domingo, 7 de setembro de 2014

E se você fosse escolhido para ensinar seus colegas?


Digamos que o professor inicie a aula mencionando que no final da mesma você teria que explicar a seus colegas tudo que aprendeu naquela aula!!!
Seria um exercício fácil para você?
Certamente sua atenção iria ficar mais focada, registrando a maior quantidade possível de detalhes e informações necessárias. Quem sabe até anotaria tópicos importantes e faria um mapa mental de todo conteúdo, porque a expectativa de ensinar melhora a aprendizagem.
E foi justamente esta a pesquisa feita pelo Dr John Nestojko, publicada recentemente na revista Memory & Cognition. Estudantes foram separados em 2 grupos, o primeiro foi informado que teria que fazer uma prova no final da aula, o segundo grupo recebeu a incumbência de ensinar aos colegas tudo o que haviam aprendido em aula. Porém, não teve nenhuma prova e não houve nenhum momento de ensinar aos colegas. O pesquisador investigou a questão da expectativa de realizar determinadas tarefas.
Os resultados indicaram que os alunos informados da possibilidade de ensinarem seus colegas tiveram uma alteração significativa em seus cérebros em relação aos que fariam a prova.
Nestojko enfatizou :“os alunos  que esperavam para ensinar os colegas, organizaram suas recordações de modo mais eficaz e haviam retido na memória informações realmente importantes.”
Os professores ao preparar uma aula, procuram utilizar pontos chaves e organizar o conteúdo de modo coerente; sendo que o grupo de alunos que supostamente teriam que ensinar, também se voltaram para essas estratégias de aprendizagem.
O estudo sugere que incutir uma expectativa de ensinar pode ser uma intervenção simples e barata que aumenta a eficiência da aprendizagem.
"O que eu acho mais intrigante sobre esta pesquisa é que o aprendizado foi impactado significativamente, embora não fizemos nada mais do que alterar as expectativas dos participantes antes da aprendizagem", disse Nestojko.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A diferença entre educação e aprendizagem


"As crianças nascem com grande capacidade de aprendizado.
Então nós passamos o resto de suas vidas destruindo isso,
É uma questão de entender o comportamento das crianças...
tanto online, quanto no mundo físico.
E buscar unir essas aprendizagens... dentro dos métodos tradicionais.
Nós usamos 4 palavras para descrever partes essenciais da aprendizagem:
PROJETOS, PARCEIROS, PAIXÃO e BRINCADEIRA.

ORIENTADAS PARA PROJETOS

As crianças gostam de fazer coisas.
Podemos ajudá-las a aprender enquanto fazem.

PARCEIROS

Crianças gostam de ensinar umas às outras.
Entre idades, com adultos. É um comportamento social.
Vai além de estudar sozinho para uma prova.

PAIXÃO

A paixão é tão importante!
Um grama de paixão vale tanta educação quanto se possa imaginar.
Crianças com paixão continuarão a aprender.
Crianças interagindo juntas, veem alguém fazendo algo e querem experimentar.
Elas então brincam um pouco. E se acharem interessante pesquisam mais..
Essa é a trilha para aprendizagem.
Não é: "Vai cair na prova?"
"Preciso disso para me formar?"

Educação é o que outras pessoas fazem com você.
E aprendizagem é aquilo que você causa a sim mesmo.

Desobediência acima da adequação às regras.
Você nunca vai receber um Prêmio Nobel por fazer aquilo que te mandam.
Você inventa novas ideias ao questionar autoridade. E pensando por si mesmo."

