sexta-feira, 20 de abril de 2012

NEUROCIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO

Ana Lúcia Hennemann/Abril-2012
Já era de meu conhecimento a reportagem sobre os estudos realizados em 2004, sobre a importância do afeto nos primeiros meses de vida intitulada por Suzana Herculano “ As vantagens de lamber a cria” . Nesta, ela salienta que experiências realizadas sobre carinhos com bebê-rato mudam permanentemente a resposta ao stress. Entretanto, com maiores detalhes dessa reportagem, tive a oportunidade de ouvir a palestra do Drº André Palmini, na noite de quarta-feira (18/04/2012), na Aula Magna, promovida pelo ICHLA (Instituto de Ciências Humanas, Letras e Arte), com o tema: “Neurociência e Desenvolvimento”, ele porém, trouxe um novo enfoque para esses estudos, relacionando-os com o desenvolvimento humano.
O palestrante explicou que estes estudos iniciaram com animais e após foram realizados com diferentes grupos de pessoas. Contudo, todos os questionamentos abordados servem de interrogações a respeito da epigenética do indivíduo, pois crianças que recebem pouco afeto ou vivem em contato com experiências negativas, tendem a “carregar” essas informações estressantes e no futuro apresentam comportamentos desse gênero. A gente nasce com uma bagagem genética, porém que não é fixa. Aquilo que acontece na infância mexe na genética e pode marcar para o resto da vida. O mundo de cada indivíduo molda seu desenvolvimento cerebral. Como cada um tem experiências diferentes, as trocas que a gente tem com o mundo, vai fazendo com que cada um de nós tenhamos “avenidas” mais fortificadas. É como se  cada indivíduo além de ter uma impressão digital, tem uma impressão cerebral. Então, com isso, Palmini(2012), enfatizou que deveríamos ter políticas públicas que pudessem ofertar melhores condições no desenvolvimento mental e psicossocial das crianças.
Nos estudos realizados pela “American Physiologicol Society” descrito no artigo:  Epigenetic Regulation of Gene Expression in Physiological and Pathological Brain Processes, Palmini enfatizou os seguintes resultados...
”Nos mamíferos, a qualidade de vida primitiva é determinada principalmente por cuidados maternos e acessibilidade à nutrição. Em camundongos e ratos da mesma forma, o cuidado materno assume a forma de arco-back (arco protetor) de enfermagem (AB) e lambendo / “fornecendo carinho”(licking/grooming) (LG), pode-se influenciar o comportamento dos filhos e moldar sua capacidade de resposta ao estresse e seu nível de ansiedade . Ao nível molecular, tais responsividade é, em parte regulada por receptores de glucocorticóides e glicocorticóide (GR). Altos níveis circulantes de glicocorticóides  levantam alerta do corpo e aumentam a resposta ao estresse, enquanto os níveis mais baixos resultam em um comportamento mais "relaxado" e atenuam a resposta ao estresse. Inversamente, os níveis elevados de GR em áreas do cérebro anterior, tais como o hipocampo fornecem uma realimentação negativa, que reduz a produção de glicocorticóides e, assim, atenua a resposta ao stress. Curiosamente, descendentes de alta-LG-ABN mães mostram expressão aumentada GR e reatividade reduzida ao estresse, enquanto que filhos de baixo LG-ABN mães diminuíram GR expressão e maior reatividade ao estresse.”
Nesse sentido a mesma pesquisa feita com seres humanos constatou que as mães que são mais afetivas com seus filhos, providenciando-lhes uma boa “maternagem” estão  produzindo nestes seres substâncias que “blindam” o DNA, conforme colocações de Palmini(2012) fazendo com que futuramente seus filhos consigam ter maior estruturas para enfrentarem situações de stress. Sendo que o comparativo que ele fez foi quanto as crianças que vivem em lares de extrema carência afetiva, brigas constantes, situações de violência, na verdade estão reproduzindo a situação de mães ratas que abandonam seus filhotes, então essas crianças podem ter maior probabilidade ao stress. Porém, se outros fizerem esse resgate afetivo, há possibilidades de “reversão” ou “modificação” dessa situação, sendo que em muitos casos é a escola que desempenha esse papel. Então, se a criança tem uma escola que não reproduz a desestimulação que ela tem em casa, há uma possibilidade de reversibilidade, por isso dentro da Neurociência, a escola se constitui de  aportes muito importantes na formação do indivíduo.
Também enfocando a questão da Neurociência, Palmini (2012) apresentou estudos feitos com neonatos onde se percebe a maturação do cérebro desde os primeiros meses de vida, sendo que através da neuro-imagem, ou seja,  de exames PET verificou-se quais as áreas do cérebro que vão se tornando mais ativas de acordo com o desenvolvimento do bebê. 
http://www.dana.org/news/cerebrum/detail.aspx?id=1228

 Por exemplo: o neonato é um ser essencialmente motor, então as primeiras regiões cerebrais a serem mais ativadas são a do lobo frontal, porém na medida em que a criança vai crescendo começam a ativar outras áreas de seu cérebro. Nos segundo e terceiro meses de vida, a região viso-espacial e integração viso-sensório-motor vão se destacando. Entre seis e oito meses, o córtex frontal restante começa a mostrar um crescimento maturacional no metabolismo da glicose. Mais adiante as áreas que começam a ver com o entendimento começam a se desenvolver.
         Percebe-se uma crescente atividade metabólica até os 8 anos e idade. Por exemplo, para aprender um idioma é muito mais fácil para uma criança nesta faixa etária.

Achou interessante o assunto, então leia o artigo: Estudos neuropsicológicos e de neuroimagem associados ao estresse emocional na infância e adolescência disponível no site: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832010000600004

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