domingo, 29 de março de 2015

Neurociências e os 4 pilares da educação propostos para o século XXI

Ana Lúcia Hennemann*
Nota: artigo publicado no site Meucerebro

Ontem um menino que brincava me falou que hoje é semente do amanhã...Para não ter medo que este tempo vai passar...Não se desespere não, nem pare de sonhar... Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs... - Gonzaguinha


A criança é a semente do amanhã. Semente que todo dia é ofertada aos cuidados da educação...Quanto tempo levará para ela brotar? Crescer? Tornar-se árvore? Nove anos? Treze anos? Dezoito anos? Vinte e um anos? Menos? Mais? Nada de prazos!  É necessário colocar a educação no coração da sociedade durante toda a vida (Delors, 1999).
Diariamente temos possibilidades de criar novas conexões neurais, novas aprendizagens, por isso educação é algo que nunca chega ao fim, ela faz parte do ser humano, está em todos os lugares, nas mais diversas situações. Contudo, como forma de organização social, há um local que elegemos como foco principal de disseminação do saber, a escola. Esta, assim como a sociedade, vem passando por constantes transformações, e como proposta de melhorias, tem investido em ações que visem o desenvolvimento integral do indivíduo.
O ser humano é o centro do processo educacional, faz-se necessário instrumentalizar os indivíduos para que possam ser protagonistas de seu próprio desenvolvimento e dessa forma ter atitudes mais assertivas, conforme o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) a inspiração para a educação do Século XXI é Paradigma do Desenvolvimento Humano.
Por volta de março de 1993 até setembro de 1996 uma comissão de especialistas coordenada por Jacques Delors - professor, economista e político francês - elaborou um relatório elencando quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento.
A palavra aprendizagem é o ponto chave destes pilares, mas ela contempla diversas dimensões nas quais o ser humano pode ser “trabalhado”, ou seja, a aprendizagem se dá de forma contínua e multifacetada, não se limitando somente a aquisição de conhecimentos, mas aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.
Aprender a conhecer faz menção a busca pelo conhecimento, o que nos faz querer aprender. Aprender a fazer nos fala da prática, das habilidades.  Aprender a conviver ressalta o respeito ao próximo, o pluralismo de ideias, a cooperação. Aprender a ser menciona a compreensão de si mesmo, a introspecção.
Quando foi elaborado este relatório para a UNESCO, Delors e demais integrantes desta comissão já mencionavam o avanço cientifico no âmbito mundial, entretanto ainda desconheciam o quanto este avanço viesse a contribuir com as questões educacionais.
Os quatro pilares propostos para a educação do século XXI, podem ser relacionados com alguns conhecimentos provindos das neurociências:
" Aprender a CONHECER – Esse pilar nos arremete a MOTIVAÇÃO que podem ser as estratégias utilizadas pelo educador visando despertar o interesse do educando. Causar motivos para que o indivíduo tenha o desejo de conhecer mais sobre o assunto. Também pode ser relacionada a RECOMPENSAS, tais como um simples elogio quando o aluno conseguiu realizar a atividade. Ivan Izquierdo, nos diz que “Da mesma forma que sem fome não aprendemos a comer e sem sede não aprendemos a beber água, sem motivação não conseguimos aprender.”
" Aprender a FAZER – O educando através da EXPERIÊNCIA e da PRÁTICA vai tornando a aprendizagem mais significativa, pois aprendemos a medida em que experimentamos e fazemos novas associações. Conforme Suzana Herculano-Houzel: “A aprendizagem é um processo e depende fundamentalmente de experiência, o nosso cérebro aprende por tentativa e erro, ele vai se esculpindo a si próprio conforme ele é usado.”
" Aprender a CONVIVER -  Nosso cérebro possui neurônios especializados em colocar-nos no lugar do outro, são os NEURÔNIOS-ESPELHO – Conforme Ramachandran, “Os neurônios-espelho praticam uma simulação virtual da realidade, pois nosso cérebro adota a perspectiva de outra pessoa e pode inclusive, aprender apenas por observação.” Aprender a conviver proporciona a construção de laços afetivos, fortalece a EMPATIA, pois nos ensina a ter respeito pelo outro.
" Aprender a SER - Uma das últimas áreas a atingir a MATURAÇÃO CEREBRAL é a região frontal, local este responsável pela nossa capacidade de autorregulação. Controle de nossa conduta. Investir no SER é um processo continuo, e conforme Delors envolve todos os demais pilares mencionados.   Da mesma forma Gardner (apud Cosenza) enfatiza que “Os educadores têm por função ajudar o aprendiz a atingir o estágio de mestre” e dessa forma só nos tornamos mestres quando temos autorregulação, ou seja, conseguimos traçar metas, e vamos em busca das mesmas, evidenciando iniciativa, criatividade, perseverança, tolerância e MATURIDADE.
Se a escola é o cenário da educação, se faz necessário que políticas educacionais priorizem a formação continuada dos educadores. Que possibilitem maior entendimento do funcionamento do sistema nervoso, pois a inspiração da Educação do Século XXI, pautada no Paradigma de Desenvolvimento Humano, só será eficaz se realmente o educador entender cada vez mais sobre desenvolvimento humano. Não há como cultivarmos árvores sem entender de sementes...


