processos de enseñanza-aprendizaje que acontecen a lo largo de la vida del alumno, promovendo uma formación integral com repercusiones más allá de la instituición educativa y del período temporal y tipo de aprendizaje que estabelece como válido (De La Peña, 2005)
[4] Original - La Neuropsicopedagogía constituye un campo de actuación interdisciplinario, en el cual los aportes de la Neuropsicología y la Psicopedagogía posibilitan una mayor comprensión de los procesos de enseñanza– aprendizaje que permiten potenciar al ser Humano de forma integral y proyectarlo en las mejores condiciones educativas y sociales. Dadas las particularidades conceptuales, disciplinares, sociales y culturales, la reflexión sobre los procesos de aprendizaje escolar, requieren de un abordaje que no puede concebirse fragmentado, sino desde la necesidad de análisis crítico de fenómenos complejos que influencian y afectan tanto la capacidad de aprender en forma individual, como de sus demandas clínicas y educativas; se hace prioritaria entonces, la integración de diferentes enfoques y la co-actuación de diversas disciplinas con el fin de ampliar y complejizar tanto su comprensión, como estrategias de intervención clínica y/o educativa y así obtener respuestas conceptuales, metodológicas y prácticas pertinentes. (UNIVERSIDAD DE MANIZALES, 2007)
[5] Marcos Tomanik Mercadante (São Paulo1960 - São Paulo2011) foi um médicoescritor, professor e investigador brasileiro. Nascido na cidade de São Paulo em 1960, onde viveu e atuou profissionalmente, é autor de estudos que são referência no País em Psiquiatria da Infância e Adolescência, principalmente a respeito de autismo, tem livros publicados sobre o assunto e é autor do primeiro estudo de epidemiologia de autismo na América Latina. Mercadante possuia graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorado em Psiquiatria pela USP. Era médico pesquisador da USP, professor da pós-graduação da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), pesquisador associado da Universidade de Yale (EUA) e foi professor-adjunto da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Com experiência na área de Medicina, com ênfase em Psiquiatria da Infância, atuou principalmente nos seguintes temas: autismo e transtorno invasivo do desenvolvimento (TID), transtorno obsessivo compulsivo (TOC), diagnóstico, e coréia de Sydenham. Recebeu o prêmio "Prof. Zaldo Rocha" 2010, da Associação Brasileira de Psiquiatria. Em 2010, Mercadante idealizou e foi um dos fundadores da ONG Autismo & Realidade, em São Paulo. Mesmo ano em que foi convidado pelo Senado Federal do Brasil para explanar sobre autismo na discussão de uma lei federal para criação da Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Morreu em 2 de Julho de 2011, em São PauloSP, aos 51 anos. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Tomanik_Mercadante)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Epilepsia


Por Ana Lúcia Hennemann, Carlos José Schierholt, Daiane Tais Wames, Scheila Rogéria Flesch

Epilepsia é um sintoma de perturbação cerebral que se caracteriza pela ocorrência de ataques periódicos e recorrentes. Os ataques de epilepsia podem ser de diversos tipos, variando entre ataques de duração curta, com perturbações do estado de consciência e ataques com convulsões graves e perda de consciência.

Classificação – CID 10
ü G40.0 Epilepsia e síndromes epilépticas idiopáticas definidas por sua localização (focal) (parcial) com crises de início focal;
ü G40.1 Epilepsia e síndromes epilépticas sintomáticas definidas por sua localização (focal) (parcial) com crises parciais simples;
ü G40.2 Epilepsia e síndromes epilépticas sintomáticas definidas por sua localização (focal) (parcial) com crises parciais complexas;
ü G40.3 Epilepsia e síndromes epilépticas generalizadas idiopáticas;
ü G40.4 Outras epilepsias e síndromes epilépticas generalizadas;
ü G40.5 Síndromes epilépticas especiais;
ü G40.6 Crise de grande mal, não especificada (com ou sem pequeno mal);
ü G40.7 Pequeno mal não especificado, sem crises de grande mal; ou
G40.8 Outras epilepsias
TIPOS
Ataque Epilético Parcial: Envolvem apenas uma zona do cérebro, apenas uma zona do corpo é afetada ou apenas um certo nível de consciência é afetado.
ü  Ataques parciais de sintomas simples originam contrações súbitas de certos músculos, como por exemplo, os músculos que controlam um braço ou uma perna; se a zona do cérebro afetada controlar a visão, a audição ou outros órgãos dos sentidos, a pessoa terá breves alucinações visuais, auditivas ou outras, sem contudo perder a consciência.

