sábado, 20 de dezembro de 2014

Prazer em conhecer – A aventura da ciência e da educação


Existem pessoas que são fenomenais, emocionam outros através de sua trajetória de vida, agradando diferentes públicos, fazendo narrativas de ciências, história, geografia, filosofia e diversas outras áreas de conhecimento. E é dessa forma que o livro Prazer em Conhecer – A aventura da ciência e da educação que Drauzio Varella e Miguel Nicolelis dialogam num bate papo muito extrovertido intermediados por Gilberto Dimenstein, contando a trajetória de suas vidas desde a infância.
Os sonhos eram audaciosos para as condições financeiras dos entrevistados, mas eles ousaram sonhar e correr atrás de seus ideais. O sucesso de hoje representa a meta traçada no ontem. Gilberto Dimenstein inicia o livro falando da semelhança entre estes dois cientistas: paulistanos, descendentes de famílias imigrantes, educação básica em escola pública, cursaram medicina na USP, dedicaram-se à pesquisa e aos poucos a educação tornou-se o grande projeto da vida de ambos. O livro divide-se em 5 emocionantes capítulos:
- Primeiras lições – O primeiro capítulo nos faz viajar no tempo e espaço e imaginar Nicolelis e Dráuzio ainda crianças, tendo seus primeiros contatos com o mundo científico, das descobertas, das curiosidades. Nicolelis menciona a importância de sua vó como a personagem que lhe amplia os horizontes e o faz ir à busca de seus ideais, enfatiza que ela foi a sua mentora. Ela apaixonada pelas histórias do Brasil, da construção do império, de um novo país por Dom Pedro I, faz com que o neto tenha esse ideal também, o ideal de construir um futuro melhor, um país melhor. Drauzio conta suas experiências com a doença da mãe, iniciadas quando ainda tinha 2 anos de idade e aos 8 anos a morte bate a casa de sua vó, imagens que ficaram gravadas em seu inconsciente: acompanhar a evolução da doença dia a dia, ano a ano, numa época em que os recursos médicos eram precários, que pouco se sabia sobre algumas doenças, e foi dessa forma que teve o desejo de ser médico.
Essas imagens ficaram fortemente gravadas, essa experiência de convívio com a doença desde pequeno. Meu pai dizia que a primeira vez que me perguntaram o que eu queria ser, respondi que ia ser médico. E nunca mudei de ideia, nunca me arrependi nem pensei em ter outra profissão.
Drauzio Varella (2014, p. 20)
- A meia dúzia que faz a diferença – Neste segundo capítulo, Miguel Nicolelis conta sua trajetória no Colégio Bandeirantes, o prêmio em dinheiro que recebeu por ser um dos alunos de destaque no ano e que serviu de entrada para a primeira casa própria da família. Também faz menção a importância do cientista ser aberto para ruptura de dogmas, pois na concepção dele: ciência precisa de inovação, percepção de diferentes olhares, ou seja olhar para o novo, para o desconhecido e questionar: - Ei, vocês já pensaram nisso?
O Colégio Bandeirantes foi excelente para mim porque representou um Everest, uma montanha que todo mundo à minha volta dizia que não tinha como um menino proveniente do grupo escolar, como eu, escalar. Foi a escola que me introduziu no universo empírico da ciência. Ali não havia choro: fazíamos simulado todo domingo de manhã. Os alunos podiam fazer o que quisessem: Não ir à aula, estudar onde quisessem...Mas havia duas semanas de prova, dia sim, dia não; quem não passasse ia embora. A gente o chamava carinhosamente de Campo de Concentração Colégio Bandeirantes.
Miguel Nicolelis (2014, p. 33)
Interessante aqui é o depoimento de Drauzio Varella contando sua entrada na USP e suas expectativas do mundo acadêmico, sendo que ele enfatiza que cada um de nós tem uns 200 professores durante a vida, mas aqueles que realmente mudam nosso destino não passam de cinco ou seis, pois estes têm um forte compromisso, um comprometimento com aquilo que fazem, eles realmente acreditam no seu trabalho. (Varella, 2014)
- Momento de decisão – Nicolelis conta seus primeiros dias na USP fazendo menção ao professor de neurofisiologia mas que dava aulas de astronomia para pessoas que tivessem interesse sobre o assunto. Numa destas aulas Nicolelis teve um insight, pois o professor mostrou um projeto do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, que na época tinha a maior antena radiotelescópica do mundo onde a equipe deste observatório decidiu criar uma rede de dezenas de radiotelescópios pelo mundo apontando simultaneamente para o mesmo setor do universo a fim de fazer um mapa completo de rádio visando obter uma imagem realmente detalhada daquele setor. Então Nicolelis propôs fazer esta mesma experiência, porém com o cérebro humano, colocando centenas de eletrodos numa única só vez para examinar a população de neurônios de determinado setor do cérebro.
Drauzio relata suas primeiras experiências como médico e a dica de seu professor para que estudasse sobre imunologia, pois era uma área que na época ninguém conhecia.
[...] estou na faculdade de medicina, tem um louco que é professor de fisiologia na minha frente falando de Andrômeda???[...] Pensei que ficaria nisso, mas então ele passa a falar a respeito da Via láctea, situando onde nós estávamos. Começou, basicamente, a dizer o quão insignificantes eram nosso Sol e nosso planeta, quão completamente sem propósito era a nossa vida, procurando mostrar que a única coisa que realmente interessava era construir um propósito pessoal ao longo da vida, e que a ciência era o caminho. Miguel Nicolelis (2014, p 39-40)
- A construção do propósito – No penúltimo capítulo Nicolelis conta a inusitada história de como se tornou um especialista em vibrissas (pelos da face, ao redor das narinas) de ratos e de que forma isso o levou ao projeto “brain-machine interface”(interface cérebro-máquina). Também Drauzio faz o relato sobre como entrou no mundo da comunicação, seus receios de ser mal visto pelos demais médicos, pois na época médicos não tinham este tipo de atividade, mas também faz menção ao imenso prazer que tem em ensinar.   
- Aprender: caminho para a liberdade – E eis o último capítulo, com uma emocionante narrativa de Drauzio Varella contando suas experiências como professor em cursos universitários. Ele enfatiza a importância do professor lecionar diversas vezes a mesma matéria, pois dessa forma ele vai se apropriando da experiência do que realmente é eficaz para a aprendizagem do aluno, naquele conteúdo. Também, traz uma abordagem do trabalho desenvolvido na Casa de Detenção na década de 1980, com intuito de trazer esclarecimentos sobre a Aids, sendo que no início deste projeto 17% dos presidiários estavam contaminados.
Como forma de libertação humana, Nicolelis fala da escola empírica que está estruturada em Natal, onde as crianças são agentes de transformação da aprendizagem, onde talvez serão nossos futuros disseminadores do conhecimento, mas que no momento presente o importante é que estão sendo felizes.   