Referências Bibliográficas:
COSENZA, Ramon. As neurociências e a Educação no século XXI. Fórum de Educação 2012.
DELORS, Jacques. Educação, um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI. Brasília, MEC, UNESCO e Cortez, 1998.
INSTITUTO AYRTON SENNA. Competências Socioemocionais. Disponível em http://educacaosec21.org.br/
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia. Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.

sábado, 7 de março de 2015

Percepção, atenção e observação...

[...]por muito tempo, as pessoas não se davam conta do quanto não sabiam e quanto já sabiam.
 Hoje por sua vez, já sabem, o quanto não sabem, o que as deixam ansiosas.
Duringan e Moreno(2011)


Já reparou como muita informação circula dia a dia “bem na frente de nossos olhos” e se alguém perguntar o que aconteceu, nem sempre conseguimos ter um feedback do assunto... e fica aquela situação: onde é mesmo que vi isso...
Um dos grandes recursos que temos para armazenar  informações é relacioná-las com outras que possuem algo em comum, por isso na atividade proposta a figura nos arremete a pensar em números, números levam a cálculos, cálculos para serem realizados precisam seguir regras, estruturas lógicas e automaticamente ficamos tentando encontrar qual é a lógica para a resolução do fato.
No entanto a resposta não se encaixa a nenhuma equação matemática, trata-se apenas de nossa percepção...ou seja, que local que estes símbolos aparecem? Ao entrarmos dentro de um carro, bem na frente há a alavanca de câmbio (humm, tá certo, depende também do modelo de carro que a pessoa está habituado a usar...) e mesmo que no dia a dia estamos diante dessa informação nem sempre a percebemos, pois ela é apenas mais uma informação...

Willingham autor do livro Por que os alunos não gostam da escola? Menciona que informações podem ser registradas de maneiras diferentes em nossa memória. Por exemplo: pense numa nota de 10 reais, neste momento, sem olhar para a mesma, você conseguiria descrevê-la detalhadamente? O que você lembra? Do animal que está estampado na mesma? Da cor da nota? Do numeral ou da escrita do número... Muitos, nem sequer visualizaram nenhum detalhe da nota de R$ 10,00, apenas lembram dela como um valor simbólico, pois conforme o autor não podemos armazenar tudo em nossa memória, e talvez nem tenhamos a consciência de escolher o que será e o que não será guardado em nossa memória, pois  se não pensamos muito sobre alguma coisa, provavelmente não queremos pensar nela novamente, assim, não será armazenado. Se pensamos sobre algo, procuramos ter maior conhecimento sobre o assunto, nosso cérebro entende que talvez essa informação é importante e que de alguma forma iremos reutilizá-la no futuro. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O surgimento da Neuroeducação