ü  Ataques parciais com sintomas complexos podem envolver momentos de perdas de consciência e atos complexos involuntários. Durante um ataque deste tipo a pessoa parece estar consciente, mas não reage ou então reage de forma inadequada ao ambiente que a rodeia executando ações sem objetivo concreto. A sua duração pode ser curta, de várias horas ou evoluir para um ataque generalizado.


Ataques Epilépticos Generalizados: afetam todo o cérebro, podendo ser divididos em:
ü  Crises de ausência consistem em perdas breves de consciência, podendo durar entre cinco a trinta segundos. Neste tipo de ataques a pessoa poderá apresentar um olhar fixo e dar a impressão de estar sonhando acordada, ou sentir leves contrações dos músculos da face ou dos braços. Após a crise, a pessoa continua a fazer o que estava fazendo antes do ataque, sem perceber do que aconteceu.
ü  Tônico-clônicos são entendidos pelas pessoas em geral como a epilepsia, o ataque inicia-se com uma perda súbita de consciência, a pessoa cai, os seus músculos tornam-se rígidos (a chamada fase tônica), pode surgir um grito agudo em consequência da contração dos músculos abdominais e a pele pode tornar-se azulada devido à breve interrupção da respiração. Inicia-se depois a fase clônica, que consiste em movimentos bruscos de contração dos principais grupos musculares, a respiração faz-se de uma forma profunda e irregular levando à produção de espuma e saliva. Durante o ataque a pessoa pode morder a língua ou perder o controle da bexiga. A duração de um ataque deste tipo dura geralmente entre três a cinco minutos.

 EPIDEMOLOGIA
Estima-se que a prevalência mundial de epilepsia ativa esteja em torno de 0,5% - 1,0%  da população e que cerca de 30% dos pacientes sejam refratários, ou seja,  continuam a ter crises, sem remissão, apesar de tratamento adequado com medicamentos anticonvulsivantes. A incidência estimada na população ocidental é de 1 caso para cada  2.000 pessoas por ano. A incidência de epilepsia é maior no primeiro ano de vida (principalmente entre 3 e 7 meses) e volta a aumentar após os 60 anos de idade. A probabilidade geral de ser  afetado por epilepsia ao  longo da vida é de cerca de 3%. Observa-se prevalência no sexo masculino. No Brasil, Marino e colaboradores e Fernandes e colaboradores encontraram prevalências de 11,9:1.000  na Grande São Paulo e de 16,5:1.000 para epilepsia ativa em Porto Alegre.

CAUSAS DA EPILEPSIA
Os ataques de epilepsia são provocados por uma descarga descontrolada de energia elétrica pelas células cerebrais. Em cerca de 50% das pessoas não se consegue determinar a causa do descontrole da atividade elétrica, sendo nestes casos designada por epilepsia idiopática. Na outra metade, em que é possível determinar a causa, a epilepsia é designada por sintomática.
As causas mais vulgares são as lesões pré-natais, lesões ocorridas durante o parto, tumores cerebrais, pancadas fortes na cabeça, doenças cerebrovasculares e infecções graves durante a infância.


DIAGNÓSTICO
•      CLÍNICO- através da obtenção de uma história detalhada e de um exame físico geral, com ênfase nas áreas neurológica e psiquiátrica. A história deve cobrir a existência de eventos pré e perinatais, crises no período neonatal, crises febris, qualquer crise não provocada e história de epilepsia na família. Trauma craniano, infecção ou intoxicações prévias também devem ser investigados.
•      COMPLEMENTAR- Os exames complementares devem ser orientados pelos achados da história e do exame físico.

