segunda-feira, 30 de abril de 2012

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA A DEFICIÊNCIA MENTAL


 Ana Lúcia Hennemann - Abril/2012
Batista (2006), procurando oportunizar aos sistemas de ensino melhores condições de atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais, nos traz importantes orientações e informações que se postas em práticas propiciam um atendimento de caráter qualitativo para todos os alunos da rede regular de ensino.
Tendo como foco a “Deficiência Mental”, o presente documento procura elencar as mais diversas conceituações desta deficiência, pois segundo a autora,

O conhecimento da deficiência mental precisa ser clarificado, dada a facilidade de se confundir os problemas de ensino e de aprendizagem causados por essa deficiência com o que é barreira para o aproveitamento escolar de todo e qualquer aluno. (BATISTA, 2006, p. 9)

O processo de inclusão de indivíduos com deficiência mental, bem como em qualquer outra “deficiência” é antes de tudo uma aceitação das diferenças e uma co-responsabilização para obviar às necessidades de outros, então se percebe que os educadores necessitam mudanças de atitude diante do processo educativo, pois a Educação para Todos trouxe consigo maior diversidade de alunos nas escolas, mostrando toda a fragilidade e ao mesmo tempo superação a qual o ser humano pode ser submetido.
Precisamos ter clareza que numa escola inclusiva, todos fazem parte do processo, pois é na relação do eu com o outro que nossas construções cognitivas se fazem. Por isso, não podemos admitir escolas que se dizem inclusivas, mas fazem atividades que não desafiam as habilidades e competências de seus alunos. Atividades que somente enfatizam cópias, pinturas, “amassar bolinhas de papel”, entre outras. Além de não dar credibilidade nas potencialidades que os indivíduos com necessidades especiais possam ter.
 A escola necessita de reestruturação de nova filosofia educacional, novas práticas educativas, oferta de qualidade de ensino, bem como a reflexão da postura educacional nas salas de aulas, pois os educadores necessitam estar atentos em cada um de seus alunos, reconhecendo seus progressos escolares e procurando novas alternativas de ensino, pois educação não se dá de modo linear, mas sim, na relação de trocas entre todos os envolvidos.
A transposição de “o que era” para “o que precisa ser” ainda necessita ser trabalhada com toda a comunidade escolar e principalmente com os educadores. Leituras constantes, educação continuada, trabalho em conjunto com diferentes profissionais são algumas propostas para que esta mudança ocorra, porém no caso da Deficiência Mental, Batista (2006, p. 21) nos alerta que “O aluno com deficiência mental, como qualquer outro aluno, precisa desenvolver a sua criatividade, a capacidade de conhecer o mundo e a si mesmo, não apenas superficialmente ou por meio do que o outro pensa”, então se analisarmos por esta perspectiva podem-se concluir que independente de suas limitações, estamos diante de um ser que pensa, tem emoções e muitas potencialidades.
Entretanto, cada caso é um caso, cada ser é único, com cada um existe um jeito de se lidar, uma maneira de tentar chegar à interação da relação professor-aluno, às vezes esta maneira não se dá rapidamente, se faz necessário muito investimento e às vezes pouco retorno, visto pelo lado de uma estrutura tradicionalista, mas quando se fala de inclusão, qualquer modificação de qualidade de vida para estes indivíduos é motivo de muita alegria. Contudo, longo ainda é o caminho que temos a seguir quando se pensa em escola inclusiva, maior ainda é a responsabilidade que atualmente se tem quando professor, mas sempre existem possibilidades de mudança, de superações e um ótimo exemplo disso, nos foi proporcionado pelo relato da experiência da APAE de Contagem, descrito pela autora no presente documento. As experiências relatadas pelos educadores que atuam nas SATs (Salas Ambientes Temáticas), nos fazem perceber que existem infinitas possibilidades de criar, modificar, proporcionar atendimento de qualidade a qualquer indivíduo, desde que se tenha boa vontade, planejamento e objetivos pautados na verdadeira prática da inclusão.
Senti-me muito privilegiada ao ler todo este referencial teórico e perceber que dentro da rede de ensino que trabalho praticamos propostas similares ao que as autoras propõe, pois nosso trabalho se encontra pautado  em conjunto com diversos profissionais, estudos constantes sobre novas propostas da neurociências para o desenvolvimento cognitivo do aluno, currículos flexíveis, credibilidade por parte da direção no trabalho docente, alunos participantes do processo de ensino-aprendizagem. Dentro dessa realidade encontram-se alunos Autistas, síndrome de Down que apresentam desenvolvimento às vezes superior aos demais alunos, que aparentemente não apresentam nenhum problema de aprendizagem. Nesse sentido, minha maior dificuldade não é a de trabalhar com alunos de necessidades especiais na rede regular de ensino, mas sim, a de entender como ainda existem discriminações nesse sentido, ou mesmo, como ainda se perpetua a ideia de somente integração e não inclusão. Por isso, ressalto as palavras da autora ao falar sobre o papel do professor na educação inclusiva,