Ana Lúcia Hennemann*
Nota: artigo publicado na Revista Meucerebro

 As práticas pedagógicas começaram a modificar-se com a Educação Inclusiva, sendo que esta trouxe novos desafios, novas formas de percepção do contexto educacional. Por isso, surge um diferencial na Educação: a Neuroeducação, a percepção do sujeito na sua individualidade e nesse sentido vamos refletir sobre o que precisa modificado, quais são os novos olhares que precisamos ter com este indivíduo que diariamente está dentro da sala de aula.
Um dos primeiros relatos que temos sobre a educação com um olhar mais global se dá se dá através das Paideias, na Grécia. As mesmas eram constituídas a partir da concepção de que a comunidade e o indivíduo são responsáveis uns pelos outros e dessa forma vão se transformando, integrando-se e evoluindo.  O indivíduo era percebido sobre seus diversos aspectos e fazia parte de uma cadeia social, cada um era importante. Cada um tinha contribuições para a evolução daquele contexto social.
Entretanto, as concepções mudaram e a educação “abandonou” a  percepção individual e integral do sujeito para um outro aspecto muito diferenciado, o indivíduo valia o quanto ele produzia, em outras palavras, o melhor aluno era aquele que conseguia acumular mais conhecimento. Mas até aqui a escola ainda não era para todos. Apenas alguns privilegiados estudavam.
Conforme Tracey Espinosa, mesmo tendo os direitos assegurados pela Declaração Universal do Direitos Humanos, é somente na década de 1980 que a educação em massa começa fazer parte do cenário educacional e através dessa maior diversidade que se percebe que o sistema educacional necessitava de muitas melhorias.
Todo o conhecimento que se tinha em educação, aprendizagem e comportamento humano, ainda era fruto de pesquisas anteriores ao escaneamento cerebral, e as grandes mudanças começam a ocorrer com o surgimento da Neurociência, que é responsável pelo estudo do sistema nervoso.
A Psicologia, uma das áreas que sempre auxiliou a educação, ao agregar conhecimentos da Neurociência começou a trazer abordagens diferenciadas para o contexto educacional e, dessa forma, a Pedagogia pautada na Educação e Aprendizagem percebeu que se faz necessário um novo olhar educacional, voltar às origens da Paideia e perceber o ser humano como um ser global. Todas as áreas que antes eram “especializadas em” modificam-se e começam a atuar de modo interdisciplinar agregando a nomenclatura de Neuroeducação.
A Neuroeducação não é uma nova área do conhecimento, trata-se da junção dos conhecimentos da Psicologia, Educação e Neurociência. (Figura 1).

A Neuroeducação nos traz uma abordagem diferenciada do que é aprendizagem. Anteriormente, numa visão mais direta poderia se dizer que: “Aprender é a aquisição de novos conhecimentos”. A mesma Neuroeducação nos mostra agora que “Aprender é modificar comportamentos”.
Quando pensamos numa educação inclusiva o significado de aprender dentro destas concepções tem um valor muito significativo. Porque se o sujeito é somente avaliado pelo viés do conhecimento adquirido dentro do contexto escolar certamente a educação não estará sendo inclusiva, mas se ela consegue perceber o educando como alguém que modificou seu comportamento inicial, seja ele, psicomotor, cognitivo ou emocional, desse modo sim, estamos diante de uma educação inclusiva, que prima pelos direitos humanos.
Percebemos indivíduos Downs atuando na sociedade, seja como repórteres, cineastas, professores, e demais profissões, temos entendimento do quão é importante a interação com o meio. Mais ainda, do quão é importante o trabalho de um profissional que tem o entendimento do funcionamento do sistema nervoso.
O neuroeducador, profissional da Neuroeducação, resgata a práxis das Paideias. Ele observa o indivíduo em seus aspectos que precisam ser melhorados e em  suas potencialidades e, através disso, constrói um planejamento individualizado para cada educando. Porém, todos aprendem, pois há modificação de comportamento tanto para o neuroeducador quanto para os educandos, ambos necessitam sair de suas zonas de conforto e dessa forma alcançar patamares mais elevados. Através disso resgata-se um valor primordial que os gregos já conheciam: a cooperação. A sociedade se constitui pelo entendimento da responsabilidade que temos uns com os outros e só podemos mudar a sociedade se mudarmos nossos comportamentos.

