domingo, 13 de maio de 2012

Pesquisando sobre o cérebro - 1

Ana Lúcia Hennemann- Maio/2012
Parte 1- Embriogênese do sistema nervoso

         
           A formação de nosso cérebro tem início nos primeiros dias de vida do feto. Conforme SILVA (2012),

O crescimento e o desenvolvimento do sistema nervoso iniciam na fecundação e vão até a fase adulta. Por isso que as habilidades física e psíquica de uma pessoa variam, fisiologicamente, caso seja criança, adolescente ou adulto. Este crescimento e desenvolvimento são determinados pelo código genético da pessoa e pelas influências exercidas pelo ambiente.

           Nos primeiros dias ocorre o processo de neurulação, sendo que este, ocorre em duas etapas denominadas de neurulação primária e secundária. A neurulação primária é a formação do tubo neural da região lombar até a região craniana. No início da gestação (24 a 28 dias após a concepção), a placa neural se fecha, formando o tubo neural. A estrutura final abrange a coluna vertebral e o cérebro. O fechamento precoce incompleto resulta em espinha bífida, e o fechamento tardio, em anencefalia. A neurulação secundária é formação do tubo neural da região lombar e sacral e se completa por volta da sétima semana de gestação.

           Entre o 2º e o 3º mês gestacional ocorre o desenvolvimento prosencefálico: neste período há a indução para a formação de várias estruturas como a face, o encéfalo, a medula espinhal e o sistema nervoso periférico.  Conforme Trindade,
Por volta de cinco semanas de gestação duas protuberâncias – que futuramente serão a base de nossos hemisférios cerebrais – já podem ser identificadas. Desse ponto em diante, os futuros neurônios se dividirão inúmeras vezes. Essa separação é muito rápida, capaz de chegar ao número de 250 mil novos neurônios por minuto. Com isso, no final do primeiro mês gestacional, podemos visualizar – através de técnicas desenvolvidas para esse fim – o cérebro, embora primitivo, em formação. Nesse estágio, a capacidade de interpretar qualquer tipo de sensação ainda está longe de ocorrer. Afinal, estamos falando de um embrião com cerca de cinco semanas.(TRINDADE, 2007, p. 2)

Entretanto, qualquer comprometimento nesta fase pode ocasionar holoprosencefalia, ou seja, a pessoa não tem o telencéfalo divido em dois hemisférios cerebrais (podendo apresentar deformidades faciais, retardo do desenvolvimento, crises epilépticas e retardo mental).
 


Entre o 3º e 4º mês gestacional ocorre a proliferação neuronal onde os neurônios e células da glia originam-se de zonas germinativas ventricular e subventricular.  Trindade explica a formação das células glias do seguinte modo,

Da sétima até cerca de vinte semanas de gestação, os neurocientistas acreditam no desenvolvimento de aproximadamente 50.000 a 100.000 novas células por segundo. Desses milhares de células, grande parte se transformará em células glias ou gliais, termo esse originado do grego que significa “cola”. Esse nome foi atribuído a esse tipo de célula porque quando elas foram observadas pela primeira vez demonstravam estar ligadas aos neurônios. As células glias não são neurônios, mas constituem aproximadamente 90% de todas as células do Sistema Nervoso Central (SNC) de um adulto e exercem funções de apoio importantes.(TRINDADE, 2007,p.2)


Se ocorre comprometimento desta fase pode resultar em microcefalia ou macrocefalia, ou seja, respectivamente cabeça exageradamente pequena ou grande o que pode comprometer o adequado funcionamento do sistema nervoso. O número de células geradas no sistema nervoso fetal supera às requeridas na maturidade. Algumas destas células, na realidade, sobrevivem poucos dias ou semanas. Esta morte celular programada chama-se apoptose e foi descoberta por Hamburger e Levi-Montalcini, em 1949.



A partir do 4º mês até o 5º mês ocorre a migração neuronal que é caracterizada pela movimentação do neurônio de zonas germinativas para seu “locus” final dentro do sistema nervoso, originando, por exemplo, o córtex cerebral, os núcleos da base, o córtex cerebelar e os núcleos cerebelares. Nesta etapa os neurônios saem do local onde nasceram e vão para novos lugares onde ficarão para exercerem suas funções. Um neurônio que não consegue atingir o local onde deveria ficar, pode apresentar funcionamento inadequado, podendo isto ser uma das causas de  crise epiléptica no futuro.
A partir do 5º mês em diante ocorre a Organização onde há predominância do período perinatal. Os mais proeminentes acontecimentos nesta etapa são: a elaboração das ramificações dendríticas, o estabelecimento das redes sinápticas, a proliferação e diferenciação da glia e a estratificação dos neurônios corticais. Alterações nesta fase podem resultar em deficiência cognitiva, crises epilépticas etc.
E a partir do nascimento até a fase adulta ocorre a mielinização a qual resulta na elaboração de membrana de mielina em torno do axônio. Como há relação entre mielinização e o funcionamento neuronal, distúrbios nesta etapa podem ocasionar retardo no desenvolvimento neuropsicomotor, retardo intelectual, crises epilépticas e outros déficits neurológicos, como perda de força e alterações no tônus muscular.

Fontes de Consulta:
SILVA, Cléber R. A. Aspectos Funcionais do Sistema Nervoso.  Novo Hamburgo, Feevale, 2012
TRINDADE, Michele. HIRSCHFELD, Kléria. O bebê e seu cérebro: Um estudo sobre o desenvolvimento cerebral na vida intra-uterina. Disponível online em: http://guaiba.ulbra.tche.br/pesquisa/2007/artigos/psicologia/249.pdf  Acesso em 03/05/2012.

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