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Duas mulheres, um século de diferença e um ideal em comum

Ana Lúcia Hennemann

O mundo está cheio de pessoas que fazem a diferença e mudam a história da vida de muitos indivíduos. Pessoas que ampliam seus horizontes, saindo de situações desfavoráveis e trazem benefício à muitos em sua volta.
 Um dos grandes trunfos que muitas destas pessoas citam é justamente a educação. A possibilidade do homem ampliar seus horizontes e perceber que a realidade pode ser modificada a qualquer momento. A educação é um “bem de consumo” que muitos ainda não têm acesso, por isso em 1990 na Conferência de Jomtien foram estabelecidas metas que tentam resolver alguns dos problemas educacionais a serem destacados abaixo:  
- mais de 100 milhões de crianças, das quais pelo menos 60 milhões são meninas, não têm acesso ao ensino primário;
- mais de 960 milhões de adultos – dois terços dos quais mulheres são analfabetos, e o analfabetismo funcional é um problema significativo em todos os países industrializados ou em desenvolvimento;
- mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a perceber e a adaptar-se às mudanças sociais e culturais; e
- mais de 100 milhões de crianças e incontáveis adultos não conseguem concluir o ciclo básico, e outros milhões, apesar de concluí-lo, não conseguem adquirir conhecimentos e habilidades essenciais.(UNICEF, 1990)