Referência Bibliográficas:

TOKUHAMA – ESPINOSA, Tracey. Why Mind, Brain, and Education Scienceis the "New" Brain-Based Education. Disponível online em http://migre.me/lXgK3

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Especialista em Alfabetização, Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia e Pós-graduanda em Neuroaprendizagem. E-mail: ana.hennemann@outlook.com

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Transtorno de Conduta


Ana Lúcia Hennemann*

Fato 1:
O garoto de 8 anos colocou o caderno fechado embaixo da mesa, a professora parou ao seu lado e questionou: - Terminou!
E ele com um sorriso no canto da boca responde: - Sim, prontinho! E desviando o olhar pôs-se a procurar algo em seu estojo.
- Por favor, posso dar uma olhada em seu caderno? - perguntou a professora. Olhando-a fixamente e esboçando outro sorriso, o garoto lhe entrega o mesmo.
Apenas a data do dia constava ali e quando questionado sobre o restante da atividade, ele calmamente folheia as páginas do mesmo e menciona que não sabe o que aconteceu, pois tinha certeza que havia copiado.
Fato 2:
Naquele dia tirou o lápis da mão da colega, quebrou-o e jogou longe.  Os diálogos não estavam funcionando, a cena já estava se repetindo. A professora solicitou a agenda, escreveu um recado aos pais. O término da aula chegou, ela viu quando ele rasgou a página da agenda e colocou embaixo da mesa, então calmamente o questionou: - Lembrou de pegar todos os teus pertences? Olhaste embaixo da mesa?
- Tudo que preciso está na mochila professora!
Fato 3:
Todos estavam posicionados olhando para a porta, a qualquer momento a aniversariante entraria... 3, 2, 1 começou o canto de parabéns. Era um dia de festa, eis que em determinado momento uma das crianças que não falava (mutismo seletivo) sai da sala correndo e chorando. Inúmeras perguntas foram feitas para que se tentasse entender o que havia acontecido. Nas costas, a marca de um soco que alguém lhe dera durante aquele momento em que todos cantavam.
O suposto suspeito mostrava-se desolado e comentava com os demais colegas: - Quem pode ter tido a coragem de fazer isso com aquele coitadinho?

    O Transtorno de Conduta classificado como um dos Transtornos Disruptivos, do controle de impulsos e da conduta, pode ter seu início na infância. Pequenos atos que evidenciam falta de sentimentos ao sofrimento alheio, demonstrações de agressividade física para com os outros ou mesmo torturas praticadas com animais, denotam um olhar mais atento do adulto em relação às atitudes da criança. Conforme DSM-V algumas características deste transtorno aparecem antes de 10 anos e geralmente são meninos.
   Conforme Burke (et al, 2002) é um padrão comportamental repetitivo e persistente no qual são violados direitos básicos de outras pessoas ou normas ou regaras sociais relevantes e apropriadas para a idade, podem implicar uma conduta agressiva de ferir ou ameaçar outras pessoas ou animais, desonestidade ou violações graves de regras.
Indivíduos com o transtorno de conduta apresentam:
- Ausência de remorso ou culpa: não se sentem mal quando fazem algo errado e nem se preocupam quanto às consequências negativas de suas ações.
- Insensibilidade – falta de empatia: ignora e não está preocupado com os sentimentos de outras pessoas.
- Despreocupação com o desempenho: não se preocupa com o desempenho escolar, com o trabalho ou outras atividades importantes. Geralmente culpa os outros pelas situações.
- Afeto superficial ou deficiente: não expressam sentimentos e nem demonstram emoções para os outros, a não ser de uma maneira que parece superficial, insincera ou rasa (ex. as ações contradizem a emoção demonstrada; pode “ligar” ou “desligar” emoções rapidamente) ou quando as expressões emocionais são usadas para obter algum ganho (ex. emoções com a finalidade de manipular ou intimidar outras pessoas).
    O DSM-V apresenta os seguintes critérios para o diagnóstico de transtorno de Conduta:
Um padrão de comportamento repetitivo e persistente no qual são violados direitos básicos de outras pessoas ou normas ou regras sociais relevantes e apropriadas para idade
- presença de ao menos 3 dos 15 critérios seguintes, nos últimos 12 meses, mas com ao menos 1 critério presente nos últimos 6 meses.
A
- Agressão a Pessoas e Animais
1) Frequentemente provoca, ameaça ou intimida outros.
2) Frequentemente inicia brigas físicas.
3) Usou alguma arma que pode causar danos físicos graves a outros (ex. bastão, tijolo, garrafa quebrada, faca, arama de fogo)
4) Foi fisicamente cruel com as pessoas.
5) Foi fisicamente cruel com animais.
6) Roubou durante o confronto com uma vítima (ex. assalto, roubo de bolsa, extorsão, roubo à mão armada)
7) Forçou alguém a atividade sexual.