TRATAMENTO
•      O objetivo do tratamento da epilepsia é propiciar a melhor qualidade de vida possível para o paciente, pelo alcance de um adequado controle de crises, com um mínimo de efeitos adversos.
•      A determinação do tipo específico de crise e da síndrome epiléptica do paciente é importante, uma vez que os mecanismos de geração e propagação de crise diferem para cada situação, e os fármacos anticonvulsivantes agem por diferentes mecanismos que podem ou não ser favoráveis ao tratamento.
•      Os fármacos anticonvulsivantes atuam através de um ou de vários dos seguintes mecanismos: bloqueio de canais de sódio, aumento da inibição gabaérgica, bloqueio de canais de cálcio ou ligação à proteína SV2A da vesícula sináptica .
•      A decisão de iniciar um tratamento anticonvulsivante baseia-se fundamentalmente em três critérios: risco de recorrência de crises, consequências da continuação de crises para o paciente e eficácia e efeitos adversos do fármaco escolhido para o tratamento.
•      O risco de recorrência de crises varia de acordo com o tipo de crise e com a síndrome epiléptica do paciente, e é maior naqueles com descargas epileptiformes ao EEG, defeitos neurológicos congênitos, crises sintomáticas agudas prévias e lesões cerebrais e em pacientes com paralisia de Todd.
•      Incidência de novas crises epilépticas são inaceitáveis para pacientes que necessitam dirigir, continuar empregados ou ser responsáveis por familiares vulneráveis. A decisão de iniciar tratamento fica bem mais fortalecida após a ocorrência de 2 ou mais crises epilépticas não provocadas com mais de 24 horas de intervalo.
•      A seleção do fármaco deverá levar em consideração outros fatores além da eficácia, tais como efeitos adversos, especialmente para alguns grupos de pacientes (crianças, mulheres em idade reprodutiva, gestantes e idosos), tolerabilidade individual e facilidade de administração.
•      Mesmo utilizando fármacos adequados ao tipo de crise, um controle insatisfatório ocorre em cerca de 15% dos pacientes com epilepsia focal, sendo estes candidatos a tratamento cirúrgico da epilepsia.
•      Em caso de falha do primeiro fármaco, deve-se tentar sempre fazer a substituição gradual por outro, de primeira escolha, mantendo a monoterapia.

PROFILAXIA
•      A prevenção liga-se diretamente às condições de vida e à assistência médico-sanitária: cuidados pré-natais e de parto às gestantes, cumprimento do calendário de vacinações nas crianças, controle de doenças infecciosas e parasitárias e seus sintomas, cuidado com a febre em crianças.

•      O controle da hipertensão arterial sistêmica e do alcoolismo, e a prevenção do uso de drogas, entre outros, contribuem para a profilaxia na idade adulta.
•      E em geral, evitar lesões na cabeça, não usar medicamentos sem orientação médica.

•      É importante que o paciente saiba quais os fatores desencadeiam as crises convulsivas e faça o possível para evitá-los.  Para isso ele precisará mudar hábitos de vida, como:
•               -evitar consumo excessivo de álcool; 

         -sobrecarga e fadiga, com noites mal dormidas;

         -estimulação luminosa intensa: televisão, videogames e computadores, festas noturnas.

•      Para as crianças pequenas, é essencial administrar antipiréticos (medicamentos que diminuem a febre) quando a temperatura corporal estiver acima de 38,5°C. Uma temperatura acima pode provocar convulsões em crianças.
•      Os fatores de prevenção são poucos, o tratamento mesmo consiste em controlar, não existe cura conhecida para a epilepsia.

 COMO AJUDAR ALGUÉM QUE ESTÁ TENDO UMA CRISE EPILÉTICA:


PARA SABER MAIS:



REFERÊNCIAS:

ANTUNIUK, Sérgio. Epilepsia na Infância. Paraná: UFPR, 2008.
BRASIL. Portaria SAS/MS nº 492/2010. Disponível online em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_epilepsia_.pdf Acesso em 02/06/2012
CASTRO. Luiz H. M., PINTO, Lécio F. Crise Epilética. 2009. Disponível Online em http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2213/crise_epileptica.htm Acesso em 02/06/2012.
KANASHIRO, Ana L. A. N. Epilepsia. Campinas, 2008. Disponível online em: http://2009.campinas.sp.gov.br/saude/especialidades/Epilepsia.pdf Acesso em 15/06/2012
SOUZA. Elisabete. Mecanismos psicológicos e o estigma na epilepsia. Disponível online em http://www.comciencia.br/reportagens/epilepsia/ep18.htm Acesso em 10/06/2012.
Epilepsia: dados básicos de um serviço público do Rio de Janeirohttp://www.scielo.br/pdf/csp/v2n2/v2n2a09.pdf Acessado em 18/06/2012