Quando as metas educacionais foram criadas, pensou-se justamente em pessoas como a paquistanesa, Malala Yousafzai.
Esta jovem de 17 anos emocionou o mundo quando começou a contar sobre suas privações em um blog clandestino, iniciado em 2009, aos 11 anos, ela publicava sob um pseudônimo, através da BBC local. O blog era um diário onde denunciava as atrocidades cometidas pelo Talibã contra meninas que iam à escola em áreas sob controle da milícia.
Em outubro 2012, um membro do Talibã disparou contra Malala atingindo-a na cabeça. Ela sobreviveu e vive em Birmingham na Inglaterra, juntamente com sua família.
Foi reconhecida internacionalmente e no seu discurso do Prêmio Nobel da Paz (2014), Malala enfatizou: "Uma criança, um professor, um livro e um lápis podem mudar o mundo".
E Malaia tem razão, um único professor pode fazer um diferencial muito grande na vida de muitos cidadãos, e como exemplo disso, cito alguém que talvez não teve tanto reconhecimento, mas assim como Malala, fez um diferencial para o mundo.
Mary McLeod Bethune (1875-1955), poucos sequer tomaram conhecimento de sua existência, mas ela na simplicidade de seu ser fez contribuições significativas à humanidade.

Seus pais e irmãos mais velhos eram escravos na Carolina do Sul (EUA) e ela começou a trabalhar aos 5 anos de idade. Mary McLeod teve o desejo de aprender por entender que aquilo faria um diferencial em sua vida, dizem que um dia foi à casa dos patrões fazer uma entrega juntamente com sua mãe e ali viu um quarto repleto de livros, deslumbrada com tudo, começou a folhear as páginas daquele mundo tão diferente do seu, mas no auge de sua euforia, recebeu um tapa em suas mãos e um aviso dos patrões de que aqueles objetos pertenciam somente aos brancos.
McLeod sentiu o desejo de mudança, o desejo de aprender o que estava naqueles papéis, naquele mundo que ainda não lhe pertencia. E nessa nova perspectiva de vida, conseguiu alguém que lhe ensinasse a ler e a decifrar este código chamado leitura.
Ela foi a única de sua família que teve acesso aos estudos, e viajava muitos quilômetros diariamente para que conseguisse este feito. Mas não parou por ai, tornou-se professora, ensinou muitos a ler e de cada um cobrava US$1 (um dólar), para que pudesse investir na educação de novas pessoas, novos candidatos ao saber.
McLeod, montou uma escola, uma universidade (Universidade Bethune-Cookman) e uma grande população teve acesso ao ensino através da perseverança desta mulher. Na atualidade, a fundação por ela formada migrou para a África, pois lá ainda há muitos que não tem acesso ao ensino. Ainda há muitos que tem um desejo imenso do saber, mas suas privações ainda são maiores que suas vontades.
Exemplos como Malaia e McLeod estão separadas por um século, mas ambas sabem o que fazer com um lápis, com um papel e acima de tudo com o respeito da figura do professor.
Imaginem o dia que as pessoas se perceberem com um computador, com uma rede social, uma megaenciclópédia e com milhares de professores a seu inteiro dispor...


Referências Bibliográficas:

Mary Jane McLeod Bethune. (2014). O site Biography.com. Disponível online em  http://www.biography.com/people/mary-McLeod Bethune--9211266.

UNICEF. Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Disponível online em: http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10230.htm


VEJA, Online. Malala e ativista indiano ganham o Nobel da Paz. Disponível online em http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/malala-e-indiano-ganham-o-nobel-da-paz-por-seus-trabalhos-pela-educacao#galeria

Desamparo Aprendido

Ana Lúcia Hennemann
Imagem: Cena do filme “A História sem fim”(1984), onde Atrax o cavalo, atolado no pântano, ficou tão deprimido e parou de se mover, tornando-se assim impotente quando fez  esta escolha. 