- Destruição de propriedade
8) Envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndios com a intenção de causar danos graves.
9) Destruiu deliberadamente propriedade de outras pessoas (excluindo provocação de incêndios)

-Falsidade ou Furto
10) Invadiu a casa, o edifício ou o carro de outra pessoa.
11) Frequentemente mente para obter bens materiais ou favores ou para evitar obrigações (“trapaceia”)
12) Furtou itens de valores consideráveis sem confrontar a vítima (ex: furto em lojas, mas sem invadir ou forçar a entrada; falsificação)

- Violações Graves de Regras
13) Frequentemente fica fora de casa à noite, apesar da proibição dos pais, com início antes dos 13 anos de idade.
14) Fugiu de casa, passando a noite fora, pelo menos duas vezes enquanto morando com os pais ou em lar substituto, ou uma vez sem retornar por um longo período.
15) Com frequência falta às aulas, com ínicio antes dos 13 anos de idade
B
A perturbação comportamental causa prejuízos clinicamente significativos no funcionamento social, acadêmico ou profissional.
C
Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, os critérios para transtornos de personalidade antissocial não são preenchidos

   Conforme Teixeira (2013, p.65) na escola essas são algumas ações perceptíveis do transtorno de conduta:

 Mentiras
 Agressões físicas
 “Matar aula”
 Destruição de carteiras
 Roubo de material escolar
 Agressividade e ameaças contra professores e alunos
 Hostilidade com colegas de turma
 Ausência de remorso
 Comportamento sádico
 Consumo de álcool e drogas
 Desempenho escolar fraco
 Isolamento social
 Prática de bullying

    Sugere-se que as famílias juntamente com a escola permaneçam atentos e utilizem-se de medidas socioeducativas, treinamento de habilidades sociais e técnicas cognitivo-comportamentais como forma de controlar a agressão, a modulação do comportamento social e o estímulo ao diálogo e melhoria de relacionamento.

Referência Bibliográfica:
APA. Referência Rápida aso Critérios Diagnósticos do DSM-V. Porto Alegre: Artmed, 2014
TEIXEIRA, Gustavo. Manual dos Transtornos Escolares: entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013.
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.

   Email: ana.hennemann@outlook.com   

TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade


Ana Lúcia Hennemann*

O sinal anunciava o início da aula, as crianças já se encontravam na fila. Alguns pais acompanhavam apreensivos a entrada das crianças à sala de aula, observavam o menino num estado de euforia pulando sobre os ombros dos colegas, quase os derrubando. Apresentava uma fala ligeira e cheia de gestos, entretanto não tinha noção espacial de seu corpo e não percebia quando a extensão de seu braço atingia o corpo dos demais.  
Na sala de aula, mostrava-se inquieto, o espaço da mesma era pequeno demais para ele, não conseguia organizar-se, o lápis com frequência caia no chão, o caderno incompleto cheio de dobras nas pontas, a borracha num instante se transformava num carrinho.
Na mochila, além de todos os pertences escolares também estavam vários brinquedos, que constantemente insistia em pegá-los durante a execução de tarefas escolares.
O conteúdo da aula era deixado de lado por qualquer motivo.  
Cadeira, pra que serve mesmo? aquele corpinho inquieto mal conseguia permanecer 15 minutos sentado. Porém o problema é que sua inquietação tirava a concentração dos demais...hora de chamar a família...
Na fala entristecida o histórico de pais que já conheciam todo o repertório do diálogo proposto, já não era a primeira escola pela qual passavam, a inquietação do filho, a falta de atenção nas atividades, as brincadeiras constantes, a dificuldade de cumprir regras, a desatenção...
Em casa também vivenciavam as mesmas situações, mas mencionaram que não entendiam, pois a criança era tão inteligente e conseguia passar muito tempo concentrado no computador...