Obs: texto retirado do vídeo "A diferença entre Educação e Aprendizagem" - Joi Ito, compartilhado por Cláudio De Musacchio (https://www.facebook.com/claudiodemusacchio)




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Neuroeducação e aprendizagem




Atualmente, os educadores têm enfrentando muitos desafios em relação à aprendizagem dos alunos: não conseguem ter resultados positivos e realizar uma educação de qualidade, esta afirmação vem sido apresentada em muitas pesquisas sobre a educação em nosso país bem como através dos resultados das avaliações externas. Por isto, os estudos da neurociência têm muito a contribuir para melhorar a prática do educador uma vez que dentro de uma sala de aula encontramos muitas crianças em diferentes estágios, níveis, realidades, dificuldades e diversidades. O educador precisa de uma formação que lhe dê ferramentas para dar conta de toda esta demanda, por isto a neurociência tem muito a contribuir com a a educação:
·         A neurociência trata do cérebro, esta máquina tão complexa e ao mesmo tempo tão fundamental no desenvolvimento cognitivo do ser humano. Segundo o pesquisador Daniel Ansari, “Sem o cérebro, não há aprendizagem nem educação. A educação altera o cérebro, e o próprio cérebro é estruturado para ser capaz de processar as informações e assim ser educado. Os educadores são os diretores da plasticidade neuronal em suas salas de aula. Portanto, é evidente que uma melhor compreensão da função cerebral é informativa para os professores”. Se os professores se apropriarem dos conhecimentos da neurociência, entendendo as funções do cérebro dos seus alunos, serão capazes de criar estratégias que auxiliem na aprendizagem;
·         Através da neurociência, o professor será capaz de avaliar o aluno na sua individualidade, perceber as deficiências de cada um bem como as causas das dificuldades;
·         Uma das “novidades” apresentadas pelo pesquisador Daniel Ansari é a neuroimagem, segundo ele “os métodos de neuroimagem podem ajudar na identificação precoce das deficiências de aprendizagem, bem como na previsão de quem se beneficiaria de determinado tipo de intervenção (neuroprognóstico)”.
·         Os estudos da neurociência mostram de que maneira os estímulos chegam ao cérebro, de como as memórias são consolidadas e como as informações são armazenadas; O cérebro é o órgão mais importante no processo do aprender e estes estudos ajudam o educador a conhecer e compreender cada região cerebral, em que parte realmente acontece a aprendizagem ou, que é responsável pela emoção, atenção e comportamentos;
·         Segundo os estudos da neurociência, a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de forma interrelacionadas e este é o desafio dos educadores: promover em sala de aula atividades que desenvolvam estes sistemas a fim de facilitar as sinapses (estímulos do ambiente) como por exemplo o uso de jogos e de músicas em sala de aula (sistemas auditivos, visual e tátil); Atividades prazerosas, lúdicas e desafiadoras também fortalecem as sinapses (estímulos externos);
·         Os estudos também mostram que algumas tarefas apresentadas durante a formação do professor são de extrema importância no processo de ensino-aprendizagem como:  a presença de regras para um convívio harmonioso; rotina e objetivos claros e definidos; espaço para o diálogo; uso de materiais diversificados que explorem todos os sentidos; promoção de um espaço agradável; promover tempo de descanso e reflexão após o estudo para ativar a região responsável pela memória (hipocampo); trabalhos individuais e em grupos; trabalhar o mesmo conteúdo de forma diferente; resolver os problemas e conflitos em sala de aula através de diálogo promovendo o educando no papel de agente-responsável pelos seus atos;
·         A neurociência tem auxiliado na compreensão dos transtornos comportamentais e da aprendizagem, pois apresenta subsídios na elaboração de estratégias adequadas para cada caso auxiliando o professor também na compreensão de que seu aluno é um ser único, pensante, atuante e que aprende através de estímulos.
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Ana Paula Scherer da Silva Krupp * - pós-graduanda no curso de Neuroeducação e Educação Especial Inclusiva  pela Capacitar  
- atividade desenvolvida na disciplina de Fundamentos da Neurologia e da Educação

A Lebre, a Tartaruga e a Neurociência!!!