O desamparo aprendido é quando as pessoas se sentem impotentes para lidar com  situações negativas porque as experiências anteriores mostram-lhes que elas não têm como resolver a situação.
Em 1965, o psicólogo Martin Seligman, da Universidade de Pensilvânia, realizou um experimento baseado no condicionamento clássico de Pavlov, (cada vez que um sino tocava, os cães salivavam pois sabiam que receberiam um alimento em seguida). Porém, no experimento de Seligman ele usou dois grupos de cães.  Um dos grupos foi colocado em uma jaula na qual o chão estava conectado a uma corrente elétrica, que disparava de tempos em tempos pequenos choques, de baixa intensidade. O outro grupo foi colocado em outra jaula, porém, havia um dispositivo onde eles conseguiam facilmente desligar o sistema que provocava os choques.
Após um período inicial em que os cães ficaram acostumados às suas jaulas, Seligman mudou-os de ambiente, colocando-os em jaulas, com o mesmo sistema de choques, mas com uma barreira muito baixa, que qualquer um dos animais podia pular sem dificuldade.
Mas algo inesperado aconteceu, ao invés de tentarem se livrar do choque, os cães do primeiro grupo se deitavam e permaneciam naquele local.
Mas no segundo grupo, constituído de cães que não haviam passado pelo condicionamento do choque, rapidamente eles descobriram estratégias para fugir daquele local.  
Os cães, do primeiro grupo, haviam “aprendido” que não havia nada que pudessem fazer para evitar os choques, e por isso nem tentavam sair daquela situação. O experimento de Seligman ficou conhecido como DESAMPARO APRENDIDO, ou seja, não adianta tentar sair de uma situação negativa porque o passado ensinou que tudo iria acontecer do mesmo jeito.
E qual a relação disso para nossas vidas?
Simples, se alguém experimenta situações desfavoráveis durante muito tempo, pensam que não há como escapar das situações e acabam sendo coniventes com tudo que lhes acontece. Perdem a vontade de buscar mudanças, acostumam-se com a ideia de que não há alternativas.
Um exemplo disso: você vota? Para você seu voto é importante? Ou nenhum dos políticos prestam e o seu voto não vai fazer diferença nenhuma?
É estranho isso!!! Mas, quando lemos a respeito dos cães, nos perguntamos porque eles simplesmente não saiam daquela condição? Entretanto, o desamparo aprendido faz com que muitos adultos deixam de lutar, de tentar algo melhor, de buscar outras alternativas.
A política é apenas um exemplo, mas existem diversas outras situações em que as pessoas preferem “levar choque”, ao invés de ampliar seu campo de visão e olhar para outros lados. Sim, olhando por esta perspectiva é muito estranho, mas é muito mais comum do que imaginamos!
Outro exemplo: alunos com baixo desempenho escolar a longo prazo tendem a criar uma autoimagem de não aprendizagem, antecipam para o si o fracasso e com isso deixam de buscar alternativas eficazes para a mudança. Conforme Smith e Strick (2011) “Uma vez que um estudante desista de tentar, o fracasso está praticamente garantido.”
O desamparo aprendido mexe com questões primordiais de todo ser humano: a motivação e a autoestima. O indivíduo que não tem um motivo para lutar, ele não vive, ele não consegue ter perspectivas de melhoras, qualquer caminho está bom; da mesma forma se o indivíduo não consegue olhar para si mesmo e se enxergar como um sujeito de mudança, então sua autoestima se transforma numa “baixaestima”, e assim como os cães de Seligman, a única alternativa que resta é deitar e saber que irá receber choques de qualquer maneira...
Entretanto, sempre é relevante lembrar que motivação é algo que vem de dentro de nós, e no momento em que tomamos a decisão da mudança, ela já começa a acontecer, pois, nossos pensamentos influenciam na nossa realidade. Alguma dúvida? Que tal conhecer a história de Viktor Frankl? Certamente ele é um exemplo de que sempre há novas perspectivas, independente da situação!


Referências:
MYERS, David. Psicologia Social. 10ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010
ROGERS, Bill. Gestão de relacionamento e comportamento em sala de aula. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
SMITH, Corine. STRICK, Lisa. Dificuldades de Aprendizagem de A-Z. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2011.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Currículo oculto

Imagem: Mauricio de Sousa

Vivemos num mundo repleto de linguagem, tanto verbal, quanto não-verbal. A linguagem é o modo que nos utilizamos para nos comunicar com os outros, e  ela não necessita de palavras, nem de escrita, pode simplesmente ser expressada através de símbolos, placas, gestos...
Lá pela década de 1920, a arte cinematográfica era constituída por filmes mudos. O artista tinha que saber transmitir através do corpo todo o enredo da história, e o público por sua vez aprendia a focar nos detalhes, a perceber o outro por aquilo que ele não disse, mas sim pelo que ele fez.
Oscar Wilde dizia que "A vida imita a arte", mas também é correto afirmar que  "a arte imita a vida", e o cinema nada mais fez do que enfatizar aquilo que mais fazemos no cotidiano: Expressar-se através do corpo, pois ele é um veículo de linguagem, tudo em nós fala. Nossos atos valem mais que nossas palavras, eles são o nosso currículo oculto. É o que não dizemos, mas praticamos, consciente ou inconscientemente, ou seja, tudo aquilo que é feito, mas nem sempre entra em conformidade com aquilo que se diz.
Por exemplo: quando um pai diz para o filho: - Coloque o lixo na lixeira! Porém, em determinados momentos o filho vê o pai agindo em contradição, praticando justamente o contrário do que ele diz, eis aí um currículo oculto se instalando na percepção da criança;