    Existem muitos mitos em torno do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas este é distúrbio neurobiológico crônico que afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar e sua prevalência é maior entre os meninos. Esses sinais devem obrigatoriamente manifestar-se na infância, mas podem perdurar por toda a vida, se não forem devidamente reconhecidos e tratados. Os sintomas incluem dificuldade em se concentrar e prestar atenção além da dificuldade em controlar o comportamento.
    Segundo  Leonardi, Rubano e Assis (2010, p.114), estudos de neuroimagem e de neurobiologia mostraram que crianças com TDAH possuem volumes cerebrais quase 3% menores que o restante da população e assimetrias no córtex pré-frontal, estriado e cerebelo, além de alterações no funcionamento de alguns neurotransmissores, em especial dopamina e noradrenalina.
   Nesse sentido, o TDAH não acontece devido a fatores culturais ou conflitos psicológicos, mas por apresentar alterações na região frontal do cérebro, responsável pela inibição do comportamento e do controle da atenção.
    De acordo com o Manual de Classificação das Doenças Mentais – DSM-V, o TDAH é considerado um Transtorno do Neurodesenvolvimento apresentando as seguintes características:
Desatenção: falta de atenção para detalhes, cometem erros por omissão, as tarefas são realizadas sem o devido cuidado e meticulosidade, dificuldade para manter a atenção, dificuldade para persistir e terminar as tarefas, parece estar com a cabeça “em outro lugar”.
Hiperatividade: inquietação, não consegue permanecer quieto ou sentado por muito tempo e quando deveria; apresenta dificuldade em realizar tarefas de lazer em silêncio; demonstra estar “a todo vapor”.
Impulsividade: impaciência, não espera sua vez, responde antes da pergunta ser finalizada, interrompe conversas alheias.
 Os critérios para o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são
Seis (ou mais) dos seguintes sintomas persistem por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais. Para adolescentes mais velhos e adultos (17 anos ou mais), pelo menos cinco sintomas são necessários.
A
1)Desatenção: (Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção (duração mínima de 6 meses)
a) Frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares, no trabalho ou durante outras atividades (p. ex, negligencia ou deixa passar detalhes, o trabalho é impreciso).
b) Frequentemente tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas (p. ex, dificuldade de manter o foco durante aulas, conversas ou leituras prolongadas).
c) Frequentemente parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente (p. ex, parece estar com a cabeça longe, mesmo na ausência de qualquer distração óbvia).
d) Frequentemente não segue instruções até o fim e não consegue e não consegue terminar trabalhos escolares, tarefas ou deveres no local de trabalho (p. ex, começa as tarefas, mas rapidamente perde o foco e facilmente perde o rumo).
e) Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades (p. ex, dificuldade em gerenciar tarefas sequenciais; dificuldade em manter materiais e objetos pessoais em ordem; trabalho desorganizado e desleixado; mau gerenciamento do tempo; dificuldade em cumprir prazos).
f ) Frequentemente evita, não gosta ou reluta em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado (p. ex, trabalhos escolares ou lições de casa; para adolescentes mais velhos e adultos, preparo de relatórios, preenchimento de formulários, revisão de trabalhos longos).
g) Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (p. ex, materiais escolares, lápis, livros, instrumentos, carteiras, chaves, documentos, óculos, celular).