Ana Lúcia Hennemann

Uma das fábulas que merece destaque na literatura infantil é “A lebre e a tartaruga”.
Conta a história que a lebre considerada rápida como o vento, devido a agilidade de suas pernas, ridicularizou a tartaruga pois a mesma tem pernas curtas e caminha vagarosamente. No entanto, a tartaruga propôs um desafio para comprovar a veracidade das palavras proferidas pela lebre: - Que tal uma corrida?
A lebre topou o desafio na hora, pois estava convicta de suas habilidades e nem conseguia perceber nada de relevante nas habilidades da oponente.
No dia combinado, as duas concorrentes apresentaram-se para tal evento. A lebre toda confiante de sua vitória corria alguns percursos e em alguns momentos parava para descansar. No entanto, a não tão habilidosa tartaruga prosseguia de modo contínuo, devagar, mas mostrando persistência e foco no seu objetivo. (A história verdadeira não conta, mas a tartaruga era leitora assídua das publicações da Neurociências em Benefício da Educação e tinha conhecimento que a prática constante leva a perfeição, pois é, ela passou vários dias praticando e aperfeiçoando-se!!!)
E como todos bem sabem, no final a tartaruga tornou-se a vitoriosa da corrida.
Fim!!!
A história nos arremete a muitas metáforas engajadas no esforço pessoal, entretanto numa abordagem da neurociência ela nos faz refletir sobre a questão de dons e construção de habilidades. Quem nos diz que temos ou não habilidades para determinadas atividades?
Existem pessoas sim que tem habilidades extraordinárias, que nasceram para tal coisa, como se diz popularmente: - O cara nasceu para isso!!! Ele tem o dom!!! Mas, a neurociência tem nos mostrado que quanto mais praticamos determinados atos mais habilidosos nos tornamos naquele contexto, talvez não conseguimos chegar a um estado de excelência, mas certamente pode-se chegar a patamares muito elevados.
Aprender significa modificar comportamentos, sejam eles motores, emocionais ou cognitivos. Quanto maior o empenho destinado a aprendizagem de determinada habilidade, mais especialista nos tornamos. Conforme Herculano - Houzel: “a princípio qualquer pessoa pode se tornar excelente naquilo que faz, desde que se dedique, apresente uma motivação constante e muito treino.” 

Portanto, se você conhece alguém que seja muito habilidoso em determinado contexto, saiba que determinação, foco e treino constante podem ser a base de tudo que você precisa construir as mesmas habilidades que tal pessoa. Pois nosso cérebro é plástico, moldável e muda de forma segundo as áreas que mais utilizamos, conforme a atividade mental.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Aprendendo com as crianças!