E crianças são assim, atentas a tudo e a todos, ávidas para entender o mundo ao qual estão inseridas. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Múltiplas Inteligências, como auxiliar no desenvolvimento


Inteligência Linguística
Características
Atividades para estimular
Capacidade de usar as palavras de forma efetiva, seja verbalmente ou pela escrita;  inclui a capacidade de manipular a sintaxe, a semântica e as dimensões pragmáticas.
Para estimular essa inteligência, desenvolva atividades como contação de histórias, produção de trechos de histórias iniciadas por colegas, transformação de um gênero para outro, por exemplo adaptar uma fábula para uma peça de teatro, trava-línguas, palavras-cruzadas. As crianças precisam ouvir muitas palavras novas, participar de conversas estimulantes, construir com palavras imagens, aprender uma língua estrangeira, trabalhar jogos de memória com nomes locais, discutir, ler e escrever histórias, fazer malabarismo com vocabulário, entrevistar, fazer quebra-cabeças, jogos de soletração, integrar redação e leitura com outras áreas de assuntos, produzir, editar e supervisionar revista ou jornal da escola ...
Inteligência Lógico-Matemática
Características
Atividades para estimular
 Capacidade de usar os números de forma efetiva, raciocinar bem, inclui sensibilidade a padrões e relacionamentos lógicos, funções e outras abstrações relacionadas.
Uso jogos de raciocínio e estratégia como xadrez, dominó, cubo mágico, sudoku, resolução de enigmas lógicos. Também brinquedos de desmontar e montar, bem como  encaixar peças. Estimular a resolução de problemas e jogos matemáticos. Incentivar a interpretação de dados. Estimular as próprias potencialidades. Utilizar experimentos práticos e previsões. Integrar organização e matemática em outras áreas curriculares. Ter um lugar para tudo. Possibilitar a realização das coisas passo a passo. Usar raciocínio dedutivo
Inteligência Visuo-Espacial
Características
Atividades para estimular
Capacidade de perceber com precisão o mundo visual espacial, e de realizar transformações sobre essas percepções, envolve sensibilidade a cor, linha, forma, configurações e espaço, e às relações existentes entre eles. Inclui a capacidade de representar graficamente ideias visuais e de orientar-se em uma matriz espacial.
Brinquedos como lego de montar e encaixar, origami, tétris; atividades de desenho, como copiar objetos reais para o papel, esculpir materiais. organização dos próprios brinquedos em espaço determinado  Ensinar técnicas de estudo visuais, como, por exemplo, a utilização de sublinhados coloridos ou a elaboração de mapas de ideias, gráficos ou esquemas.
Inteligência Musical
Características
Atividades para estimular
Capacidade de perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais. Inclui sensibilidade ao ritmo, tom ou melodia, e timbre de uma peça musical.
 Para estimular essa inteligência, trabalhe a construção de brinquedos musicais com materiais do dia-a-dia, como panelas, copos, lápis e tudo o mais, usando-os para desenvolver ritmos e melodias, imitar diferentes sons com a própria voz. Tocar um instrumento musical.  Trabalhar com música. Aprender através de canções, de poemas com rima. Ligar-se a um coral ou a um grupo musical. Escrever música. Integrar música com assuntos de outras áreas. Usar música para relaxar.
Inteligência Cinestésica
Características
Atividades para estimular
Capacidade em usar o corpo para expressar ideias e sentimentos. Facilidade no uso das mãos, para produzir ou transformar coisas. Inclui habilidades físicas específicas tais como: coordenação, equilíbrio, força, destreza, flexibilidade e velocidade.
Jogos como mímica, brincar de sério; atividades como cerâmica, dança, teatro e esportes em geral ajudam nessa inteligência. Integrar o movimento em todas as áreas do currículo. Usar a dança, o movimento, os jogos e as técnicas manipulativas para aprender. Fazer mudanças na sala a intervalos frequentes. Relacionar movimentos aos conteúdos de estudo. Usar o corpo para se concentrar e relaxar. Fazer viagens. Utilizar teatro.
Inteligência Interpessoal
Características
Atividades para estimular
Capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sentimentos das outras pessoas, influenciam um grupo de pessoas para que sigam, certa linha de ação.
Pode-se trabalhar atividades de revezamento ou equipe, onde um tem que esperar e depende da atividade do outro para poder fazer a sua, como revezamento em natação, futebol. Ensinar algo a outra pessoa também é uma ótima tarefa, como ajudar alguém a corrigir os próprios deveres de casa. Desenvolver a cooperação, tutelar ou orientar os outros, fazer diversos intervalos para socializar, trabalhar em equipes, integrar a socialização em todas as partes do currículo, usar causa e efeito, ter festas e celebrações de aprendizagem.
Inteligência Intrapessoal
Características
Atividades para estimular
Autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base neste conhecimento.
Solicitar à criança que faça desenhos dela mesma no presente, passado e futuro; observar fotos e tentar lembrar porque estava com tal expressão na foto; peça que escolha músicas de acordo como se sente; Ter conversas pessoais de “coração para coração”, usar atividades de crescimento pessoal para romper bloqueios à aprendizagem, reservar tempo para reflexão interior: “pense e ouça”,  fazer estudo independente,  ouvir sua intuição, discutir, refletir ou escrever o que vivenciou e como se sentiu,  permitir a individuação,  fazer diários de história pessoal – histórias da família, assumir o controle da própria aprendizagem, Ensinar afirmações pessoais,  ensinar questionando - quem? Quando?
Inteligência Naturalista
Características
Atividades para estimular
Capacidade no reconhecimento e classificação das numerosas espécies - a flora e a fauna - do meio ambiente do indivíduo. Inclui também sensibilidade a outros fenômenos naturais, como formação de nuvens e montanhas.
Cultivar uma horta, acompanhar o desenvolvimento de um animal ou planta. Ter aulas ao ar livre. Comparar diferentes tipos de plantas, observando suas semelhanças e diferenças.
Viajar para conhecer os diferentes ecossistemas. Plantar, colher e produzir alimentos.  Cuidar de animais. Garimpar e consumir produtos ecológicos ou orgânicos. Pesquisar e preparar receitas naturalistas.