O professor, na perspectiva da educação inclusiva, não é aquele que ministra um “ensino diversificado”, para alguns, mas aquele que prepara atividades diversas para seus alunos (com e sem deficiência mental) ao trabalhar um mesmo conteúdo curricular. As atividades não são graduadas, para atender a níveis diferentes de compreensão e estão disponíveis na sala de aula para seus alunos as escolham livremente, de acordo com o interesse que têm por elas. (BATISTA, 2006, p. 13-14)

Por fim, percebo a grande conquista dos alunos com necessidades educativas especiais estarem frequentando o ensino regular, por outro percebo o quanto ainda a escola e os educadores têm que evoluir em todos os sentidos, para que de fato possamos atender cada aluno respeitando a sua individualidade. Na minha opinião, muitas dessas melhorias cabem a nós, educadores, uma vez que precisamos buscar novos referenciais teóricos, trabalharmos em equipe com todos os profissionais que já atenderam estes alunos, fazendo assim, ano a ano, um processo de continuidade e não um processo de reinício permanente.
Precisamos acreditar que os professores frente à Inclusão, e especial, no caso da Deficiência Mental, deixarão de ser “conteudistas”, preocupados apenas com a transmissão do ensino e procurem centrar-se na aprendizagem, no modo como os alunos aprendem. Sendo assim almejem um trabalho voltado aos Quatro Pilares da Educação[1](Delors,1999): aprender a conhecer[2], aprender a fazer[3], aprender a ser[4] e aprender a viver junto[5]. Quero ressaltar porém que, antes de tentar ensinar dentro destes quatro pilares, todos os educadores deveriam tê-los como filosofia de vida, aplicando-os em sua prática pedagógica, pois se a educação se organiza dentro desses pilares ela estará fazendo juz ao princípio primordial de todas as leis da inclusão: “garantir a todas as pessoas os conhecimentos básicos a uma vida digna.”


[1]   O Relatório Jacques Delors, como assim se tornou conhecido, iniciado em março de 1993 e concluído em setembro de 1996, teve a contribuição de especialistas de todo o mundo, característica que o torna imprescindível diante do processo de globalização das relações econômicas e culturais que estamos vivenciando. O relatório aponta que a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento.
[2]   Aprender para conhecer supõe, antes de tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. O processo de aprendizagem do conhecimento nunca está acabado, e pode enriquecer-se com qualquer experiência.
[3]   Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos e, também como adaptar a educação ao trabalho futuro quando não se pode prever qual será a sua evolução?
[4]   A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta.
[5]   Este desenvolvimento do ser humano, que se desenrola desde o nascimento até à morte, é um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, à relação com o outro.

 REFERÊNCIAS

BATISTA, Cristina Abranches Mota. MANTOAN, Maria Teresa Egler. Educação Inclusiva: atendimento educacional especializado para a deficiência mental.2.ed. Brasília: MEC, SEESP, 2006. 68 p.



2 comentários:

  1. A Inclusão Escolar é um direito que tornou-se legitimado via organizações civis e políticas. Algo universal. As pessoas deficientes encontram um espaço para dizer que o são e o que podem ser. Vejo progressos neste contexto e, a escola comum tem se adaptado a elas. Os professores, por sua vez, têm recebido atenção especial. Observe que os cursos de graduação trazem uma disciplina nesta área do conhecimento e dentro das escola, maioria delas, tem um serviço de Atendimento Educacional Especializado. Enfim, há mudanças de ordem política, econômica (verbas específicas para a Educação Especial), social, relacional, educacional (inclui a questão pedagógica). As críticas sempre existiram, por mais que se faça, ainda faltará alguma coisa, mas faz parte do processo, senão teríamos que parar por que não existiria mais nada a fazer.
    Ah, Ana Lúcia, a título de esclarecimento, as mudanças conceituais difundiram novas terminologias, por exemplo, deficiências, em vez de NEE (Necessidades educacionais Especiais), escola comum, em vez de escola regular (regular ela já é, no sentido de ser regulamentada).
    Abraços.

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    1. Oi Terezinha!
      Obrigada pelos seus esclarecimentos, o texto acima foi escrito há alguns anos atrás, mas somente o coloquei no blog ano passado. Porém, ressalto que ainda há muito há o que se fazer quando falamos em Educação Inclusiva. Uma coisa é o currículo no papel, outra coisa é o currículo oculto. Por mais otimistas que eu e você sejamos quanto a temática Educação Inclusiva ela ainda está longe de alcançar o patamar que realmente deveria. Beijo

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