Alfabetizar é uma das coisas mais maravilhosas que existem!!! Aqueles que são da área sabem do que estou falando, pois quando a criança ganha o famoso “estalo” fica tão entusiasmada que nos transmite uma alegria inexplicável. Recebemos “doses de dopamina via contato com o aluno”, MARAVILHA!!!
Mas, na verdade, o tal “estalo” trata-se da transformação da informação em conhecimento.  Isso faz parte do plano de curso, tanto que o professor investe em várias estratégias que promovam este ato. Haja criatividade pois é jogo de bingo, música com determinadas palavras em destaque, caça palavras, jogo da palavra secreta, pular amarelinha sobre palavras estudadas e cada qual com suas cartas na manga. E é por isso que a aprendizagem se dá em espiral, o mesmo conteúdo tem que passar diversas vezes pelo aluno, porém de “forma camuflada”.
E tem aqueles que dizem que aprender não é repetir!!! Precisa repetir sim!!! Entretanto, cada indivíduo, num processo que só a ele compete, faz a junção daquilo que sabe (conhecimento prévio) com o que está sendo ofertado (interação com o meio) e a partir disso cria uma nova significação, um novo conhecimento. Uma nova ramificação nas espinhas dendríticas.  E no caso da alfabetização, uma decodificação do mundo letrado.
Uns por questões genéticas e ambientes mais privilegiados conseguem fazer esta decodificação mais cedo, começam a ler lá pelos 4, 5 anos, outros necessitam de mais estímulos e muitas vezes não se alfabetizam tão rapidamente assim, mas tudo é parte deste processo individual que acontece com o ser humano.
Das muitas cenas que acontecem no ambiente escolar, sempre há aquelas mais significativas, que nos causam impacto e por isso guardamos em nossas memórias. Lembro o caso de uma menina que precisou de muitos estímulos para que o tal “estalo” ocorresse. Hoje percebo que a ansiedade de aprender pode ser um fator que prejudica o aluno. Por exemplo: sabe aqueles filhos que os pais sonham em que passem em tal vestibular, em tal universidade, isso tudo vai criando uma ansiedade generalizada, uma expectativa do que ainda não aconteceu, mas ao mesmo tempo arremete subliminarmente o indivíduo a um estágio de tensão, uma ansiedade. E isso, pode acontecer no processo de alfabetização de algumas crianças, a expectativa da família é tanta que bloqueia a aprendizagem do indivíduo. Pois a ansiedade gera mais cortisol, um hormônio que desempenha papéis importantes no nosso organismo, porém em nível excessivo pode afetar o hipocampo, que é uma das áreas envolvidas no processo de aprendizagem.
Bem, mas no caso desta criança, quando a família baixou a tensão, ela se alfabetizou, o tal “estalo” aconteceu.  E a menina era uma gracinha, pequenina, sabem aquelas baixinhas invocadas, que não levam desaforo pra casa, pois é: numa segunda-feira qualquer, ela chegou eufórica com um caderninho na mão, repleto de palavras e disse: - Professora, eu acho que aprendi a ler!!!
Olhei pra ela, sentindo um orgulho muito grande pelo seu desempenho, pois quando temos amor pelo que fazemos, as conquistas de cada um que está no processo nos pertencem. É vibrar pelo bem estar do outro. Mas, antes que pudesse lhe dar aquele abraço caloroso e parabenizá-la, aconteceu algo que não consegui evitar, mas aconteceu...
Um colega, proficiente na leitura, leitor assíduo de várias revistas de destaque desde os 4 anos de idade (isso mesmo, ele tinha altas habilidades) olhou para ela e disse:
- Grande coisa você achar que aprendeu a ler, eu já faço isso desde os 4 anos de idade, sei ler tudo e sobre vários assuntos!!!
E não é que a baixinha era rápida na resposta:
- Aprendi a ler e agora posso ler tudo que você lê, posso saber tudo que você sabe, é só eu estudar todo dia!!!
Uiaaaaaa, e estas crianças precisam de professor pra quê??? Eu é quem aprendi!!!
Ahhh e nem pense que ficaram inimigos, muito pelo contrário, apenas externaram seus sentimentos e passou. Nós adultos é quem atribuímos juízo de valor aos fatos; crianças não, elas apenas dizem o que pensam no momento.
Mas esta pequena história foi por causa de uma reflexão que sempre faço nas aulas de pós: - Quem nos diz que somos ou não habilidosos em determinadas áreas?
E as conclusões sempre são pautadas em nós, nas exigências que fazemos para nossa pessoa,  esquecemos de valorizar pequenas conquistas que podem nos levar a grandes habilidades. Perdemos esta inocência de criança e esquecemos de nos vangloriar por cada pequeno passo conquistado, não no sentido de sermos exibicionistas, mas sim de reconhecer nosso valor, nosso esforço e principalmente nosso mérito por ter alcançado tal objetivo.
Como adultos traçamos metas, fazemos todo um arsenal de estratégias para conquistar certas habilidades, mas esquecemos de ser nosso próprio parâmetro, e essa foi a lição que a pequenina aluna recém alfabetizada nos mostra: - que através de nosso empenho podemos alcançar patamares tão altos quanto quaisquer outras pessoas! Tudo é uma questão de dedicação, de assumir um compromisso com sua própria pessoa.