Também sempre devemos levar em conta que existem diversos estilos de aprendizagem e tempo máximo de atenção em determinada atividade, por isso o planejamento da aula deve contemplar as diferentes formas de aprender, procurando variar as mesmas, proporcionando assim que os alunos consigam maior tempo de atenção.

Estilo Auditivo
Alunos com este estilo serão capazes de se lembrar do que eles ouvem e preferem instruções orais. Eles aprendem ouvindo e falando. Estes alunos gostam de conversar e entrevistar. Eles são leitores fonéticos, que gostam de leitura oral, leitura em coro e de ouvir livros falados. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para:
• Entrevistar, debater
• Participar em um painel de discussão
• Apresentar relatórios oralmente
• Participar em debates sobre material escrito

Estilo Visual
Alunos com este estilo serão capazes de se lembrar do que veem e preferem instruções escritas. Estes alunos são leitores visuais, que gostam de ler em silêncio.
Melhor ainda, gostam de receber informações por meios visuais como, por exemplo, fitas de vídeo, DVD. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para trabalharem com:
• Gráficos de computação
• Mapas, gráficos, tabelas
• Histórias em quadrinhos
• Cartazes
• Diagramas, desenhos
• Recursos para organizar gráficos
• Textos com muitas figuras

Estilo Tátil
Alunos com este estilo aprendem melhor tocando em coisas. Eles compreendem instruções que eles escrevam e aprenderão melhor através de manipulações. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para eles:
• Desenharem
• Jogarem jogos de tabuleiro
• Construírem diagramas
• Construírem modelos (com vários materiais)
• Seguirem instruções para fazer alguma coisa

Estilo Cinestésico
Alunos com este estilo também aprendem tocando e manipulando objetos. Eles têm a necessidade de envolver o corpo todo na aprendizagem. Eles se lembram melhor do conteúdo das aulas se eles o expressarem em ações. Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para:
• Jogarem jogos que envolvam o corpo todo
• Fazerem atividades de movimento
• Construírem modelos
• Seguirem instruções para fazer alguma coisa
• Realizarem experimentos



Indicação de leitura: EXERCITANDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Referências:

ARMSTRONG, Thomas. Inteligências múltiplas na sala de aula. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.

ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação de múltiplas inteligências. Petrópolis: Ed. Vozes, 1998.

GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

GARDNER, H; KORNHABER, M e WAKE, K. Inteligência: Múltiplas Perspectivas. Porto Alegre: ArtMed, 1998.