2) Hiperatividade e Impulsividade:
Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade (duração mínima de 6 meses)

a) Frequentemente remexe ou batuca as mãos ou os pés ou se contorce na cadeira;
b) Frequentemente levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado (p. ex, sai do seu lugar em sala de aula, no escritório ou em outro lugar de trabalho ou em outras situações que exijam que se permaneça em um mesmo lugar).
 c) Frequentemente corre ou sobe nas coisas em situações em que isso é inapropriado. Nota: Em adolescentes ou adultos, pode se limitar a sensações de inquietude).
 d) Com frequência é incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente
e) Com frequência “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado” (p. ex, não consegue ou se sente desconfortável em ficar parado por muito tempo, como em restaurantes, reuniões, outros podem ver o indivíduo como inquieto ou difícil de acompanhar.

Impulsividade (duração mínima de 6 meses)
 f) Frequentemente fala demais.
g) Frequentemente deixa escapar uma resposta antes que a pergunta tenha sido concluída (p. ex, termina frases dos outros, não consegue aguardar a vez de falar).
h) Frequentemente tem dificuldade para esperar a sua vez (p. ex, aguardar em uma fila)
i) Frequentemente interrompe ou se intromete (p. ex, mete-se nas conversas, jogos ou atividades; pode começar a usar as coisas de outras pessoas sem pedir ou receber permissão; para adolescentes ou adultos, pode intrometer-se em ou assumir o controle sobre o que os outros estão fazendo.
B
Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estavam presentes antes dos 12 anos de idade
C
Vários sintomas de desatenção ou hiperatividade-impulsividade estão presentes em dois ou mais ambientes (p. ex, em casa, na escola, no trabalho; com amigos ou parentes; em outras atividades).
D
Há evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou profissional ou de que reduzem a sua qualidade.

E
Os sintomas não ocorrem durante o curso de esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (p. ex, transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo, transtorno da personalidade, intoxicação ou abuso de substâncias). 


TEIXEIRA (2010, p 65 - 67) elenca algumas atitudes que o indivíduo com TDAH pode manifestar na escola:
® Deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades.
® Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
® Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.
® Não segue instruções e não termina seus deveres escolares.
® Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
® Evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em atividades que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).
® Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por exemplo: brinquedos, lápis, livros, etc.).
® É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa.
® Apresenta esquecimento em atividades diárias.
® Agita as mãos ou pés, ou se remexe na cadeira.
® Abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado.
® Corre ou escala em demasia, em situações nas quais fazer isso é inapropriado (em adolescentes e adultos pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação).
® Tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.
® Fica a “mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”.
® Fala muito.
® Dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas.
® Tem dificuldade para aguardar a vez.
® Interrompe ou se mete em assuntos dos outros (por exemplo: intromete-se em conversas ou brincadeiras).

Visando o melhor desempenho destes alunos em sala de aula, sugere-se que os professores:
ï Organizem as mesas em círculos, ou em forma de U, ao invés de fileiras: facilita o contato e particularmente o “olho no olho” com os demais colegas da classe;
ï Ensinem técnicas de organização e de estudo;
ï Estimulem e reforcem positivamente atitudes assertivas através de elogios;
ï Proporcionem atividades que contemplem as inteligências múltiplas.

Fonte: G1


Para maior entendimento , assista ao vídeo do Psicólogo Thales Vianna Coutinho: 




Referência Bibliográfica:

COUTINHO, Thales. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Youtube Canal TVCChanelNews
LEONARDI, Jan. RUBANO, Denize. ASSIS, Fátima. Subsídios da Análise do Comportamento para Avaliação de Diagnóstico e Tratamento do Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). In.: Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doença de indivíduos. CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE SÃO PAULO. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.
SOUZA, Felipe. Transtornos do Neurodesenvolvimento. Disponível online em: http://pt.slideshare.net/FelipedeSouza10/curso-dsm-5-transtornos-do-neurodesenvolvimento
TEIXEIRA, Gustavo. Manual dos Transtornos Escolares: entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013.
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.

   Email: ana.hennemann@outlook.com